fevereiro 07, 2008
A Urgeiriça no Carnaval 08
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fevereiro 06, 2008
janeiro 27, 2008
Em cima da mesa...I
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Etiquetas: Ambiente, EmCimaDaMesa
janeiro 25, 2008
Trabalhadores da ENU: PCP defende direitos iguais

O PCP entregou, na Assembleia da República, um projecto-lei que altera o regime jurídico de acesso às pensões de invalidez e velhice, no sentido de equiparar todos os ex-trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio, sediada em Canas de Senhorim, Nelas, a trabalhadores de fundo de mina, para efeitos de antecipação da idade de reforma.
O projecto-lei, que tem como primeiro subscritor o secretário-geral do PCP, o deputado Jerónimo de Sousa, exige ainda a monitorização médica "consistente e periódica" de todos os ex-trabalhadores, no sentido de detectar possíveis desenvolvimento negativos da actividade que levaram a cabo".
E defende a atribuição de indemnização "em caso de morte como consequência da profissão, aplicando assim o carácter de doença profissional às doenças que se venham a verificar nos ex-trabalhadores da ENU, nomeadamente as neoplasias malignas que têm afectado, só na região da Urgeiriça, várias dezenas de ex-trabalhadores".
"Só a conjugação destas três medidas pode garantir que o Estado não se demita das suas responsabilidades perante estes trabalhadores, independentemente das datas da cessação dos seus vínculos laborais", defende o preâmbulo do projecto-lei, referindo-se ao Decreto-Lei nº 28/2005, de 10 de Fevereiro, que equiparou os trabalhadores que conservavam o vínculo à data da dissolução da Empresa Nacional de Urânio SA.. Decreto-lei que acabou por criar "uma situação de injustiça perante todos aqueles que foram efectivamente trabalhadores da ENU, em fundo de mina, áreas de exploração, anexos mineiros ou obras e imóveis afectos à exploração, mas que não estavam vinculados à empresa no momento da sua dissolução", argumenta o PCP.
No que se refere ao acompanhamento médico, os comunistas propõem o alargamento aos descendentes directos dos trabalhadores, também de forma gratuita, com o objectivo de identificar consequências decorrentes da actividade mineira. E defendem a "prestação gratuita dos tratamentos médicos necessários.
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janeiro 22, 2008
António Minhoto VS Manuel Marques

A associação Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU) anunciou hoje ter apresentado uma queixa-crime por difamação contra o vereador da Câmara de Nelas Manuel Marques, que acusa de ter chamado «terrorista político» ao seu presidente, António Minhoto.
António Minhoto disse à Agência Lusa que a acusação foi feita por Manuel Marques a propósito da recente denúncia da AZU sobre a poluição na Ribeira da Pantanha, numa extensão de quatro quilómetros, entre a Barragem Velha da Urgeiriça (Canas de Senhorim) e o Rio Mondego, no concelho de Nelas.
Depois de António Minhoto ter atribuído a poluição a um pólo empresarial de Canas de Senhorim «que a autarquia tem de saber cuidar, criando condições para as empresas se instalarem, especialmente ao nível do tratamento dos resíduos industriais», o vereador Manuel Marques disse que «esse senhor é um terrorista político que quer destruir o concelho de Nelas», segundo o Jornal de Notícias de 11 de Janeiro.
Por considerarem esta afirmação «deselegante» e que «não corresponde nem à situação em causa, nem à postura da AZU desde a sua fundação», os órgãos sociais da associação decidiram avançar com uma queixa-crime contra Manuel Marques.
Contactado pela Lusa, o vereador Manuel Marques (PSD/CDS-PP), responsável pelo pelouro do Ambiente, confirmou ter chamado a António Minhoto «terrorista político», uma atitude da qual diz não estar «nada arrependido».
«Ele faz política de qualquer maneira, de uma forma terrorista», referiu, ao justificar o epíteto, acrescentando que a afirmação aconteceu num contexto de «um encher de ataques, quer pessoais, quer políticos».
A associação ambientalista lembra que foi criada em 2003, «para salvaguardar a existência de um melhor ambiente» na região, onde esteve sedeada a Empresa Nacional de Urânio (ENU) e durante décadas foi explorado aquele minério.
«A AZU contribuiu, com a sua insistência, para que o problema assumisse uma dimensão nacional, permitindo que a recuperação ambiental se iniciasse e fosse realizado um estudo epidemiológico sobre o impacto da radioactividade nas populações», acrescenta.
Por entender que todas as actividades que desenvolveu foram «sempre realizadas no mais estrito respeito pelas instituições e pelas pessoas», a AZU considera «abusivo o epíteto» atribuído ao seu presidente.
Manuel Marques disse à Lusa que, se o que António Minhoto queria era «averiguar uma questão ambiental do seu concelho, tinha feito de outra forma: se não queria dirigir-se ao vereador, poderia ter ido ao gabinete do ambiente».
«A Câmara tem um gabinete devidamente instruído. Ele perguntou alguma coisa a alguns dos nossos técnicos?», questionou, concluindo que António Minhoto apenas quis «show off político».
Manuel Marques referiu que tudo faz «em defesa dos industriais do concelho», garantindo que no caso da poluição da Ribeira da Pantanha, estes estão a agir dentro da lei.
«Os parâmetros das descargas estão dentro dos parâmetros legais», assegurou.
O autarca, que é advogado, disse que aguardará «serenamente» o desenrolar da queixa-crime, que diz ser «apenas mais uma», lembrando nunca ter sido condenado em nenhum dos casos.
António Minhoto já recebeu a solidariedade da comissão dos ex-trabalhadores da ENU, da qual tem sido porta-voz, e também da associação ambientalista Amigos da Serra da Estrela.
«Não há desculpa para quem quer que seja, e muito menos para autarcas que representam o povo que governam, que quando interpelados a corrigir nefastos efeitos ambientais utilizem vocabulário hostil e injusto», refere uma carta da comissão de ex-trabalhadores enviada a António Minhoto, a que a Lusa teve acesso.
Na sua opinião, «só por maldade ou ignorância» se pode «acusar de terrorista político» António Minhoto, dada a sua «honradez, honestidade» e o facto de ser «defensor dos direitos dos trabalhadores, das populações do seu concelho e das causas ambientais».
A associação Amigos da Serra da Estrela considera, por sua vez, que «se está perante um responsável autárquico que perdeu o sentido das palavras», lembrando que António Minhoto só estava a exercer o seu «direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender», previsto na Constituição.
Neste âmbito, aconselha Manuel Marques a interrogar-se «sobre o cargo que exerce e se quer correr o risco de, futuramente, ter de vir a chamar de terroristas políticos a muitos mais munícipes que defendam o meio ambiente».
Diário Digital / Lusa
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Etiquetas: Jornais ; ambiente
janeiro 18, 2008
janeiro 10, 2008
Ribeira da Pantanha II

Estas fotos foram tiradas ontem pela Associação Ambiental nas Zonas Uraníferas (AZU). A AZU suspeita que o foco poluidor seja o pólo industrial 2 do concelho de Nelas.


Jornalista SIC online
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Etiquetas: Jornais ; ambiente
Ribeira da Pantanha
A Ribeira da Pantanha apresenta há vários dias poluição numa extensão de quatro quilómetros, entre a Barragem Velha da Urgeiriça e o Rio Mondego, no concelho de Nelas.

António Minhoto, da AZU, disse que, «de tempos a tempos a Ribeira da Pantanha tem apresentado uma poluição estranha: uma espuma de cor branca, que cheira mal».
Segundo o ambientalista, antigo trabalhador da Empresa Nacional de Urânio (ENU), que tinha minas na Urgeiriça (freguesia de Canas de Senhorim), esta poluição não terá nada a ver com os resíduos deixados pela exploração daquele minério.
«Serão descargas de uma empresa a montante da Barragem Velha da Urgeiriça que não trata os seus resíduos», afirmou, explicando que a poluição resultante da exploração do urânio era diferente, «deixava a água escura, barrenta, porque transportava terras com materiais radioactivos».
António Minhoto contou ter-se apercebido da poluição no fim-de-semana, altura em que apresentou uma queixa à GNR, lamentando que, apenas hoje, «depois de renovada a queixa», elementos da equipa de protecção do ambiente e natureza se tenham deslocado ao local para recolher amostras da água.
«A poluição não pode esperar para o outro dia», defendeu, acrescentando que, além da Ribeira da Pantanha, também o leito do Rio Mondego poderá ficar poluído.
Segundo o ambientalista, estas descargas já tinham originado outras queixas, havendo relatos de «peixes mortos na barragem dos Valinhos por causa da poluição».
O capitão Filipe Soares, comandante do destacamento de Mangualde da GNR, confirmou a existência de poluição na Ribeira da Pantanha, que está a ser averiguada, havendo suspeitas de descargas ilegais.
Explicou que, no sábado à noite, assim que a GNR recebeu a denúncia, elementos do posto de Canas de Senhorim se deslocaram ao local, «mas não conseguiram detectar se havia ou não poluição» porque estava escuro.
«Voltaram no domingo logo de manhã e verificaram que havia espuma. Tentaram averiguar de onde vinha e foram informados por industriais da zona de que a espuma era de um tratamento para águas residuais», acrescentou.
Segundo Filipe Soares, foi accionada a equipa de protecção da natureza e ambiente, que se deslocou ao terreno, onde regressou hoje «porque recebeu nova denúncia».
[...]
“O novo ataque ambiental vem através da Ribeira de Pantanha para o Mondego. Pensamos que deve ser de uma zona de empresas a montante, entre Nelas e a Urgeiriça, e que não tem nada a ver com a ENU [Empresa Nacional de Urânio] ”, afirma António Minhoto.
O ambientalista diz que foi feita queixa à GNR no fim-de-semana, mas que só esta quarta-feira é que a Brigada do Ambiente se deslocou ao local.
A situação foi desmentida pelo Capitão Filipe Soares. O comandante do destacamento da GNR de Mangualde diz que já foi identificada a origem da poluição e acrescenta que a queixa foi feita sábado à noite e que a GNR esteve no local logo no domingo de manhã.
“Foram feitas colheitas de água e estão já identificados os autores das descargas”, adianta o Capitão Filipe Soares.
Compilação: Lusa/Sol/R Renascença
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Etiquetas: Jornais ; ambiente
janeiro 08, 2008
"Danças Ocultas" na Casa de Pessoal
Danças Ocultas é o nome de um grupo musical português constituído por Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel. Danças Ocultas é a aceitação mútua do desafio de explorar, imaginar e conceber novas linguagens musicais, transformando o mundo pelo som e desenvolvendo todas as possibilidades da máquina inventada no século XIX - o acordeão diatónico, em Portugal conhecido como concertina.
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janeiro 03, 2008
Bispo de Viseu recebeu trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio
Uma delegação de antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) visitou, na tarde do dia 3 de Dezembro, o Bispo de Viseu com a finalidade de o informarem e pedirem a solidariedade e apoio.
D. Ilídio Leandro ouviu este grupo e prometeu inteirar-se melhor do processo e estudar formas de apresentar a sua solidariedade e apoio perante os poderes constituídos, refere uma nota da Diocese.
No passado mês de Novembro, os ex-trabalhadores das minas da ENU concentraram-se numa vigília de 24 horas diante do Governo Civil de Viseu, para exigirem a requalificação ambiental das minas da Urgeiriça, em Canas de Senhorim, Nelas, e indemnizações aos familiares das 100 vítimas que contraíram doenças cancerígenas devido à exposição à radioactividade.
Diocese de Viseu
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dezembro 05, 2007
56 anos de Vida com a Vida ameaçada
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novembro 29, 2007
A nossa Padroeira III

A Grande Santa e Mártir Bárbara viveu e sofreu durante o reinado do imperador Maximiano (305-311). Seu pai, um pagão de nome Dióscoro era um homem rico e ilustre da cidade fenícia de Heliópolis; como ele ficou viúvo muito cedo, voltou toda a sua atenção em devoção a sua filha única. Bárbara tinha uma beleza tão extraordinária que seu pai decidiu criá-la afastada dos olhos de estranhos. Para isso ele construiu uma torre, na qual ela vivia, junto de seus tutores pagãos.
Do alto da torre, ela podia vislumbrar a imensidão da criação de Deus: durante o dia, ela via colinas cobertas de florestas, rios que cortavam a terra e campinas cobertas por flores de todas as cores do arco-íris; e, a noite, o impressionante espetáculo da harmonia e majestade dos céus estrelados. Logo a jovem donzela passou a se questionar sobre o Criador de um mundo tão esplêndido e harmonioso. Aos poucos elas foi se convencendo que os ídolos pagão eram criação das mãos humanas, e embora seu pai e tutores a ensinavam a adorá-los, os ídolos não se mostravam sábios ou divinos o suficiente para terem criado o mundo. O desejo de Bárbara de conhecer o Deus Verdadeiro consumia sua alma de tal maneira que ela decidiu devotar toda a as vida a isto, vivendo em castidade.
Mas a fama de sua beleza espalhou-se pela cidade, e surgiram muitos pretendentes à sua mão. E apesar das súplicas de seu pai, ela recusou, dizendo-lhe que sua persistência poderia separá-los para sempre, tendo um final trágico. Dióscoro, então, decidiu que o temperamento de sua filha havia sido afetado por sua vida reclusa – ele, então, permitiu que ela deixasse a torre, concedendo-lhe a liberdade de escolha de seus amigos e conhecidos. Foi assim que a donzela conheceu na cidade jovens cristãos, que lhe revelaram sobre os ensinamentos de Deus, a vida de Nosso Senhor, a Trindade e a Sabedoria Divina. Pela Providência Divina, após um certo tempo, um padre de Alexandria, disfarçado como mercador, chegou a Heliópolis, e posteriormente veio a batizar Bárbara.
Enquanto isso, um luxuoso quarto de banho estava sendo construído na casa de Dióscoro. Segundo suas ordens, os operários deveriam construir duas janelas na parede sul; mas Bárbara, aproveitando-se da ausência de seu pai, pediu-lhes para que fosse feita uma terceira janela, representando a Trindade. Sobre a entrada do quarto de banho Bárbara esculpiu em pedra uma cruz – segundo o hagiógrafo Simeão Metafrastes, certo tempo após a fonte que originalmente abastecia o quarto de banho ter secado, ela voltou a jorrar água com poderes curativos.
Quando Dióscoro retornou, expressando insatisfação com as mudanças em sua obra, sua filha lhe contou sobre seu conhecimento do Deus Triúno, sobre a salvação pelo Filho de Deus e da futilidade de adorar falsos ídolos.
Dióscoro imediatamente foi tomado pela fúria, tomando uma espada para matá-la; a jovem fugiu de seu pai, que partiu em sua perseguição; quando Santa Bárbara chegou a uma colina, nele se abriu uma caverna para escondê-la em seu interior. Após uma busca longa e sem resultados por sua filha, Dióscoro viu dois pastores em uma colina. Um deles lhe mostrou a caverna onde a Santa havia se escondido – quando a encontrou, Dióscoro lhe deu uma surra terrível, para depois mantê-la em cativeiro, em um jejum forçado. Vendo que não conseguia vencer a fé de Santa Bárbara, ele a levou para Marciano, o governador da cidade. Juntos, eles voltaram a surrá-la e chicoteá-la, salgando suas feridas. À noite, a Santa Donzela rezou com fé ao Senhor, e Ele lhe apareceu em pessoa, curando seus ferimentos. Ela, então, sofreu tormentos mais cruéis ainda.
Entre a multidão que se encontrava próximo ao local da tortura, havia uma cristã moradora de Heliópolis, de nome Juliana, e seu coração havia se enchido de compaixão pelo martírio voluntário da bela e ilustre donzela.
Também desejando se sacrificar por Cristo e sua fé, e começou a denunciar os torturadores em voz alta, sendo presa logo em seguida. Ambas a Santas Mártires foram torturadas por muito tempo; após serem flageladas, foram levadas pelas ruas da cidade, em meio à zombaria e escárnio da multidão.
Após a humilhação, as fiéis seguidoras de Cristo, Santas Bárbara e Juliana foram decapitadas. O próprio Dióscoro executou Santa Bárbara. A fúria de Deus não tardou a punir seus torturadores e executores: logo em seguida, Dióscoro e Marciano foram fulminados por raios e relâmpago.
No século VI, as relíquias da Santa Mártir Bárbara foram transladados para Constantinopla. No século XII, a filha do Imperador Bizantino Aleixo Comenes, a princesa Bárbara, após contrair matrimônio com o príncipe russo Miguel Izyaslavich as transladou para Kiev, capital da atual Ucrânia. Hoje suas santas relíquias descansam na Catedral de São Valdomiro em Kiev.
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Etiquetas: Historia, Santa Barbara
novembro 20, 2007
A "Urgeiriça" VS GDR Canas de Senhorim
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Etiquetas: GDR Desporto
novembro 16, 2007
À conversa com...António Minhoto
Os objectivos da vigília dos ex-trabalhadores da ENU foram concretizados?
Foram. Queríamos levar a luta para a rua, divulgá-la junto das populações…
A luta já estava na rua.
Estava na rua, mas não havia o contacto com as populações. Organizámos uma marcha entre a Urgeiriça, Nelas e Viseu, comunicando com a população, dando a conhecer as nossas razões. Durante as 24 horas, 12 delas em Viseu, passaram pela vigília vários quadrantes políticos, sindicais e populares manifestando concordância e apoio.
Curiosamente não tiveram tanta solidariedade da parte do partido que sustenta o governo. O líder da Federação Distrital de Viseu do PS, José Junqueiro, recusou mesmo receber-vos.
Pelo contrário. Nós temos vindo a ter cada vez mais apoio do PS. A concelhia de Nelas está solidária com este processo e a de Viseu, ao contrário do que pretendíamos, porque tencionávamos deixar ficar na caixa do correio o nosso manifesto, recebeu-nos e mostrou-nos solidariedade e estímulo. Passámos até para outra fase, em termos de apoio no PS.
A atitude de José Junqueiro surge em contra-ciclo com a do seu próprio partido?
Isso é um fait-divers interno do PS. Entendemos que não nos devemos meter nisso. O PS tem que olhar para o deputado Miguel Ginestal. Devem ser solidários com ele porque foi um homem com coração, sensível, que esteve no plenário, viu os problemas e afirmou que havia uma dívida do Estado para com os trabalhadores.
Porque diz que é um fait-divers?
Porque não corresponde à solidariedade e às intenções do PS. Em 2005, o PS apresentou um requerimento, na Assembleia da República, subscrito por todos os deputados de Viseu, dizendo para darem o melhor andamento possível às nossas reivindicações.
O PS deve olhar para o que disse o deputado Miguel Ginestal e não para o que disse agora o líder da federação distrital?
Só dizemos que deve ser solidário e que não deixe queimar em lume brando um ânimo que é tão sensível e justo. Por isso, é que ele (Miguel Ginestal) é justo, porque esteve, no dia a dia, com os trabalhadores. O (José) Junqueiro nunca apareceu. Mas eu queria fugir dessa questão, porque a nossa luta não é contra o PS, que tem sido um aliado. O próprio Junqueiro, na nossa presença, marcou uma audiência com o Ministério do Trabalho para discutir o problema. Portanto, não percebemos essa afirmação.
Refere-se ao facto de José Junqueiro ter tido que o senhor “não é uma pessoa politicamente séria” ou ter-se referido a si dizendo que “pretende tirar outras regalias à custa deste processo”?
Essa afirmação foi um acto que não foi pensado. Não a vamos levar a sério. Estar a sério nisto tem a ver com os trabalhadores, que são quem tem que mostrar se aceita ou não a minha liderança. Ela foi-me imposta e vem do último ano em que trabalhei na ENU (1989). Fui o primeiro a ser despedido e os trabalhadores, perante o facto de não haver forças para me manter na empresa, disseram que eu tinha que aceitar a indemnização. A resposta que dei foi que a indemnização seria posta ao serviço desta luta.
Estamos a falar de quanto?
De valores que rondavam os três mil contos. Numa homenagem que me fizeram, com cerca de 200 trabalhadores, ofereceram-me uma lápide a dizer: “obrigada pelos serviços”. Isso nunca se pode esquecer, nem se pode anular. Isto mexe muito comigo e eu nunca poderia abandonar os meus camaradas. Por isso, estive em todos os processos. Incentivei-os, dei orientações, movimentei opiniões dos partidos e eles sabem disso. Os trabalhadores têm beneficiado dessa luta e estão unidos. Esta sumula de reivindicações une toda a gente. É pelos exames, é por aqueles que faleceram e é por aqueles que não têm direito à reforma antecipada. Nunca foi uma luta individualista. Fomos sempre mobilizando e incentivando aqueles que lutavam. Foi pela requalificação ambiental, foi apoiando os trabalhadores que queriam rescindir o contrato mas com os seus direitos assegurados, lancei a actividade de uma associação ambientalista – a AZU – que teve um papel importante na requalificação ambiental. A questão da honestidade política está traduzida nesta luta e no apoio que ela tem.
José Junqueiro revela ignorância?
Não sei… Talvez a pressão política, a vinda do líder (José Sócrates) ao outro dia. Talvez a necessidade de mostrar trabalho o levasse a pronunciar esta afirmação descabida, despropositada e que não corresponde ao apoio que os trabalhadores depositam em mim. A prova evidente foi esta marcha, que levou 100 ex-trabalhadores até Viseu, em situações muito difíceis, ao fim de uma semana de trabalho. Reunir cerca de 100 trabalhadores que estão espalhados pelo país nesta marcha, corresponde a um sentimento de luta, de revolta e de vontade de vencer, como corresponde a uma liderança de pessoas que têm trabalhado e dado o seu melhor.
Porque é que acabou por protagonizar essa luta e pôs a sua indemnização ao serviço dos ex-trabalhadores?
Por tudo aquilo que os mineiros sofreram na pele. Por um sentimento que vem do facto de ver colegas meus, entre os 45 anos, a partir; ver viúvas destroçadas; ver injustiças feitas através do método de tentar dividir para reinar. Uma empresa do Estado tem que ser clara, igual para todos, nos direitos. Uns não podem ser de primeira e outros de segunda. Não podemos aceitar isto quando todos nós contribuímos para a riqueza do país.
“Na Urgeiriça, mora a palavra saudade...”
No blogue “Urgeiriça em peso”, há um texto, com o título “Homenagem ao mineiro”, que contém a frase: “Na Urgeiriça, mora a palavra saudade…”. Saudade de quê?
(Pausa) Olhe. É a saudade dos nossos (pausa) convívios, da nossa família, das dificuldades que passámos, porque essa forma de estar da família mineira era um exemplo, porque com o sacrifício que passavam no dia a dia tinham que ser unidos para tentar levar o seu trabalho avante. Era um trabalho de equipa e foi nessa base que os trabalhadores sempre se juntaram. Esta saudade é no sentido do que vivemos, do tempo que já lá vai, mas que marcou e está marcado nos ex-trabalhadores.
Texto e foto deIsabel Costa Bordalo [Jornal do Centro]
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Ex-mineiros querem pagamento da ‘dívida’
Uma vigília, junto ao edifício do Governo Civil, em Viseu, dos ex-trabalhadores da extinta Empresa Nacional de Urânio, foi o culminar de nova manifestação, exigindo ao Governo que acabe de pagar a "dívida" pelos vários anos em que estiveram expostos à radioactividade.Publicada por ®efeneto à(s) 00:19 0 comentários
novembro 13, 2007
Salvem a Casa do Pessoal – Minas da Urgeiriça
Salvem a Casa do Pessoal – Minas da UrgeiriçaFundada em 3 de Dezembro de 1951, a Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça tinha como objectivo essencial o desenvolvimento físico e intelectual dos seus associados, e ainda hoje, em conformidade e afinidade a este objectivo, procura visar a prossecução de interesses colectivos e comuns dos sócios, das famílias e amigos, de reformados, de trabalhadores e ex – trabalhadores das Minas da Urgeiriça.
- Social: cursos básicos de ensino, cursos de inglês, colónias de férias, jardim escola, fundo de assistência social para doença, parque infantil, cantina, etc;
- Cultural/ Recreativo: Biblioteca e salas de leitura, bar, salas de jogos, sala de espectáculos/ colóquios e exposições; cinema - projecção de filmes semanais em película 35 mm ; teatro / música teatro revista, récitas, rancho infantil , orfeão, escola de música, agrupamento musica, etc;
Apelamos ao bom senso, à solidariedade e à ajuda daqueles que se identificam de alguma forma com esta Casa, que não a deixem morrer.

Publicada por ®efeneto à(s) 22:32 1 comentários
Etiquetas: Casa Pessoal
novembro 11, 2007
O pagamento da dívida
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novembro 10, 2007
Luta dos Mineiros
Publicada por ®efeneto à(s) 09:05 0 comentários
novembro 08, 2007
Exames aos mineiros da Urgeiriça
Começaram hoje os exames médicos aos antigos mineiros das minas de urânio da Urgeiriça. Os primeiros cinco ex-trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) foram observados esta manhã, no Hospital de Viseu.
Publicada por ®efeneto à(s) 16:44 0 comentários
novembro 05, 2007
Os riscos da exploração do urânio
A reactivação da exploração de urânio tem conhecido nos últimos anos um crescimento acelerado. Só no continente asiático estão previstos 16 novos projectos de mineração e nos EUA 15 (informação do projecto WISE) . O aumento do preço do urânio no mercado internacional, que subiu 10 vezes mais nos últimos 5 anos, impulsionado pela procura de electricidade produzida por centrais nucleares e a expectativa de expansão desta indústria altamente insustentável, tem motivado esta opção.Em Portugal coloca-se agora a corrida à exploração das 4.100 toneladas de urânio de Nisa, considerada a única zona do país onde esta pode ser economicamente rentável. Nove consórcios já mostraram o seu interesse, estando a Direcção-Geral de Geologia e Energia a elaborar os cadernos de encargos de abertura de um concurso internacional para a atribuição da concessão de exploração, a qual poderá ser conhecida até ao final de 2009.
Tal como no passado, apesar dos avanços tecnológicos e das regulações ambientais, a exploração de urânio pode trazer elevados impactos para a região. Coloca-se o ambiente e a saúde das populações em risco, em nome de um projecto que terá um período de vida útil de 6 a 8 anos e criará pouco emprego. Numa zona deprimida do país, coloca-se em risco as oportunidades de desenvolvimento local sustentável, assente em vectores estratégicos que retiram mais-valias da riqueza natural e patrimonial do território, ao mesmo tempo que preservam o ambiente e potenciam o emprego durável e a qualidade de vida local.
Esta é uma opção estruturante para o território local e a forma de encarar o interior do país. Ou a criação de riqueza fácil que pouco ou nada deixará para os território locais e as suas gentes, gerando problemas ambientais e sociais que ficarão para o Estado resolver num futuro longo em que só a desertificação humana é expectável, ou a aposta em eixos de desenvolvimento que criam dinamismo local geradores de emprego, rejuvenescimento populacional, qualidade no ambiente e paisagem, coesão social.
Vivemos num país em que a exploração de urânio do passado (nas 61 explorações mineiras existentes no país) acarretou um enorme passivo ambiental e impactes negativos na saúde pública das populações, que ainda hoje se manifestam e continuam por resolver. As minas encerradas continuam a ser responsáveis, além de poluição visual, pela presença de poeiras tóxicas na atmosfera e por situações de contaminação de solos, cursos de água e lençóis freáticos.
O acondicionamento dos milhares de toneladas de escórias, resultantes do tratamento do minério, em escombreiras e barragens de estéreis, sem que nada tenha sido feito durante décadas, deixou um pesado legado de degradação do ambiente e nas condições de vida em 18 concelhos do território nacional.
Existem cerca de 7,8 milhões m3 de resíduos, dos quais 3 milhões representam maior perigo de contaminação. As minas da Urgeiriça, no concelho de Nelas, em Viseu, têm as maiores fontes de radioactividade, representando a quase totalidade dos resíduos. O estudo MinUrar - Minas de Urânio e seus Resíduos: Efeitos na Saúde da População, coordenado pelo Observatório Nacional de Saúde, concluiu que a população de Canas de Senhorim, exposta às minas da Urgeiriça, apresenta uma diminuição das funções da tiróide, da capacidade reprodutiva de homens e mulheres e do número de glóbulos vermelhos, brancos e de plaquetas no sangue.
Para resolver os problemas associados às explorações uraníferas abandonadas estima-se que será necessário um investimento na ordem dos 70 milhões de euros.
Pouco ou muito pouco foi ainda feito. E continuam a morrer ex-trabalhadores das minas de urânio sem que as famílias recebam indemnizações; não se realizam estudos nem se faz o acompanhamento médico prolongado das populações que vivem nesses territórios; não existe qualquer compensação aos municípios pela degradação ambiental gerada por actividades económicas supostamente de interesse nacional. E estas mesmas questões mantêm-se actuais se a reactivação das minas de Nisa avançar, pois não há quaisquer garantias por parte do Estado ou dos concessionários que vão explorar o urânio. Pois os efeitos, sobretudo na saúde, da mineração de urânio podem vir a manifestar-se num tempo demasiado longo, mantendo-se para as gerações futuras.
Algumas notas sobre a extracção de urânio:
Mesmo as maiores jazidas contêm menos de 1% de urânio: uma grande quantidade de rocha tem de ser extraída para se obter quantidades úteis de urânio. Grande parte desta rocha é esmagada em partículas muito finas, quase tão radioactivas como o urânio e que se dispersam facilmente pelo ar. Para se extrair o urânio geralmente são utilizadas grandes quantidades de água, ácido sulfúrico e composto ligante sobre estas partículas. Com a maioria do urânio removido (cerca de 90%), as escórias são armazenadas em escombreiras ou barragens. O nível de radiação destes resíduos pode ser 20 a 100 vezes superior aos níveis naturais dos encontrados nas jazidas superficiais, e têm de ser armazenados por centenas a milhares de anos até atingirem um estado estável. As poeiras radioactivas, os materiais tóxicos e o radão gerados ao longo destes processos e presentes nos resíduos podem dispersar-se facilmente, contaminando pessoas e ecossistemas.
Outro processo de extracção do urânio muito comum é através da injecção na água subterrânea de soluções altamente ácidas ou alcalinas. Este é um processo altamente contaminante, tanto dos lençóis freáticos, do solo e da rocha, mas também gerando resíduos altamente radioactivos e tóxicos.
Rita Calvário
Publicada por ®efeneto à(s) 16:05 0 comentários







