O portal de Canas de Senhorim

dezembro 26, 2008

Entrevista ao Dr. Evaristo Pinto




A propósito da publicação, no passado mês de Setembro, do livro “Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria – Carregal do Sal – Das origens à formação – Espaços, Colecções, Educação e Património no Concelho”, fomos ouvir o seu autor e nosso conterrâneo Dr. Evaristo Pinto, que presentemente também exerce funções de Direcção no referido Museu Municipal do Carregal do Sal.

Museu Soares de Albergaria

Noticiámos, numa das últimas edições do “Canas de Senhorim”, a publicação da sua dissertação de Mestrado “Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria – Carregal do Sal – Das origens à formação”. Como Director do Museu e autor da Dissertação qual a importância cientifica deste trabalho para o Museu?

Devo esclarecer que a execução deste trabalho é tão importante para o Museu como o é a ciência museológica para o estudo da história dos Museus, da sua função social, dos seus métodos de recolha e incorporação, da conservação das suas colecções e exposição, para além da inventariação, investigação, educação, difusão e organização.
Por outro lado, todos os verdadeiros museus têm uma missão científica a cumprir e que está implicitamente relacionada com uma das suas primordiais e principais funções que é a do estudo e investigação dos bens culturais que possui e que exibe aos seus públicos fornecendo os conhecimentos necessários à sua compreensão.
Por conseguinte a importância científica que esta Dissertação tem para o Museu é que ela representa ou constitui a fundamentação da sua existência como verdadeira Instituição Museológica.

Como começou a sua ligação com o Museu Municipal do Carregal do Sal?

A minha ligação ao Museu Municipal está associada ao estudo e investigação do património histórico e arqueológico do Concelho de Carregal do Sal, desde o ano de 2001. Foi um processo natural para o qual dediquei com imenso gosto e empenho todo o meu esforço e carinho, numa altura em que se acentuava ainda mais a consciência da necessidade de preservação do que era genuíno em termos do legado patrimonial no território do Município de Carregal do Sal e do qual hoje me orgulho e sinto fazer parte.

Deste período de trabalho no Museu quais os trabalhos de preservação patrimonial que gostaria de destacar? Que balanço faz dos 2 anos e meio de funcionamento do Museu?

Ao nível dos trabalhos de preservação e dinamização patrimonial muito se fez entre 2002 e 2008, valendo a pena destacar alguns, como foram os casos da criação dos três Circuitos Arqueológicos já conhecidos: Circuito Pré-Histórico Fiais/Azenha, na Freguesia de Oliveira do Conde que congrega o maior conjunto de monumentos megalíticos da nossa região; O Percurso Patrimonial das Cimalhinhas em Cabanas de Viriato que engloba monumentos da Época Romana e Medieval, devidamente musealizados e sinalizados e o Circuito Arqueológico da Cova da Moira, na Freguesia de Currelos, igualmente de temática romana e medieval, estando neste momento em vias de execução o 4º Percurso Patrimonial, na Freguesia de Beijós.
Por outro lado, criou-se o Núcleo Museológico do Lagar de Varas de Parada, logo após a abertura ao público do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria. Para além destes trabalhos de valorização, preservação e dinamização patrimonial, efectuou-se a 1ª e 2ª fase da carta arqueológica do concelho, cujos resultados foram publicados em livro, assim como de todos os Circuitos arqueológicos, estando neste momento em fase de execução a sua 3ª fase da carta arqueológica com mais de três dezenas de sítios arqueológicos inéditos descobertos até ao presente.
Em resumo, poder-se-á afirmar que se conseguiu musealizar cerca de 50% do património histórico-arqueológico do Município de Carregal do Sal criando-se as condições necessárias para ser visitado.
Quanto ao balanço de dois anos e meio de funcionamento do Museu, devo salientar, como seria de prever, que os resultados são claramente positivos, devendo-se muito a este êxito aos níveis de organização e funcionamento dos serviços que desde o seu início tinham sido devidamente implementados e para cujo processo não podem ficar esquecidos os contributos e esforços da Câmara Municipal, a qual apostou, em boa hora, na criação de um dignificante espaço museológico que hoje alberga o valiosíssimo espólio da herança cultural e histórica de todo o concelho. Desenvolveu-se um Museu que para além de cumprir todas as funções museológicas que lhe são exigidas, tem procurado corresponder de forma digna e responsável, às exigências do tempo presente, em que se inclui e destaca o evoluir das suas actividades culturais e educativas junto da comunidade escolar e público em geral, as regulares exposições temporárias mensais das quais já temos marcações efectuadas até Abril de 2010, o significativo aumento das visitas temáticas ou guiadas às suas exposições permanentes e ao património cultural do Município, cujos resultados continuarão, por certo, a traduzir-se no seu progressivo desenvolvimento. Em jeito de síntese criou-se um Museu polinucleado, em torno do qual foi possível concretizar os aspectos mais importantes que havia a esperar, que eram os de contribuir para o desenvolvimento social, cultural e turístico do concelho, assim como o de preservar e promover o legado histórico e identidade do Município de Carregal do Sal.

Que ligação existe entre o Museu e as escolas do Concelho do Carregal do Sal? São realizadas actividades formativas conjuntas?

A ligação do Museu com as Escolas do Concelho não podiam ser melhores, quer a nível da cooperação institucional, quer da colaboração indispensável para o fomento das actividades educativas pedagógicas e lúdicas, que regularmente vão sendo concretizadas de acordo com o Plano Anual de Actividades do Museu e dos Agrupamentos de Escolas do Concelho. O Museu promove, por sua vez, ateliers de pintura, escultura e arqueologia, para além de outras actividades culturais, no âmbito da sua função educativa (educação não formal), para além de proporcionar visitas temáticas de acordo com as solicitações dos professores e para as quais a Câmara Municipal disponibiliza os meios transporte sempre que estes sejam solicitados. Para reforçar este assunto, posso afirmar que a comunidade escolar constitui o público-alvo do Museu Municipal.

Sendo o Turismo um negócio do futuro que ligação existe ou pretende que venha a existir entre o Museu e o sector da Hotelaria e Turismo do concelho do Carregal do Sal e da Região?

A ligação do Museu ao turismo local, regional e nacional, já existe de forma programada e organizada, designadamente ao nível do Turismo Sénior com a fundação INATEL, cuja afluência de visitas ao Museu e Património Cultural do concelho tem sido oriundo de diversos pontos do País, incluindo Ilhas. O Município de Carregal do Sal tem potencialidades para o crescimento sustentado do turismo cultural organizado, mercê dos produtos turísticos que já tem para oferecer e dos que aguarda que venham a ser concretizados. Em resumo, o Museu desenvolve esforços para que esta tendência venha a crescer, tendo como finalidade contribuir para o desenvolvimento económico de todo o concelho.

No objecto social do Museu Municipal do Carregal do Sal têm cabimento parcerias com entidades de concelhos limítrofes (nomeadamente Juntas de Freguesia, Escolas ou Associações culturais) para a divulgação e sensibilização para o património?

O Museu Municipal de Carregal do Sal é uma Instituição Museológica aberta a todos os públicos, entidades ou instituições culturais que manifestem interesse em participar ou cooperar para a divulgação e sensibilização do Património. No entanto, não sendo uma entidade autónoma mas pertença da Câmara Municipal, pois dela depende administrativa e financeiramente, será um processo que pela natureza da dimensão que venha a alcançar, terá de ser previamente colocado à consideração da Edilidade.

Como estudioso da Museologia, e numa óptica da preservação do património cultural, qual o perfil de Museu que no seu entender melhor serve a preservação do património cultural no interior do país, um museu mais generalista (como o Soares de Albergaria) ou outro tipo com tendência para a especialização (como são os casos do “Museu do Vinho”, em Santar, ou o “Museu do Porco” em Mangualde, ambos em fase de projecto)?

Relativamente a este assunto, a minha opinião é muito simples. Todos os Municípios deveriam ter um Museu Municipal, de acordo com a realidade cultural e necessidades locais. Por outro lado, o enquadramento tipológico adviria ou corresponderia por sua vez, à natureza dos bens patrimoniais que viessem a estar na base da origem da formação do Museu (Arte, Arqueologia, História, Etnografia, Especializados ou Mistos), entre outros, pois ninguém é melhor conhecedor das realidades locais que os próprios Municípios. Os Museus Regionais têm um âmbito territorial mais alargado, sendo certo que, esta realidade, não representa totalmente as especificidades de cada Concelho.
No actual panorama museológico do país tem vindo a registar-se um crescimento considerável de Museus Municipais de estrutura polinucleada (sob tutela autárquica), o que poderá depreender-se que esta solução tenha sido a melhor forma encontrada para solucionar as questões ligadas à necessidade da preservação dos patrimónios locais in situ, assim como de aspectos de natureza temática ou funcional ou, ainda, de questões ligadas à melhor gestão de vários espaços museológicos locais que possam existir dentro de cada Município.
Tendo em conta o que foi dito, o caso do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria, de Carregal do Sal, de tipo generalista (ou misto), emergiu precisamente da identificação e análise de todos estes factores. Actualmente considera-se um Museu polinucleado porque gere o seu primeiro e recém criado Núcleo Museológico do Lagar de Varas da Freguesia de Parada e todos os monumentos musealizados do território do concelho, para além de poder vir a gerir outros núcleos que venham a ser criados em outras freguesias do Município.

Canas de Senhorim

Na edição de Novembro do “Canas de Senhorim” dedicámos algum espaço ao “vandalismo” arqueológico ocorrido na “Villa Romana do Fojo”, onde a construção de uma via integrada num loteamento causou evidente destruição. Do ponto de vista científico pode dar-nos uma ideia do que é está em causa com a destruição deste património?

A questão da destruição dos vestígios arqueológicos Romanos do Fojo é uma situação confrangedora que deixa incrédulo qualquer cidadão. As obrigações legais não se cumpriram! Não existem valores! Não há princípios! Também não é a primeira vez que situações desta natureza se têm verificado na Vila de Canas de Senhorim. A estação arqueológica das Lameiras (Antigo Fojo III- Estrada perto das piscinas) e a Estação Arqueológica do Fojo II (Área Norte do Bloco habitacional perto da Escola Primária do Fojo), para além da recém criada nova via do Passal/Casal, foram outras situações arrepiantes, quando na realidade bastava que pedissem o apoio de um arqueólogo ao IGESPAR, tendo como objectivo acompanhar as obras e assim efectuar os necessários registos da história daqueles Núcleos da Época Romana. Devo dizer que só há uma leitura única e se retira a informação pertinente quando se escava cientificamente. Uma vez consumada a destruição nada mais existe para contar, descrever, ou interpretar, a não ser, identificar os materiais arqueológicos fora do seu contexto original, sem cotas, sem imagens, sem registo, sem leituras estratigráficas, que constituíam os elementos essenciais e a informação crucial da identificação do sítio, com as prováveis cronologias.
Todos estes locais de interesse científico e patrimonial estavam inventariados e publicados em vários livros e edições, designadamente na conceituada revista Beira Alta (1998, Vol. LVII, nº 3 e 4); (1999, Vol. LVII, nº 1 e 2) e (2003, Vol. LXII, nº 3 e 4), como é do domínio público, razão válida para que se tivessem tomado todas as devidas precauções.
Não se pode continuar a trabalhar assim, sob pena de sermos todos cúmplices no apagamento da história local e regional. A Vila de Canas é potencialmente rica em vestígios arqueológicos do passado, praticamente de todas as épocas históricas e, o caso do Fojo deveria corresponder a um núcleo habitacional da Época Romana, pela quantidade de cerâmicas de construção (tegulae e Imbrices), cerâmicas domésticas de uso comum e da quantidade de pedras que foram removidas das estruturas arqueológicas ali existentes. Lembro também que o mesmo sucedeu com a destruição das casas velhas do Casal, junto à Capela de S. Caetano e do local da construção da Escola Primária do Fojo! Caso para desabafar e gritar “Canas Romano! Para onde vais!
Para minimizar e travar o prosseguimento desta situação de apagamento das nossas ancestrais e identitárias raízes, deveria ser feita, urgentemente, uma escavação arqueológica de emergência na área contígua à destruição, correspondente aos terrenos que ainda não foram mexidos ou removidos para reconstituição da história e que tudo leva a crer, darem continuidade ao prolongamento das estruturas anteriormente destruídas, assunto que cabe desenvolver e requerer inteiramente às entidades envolvidas em todo este processo de obras.
Em resumo, o que está em causa com a destruição destes testemunhos do passado é precisamente o facto de sabermos que este tipo de procedimentos assim a continuar, anularão e impedirão sempre o acesso ao conhecimento do passado da história local, cujas fontes documentais poderiam contribuir para a construção da história do território do concelho e da nossa região. Todos ficámos mais pobres!

No actual contexto da “Villa Romana do Fojo” que tipo de estudos entende serem necessários para salvaguardar o património existente e desenvolver o conhecimento sobre esta estação romana? Em que é que se poderão distinguir ou assemelhar aos trabalhos já realizados neste local?

Como já referi, deve ser iniciado um processo de escavação e investigação científica tendo já por base os estudos e conhecimento dos trabalhos de levantamento e inventariação já efectuados, tendo em vista efectuar a interpretação das restantes estruturas arqueológicas que se prolongam, como tudo indica, para os terrenos contíguos do lado norte do loteamento e ao lado do muro da Escola até à palheira ali existente. Para validar esta afirmação basta observar a quantidade de espólio romano de recolhas de superfície por mim depositado na Sala-Museu, devidamente identificado e catalogado com registo da sua própria localização e proveniência, sendo testemunha deste acto e que em muito me ajudou e colaborou de forma constante, o nosso conterrâneo Horácio Peixoto.

A exemplo de outros conterrâneos, como é o caso do Sr. Horácio Peixoto, tem estado ligado à pesquisa, preservação e divulgação do património arqueológico na nossa freguesia. Na sua opinião quais deveriam ser as principais áreas de estudo a apostar no património identificado na freguesia de Canas de Senhorim? Que lacunas são identificáveis?

As principais áreas de estudo, para além de recaírem com a máxima urgência para o salvamento do que resta no Fojo, deveriam incidir para a inicio das escavações arqueológicas nas áreas dos núcleos romanos do Freixieiro, quando actualmente se sabe que são terrenos urbanos e que vão certamente dar lugar a mais construções. A este respeito já houve uma sondagem arqueológica na zona da Laje do Quarto, executada pela Dra. Ivone Pedro e eu próprio, aprovada na altura pelo IPA, tendo-se como resultado, o conhecimento de que uma parte daquela área envolvente poderá corresponder ao principal Núcleo Romano, seguido do Casal, Fojo e Centro da Vila (zona classificada e envolvente do Pelourinho).
Por outro lado, tendo-se conhecimento das potencialidades de todo o património cultural da Vila de Canas de Senhorim, designadamente os Túmulos Rupestres das Pedras da Forca, Amieiro e Casal, assim como a Orca das Pramelas, entre outros sítios, deveria ser criado um Percurso Patrimonial, com a sinalética adequada e painéis explicativos, uma vez que a própria Orca das Pramelas já foi valorizada e musealizada, cujo processo foi aprovado, na altura pelo IPPAR, actualmente IGESPAR, sendo eu próprio, na altura, o responsável pelos trabalhos de valorização da mesma, nos quais a Junta de Freguesia colaborou, tendo disponibilizado os seus funcionários.

O espólio de cerca de 20 anos de trabalhos arqueológicos em Canas de Senhorim encontra abrigo na Sala-Museu da Associação para o Estudo Arqueológico da Bacia do Mondego (EAM). Qual a sua opinião sobre a divulgação deste espólio junto da Comunidade em e da Região em geral? Acha que os poderes públicos andam “distraídos” sobre o potencial histórico-cultural do trabalho já efectuado em Canas e na região?

Sobre esta matéria devo afirmar que tudo o que está feito foi um trabalho pioneiro e de grande mérito para todos aqueles que arduamente ajudaram a construir a realidade presente e à qual não pode deixar de estar implicitamente associada, para além de muitos Canenses, a figura do Professor Doutor João Carlos de Senna Martinez e os sucessivos responsáveis pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim, os quais sempre contribuíram para melhorar a situação.
Porém o problema da letargia da Sala-Museu e da falta de meios de divulgação do seu riquíssimo espólio arqueológico e da Instituição que o alberga, assim como a falta do seu normal funcionamento e regular acesso público não é uma questão que possa ser imputada nem aos anteriores nem aos actuais responsáveis. Trata-se de uma questão meramente estrutural e orgânica que só poderá ser resolvida quando alguma entidade pública ou privada assumir por inteiro a sua tutela.

Que meios, no seu entender, deveriam ser disponibilizados à EAM para que fosse possível tornar realidade o tão ambicionado “Museu Regional de Arqueologia”? A iniciativa deveria caber à Administração local ou central?

Quanto a esta questão todas as soluções são possíveis desde que se encontre definitivamente uma única entidade responsável pelos destinos da futura Instituição Museológica, tanto no que diz respeito à posse definitiva do espólio como ao Edifício que o irá albergar e incorporar.

Uma das mais antigas aspirações dos canenses é a criação de um Casa da Cultura. No seu entender qual a importância deste ideia? Acha que este projecto pode acolher um futuro Museu de Arqueologia?

A criação de uma instituição cultural para Canas de Senhorim é, e será sempre, bem-vinda e claramente desejada. Por seu lado, sendo uma casa de cultura, ela poderá ser multifacetada mas não constitui, na minha opinião, a melhor solução para albergar um futuro Museu com aspirações tão abrangentes. Este meu pensamento não significa que esteja contra a ideia em apreço! Vale mais existir e prestar os necessários contributos de desenvolvimento cultural, de promoção do turismo e identidade local do que não existir! Sei que actualmente os cortes orçamentais afectam consideravelmente na generalidade as próprias instituições museológicas já há muito existentes. Terá depois a casa da cultura verba para sustentar um Museu? É que uma entidade Museológica, não será só meter os objectos dentro das vitrinas e exibi-los para encher os olhos ao público, têm de se cumprir todas as funções museológicas, não podendo estas ser remetidas para segundo plano.
Entretanto, não pode deixar de ser considerado que outra solução plausível para a sobrevivência da actual Sala-Museu e transformação em Museu, seja a de, necessariamente, ter de passar pela intervenção activa da Câmara Municipal de Nelas. Veja-se o exemplo de Carregal do Sal e das tendências a nível nacional quanto à criação de novos Museus. O aumento é de Museus Municipais de estrutura polinucleada, o que permite ao Museu Sede, gerir vários espaços Museológicos dispersos pelas Freguesias do Concelho, sob tutela autárquica. Um Museu para ser uma verdadeira Instituição Museológica tem que ter funcionamento permanente e cumprir todas as funções que lhe são exigidas, não podendo estar limitado ao sabor dos horários de uma casa de cultura, a menos que esta abra diariamente as suas portas ao público e não apenas só para quando existam eventos. Nesse caso estaríamos em presença da mesma situação em que vive a actual Sala-Museu de Arqueologia. Um Museu, tal como disse, não serve apenas para expor colecções permanentes, pois se isso acontecer, tem os dias contados, podendo-se esperar que vai redundar num museu armazém ou sepulcral, em que os potenciais visitantes só lá irão uma vez. Tem de ser forçosamente uma entidade dinâmica que preste um bom serviço público com as suas actividades culturais, das quais não se pode esquecer a educativa.

Urgeiriça

Antes de seguir com os seus estudos em História e da Arqueologia sei que foi funcionário da Empresa Nacional de Urânio. Como vê o projecto da EDM de criar um espaço museológico sobre as Minas da Urgeiriça, no antigo balneário (com abertura prevista para 2012)? O que é conhece do projecto?

Não conheço o projecto mas pela informação que me está a dar será um museu de empresa, naturalmente da EDM., o que significa que terá um futuro promissor e garantido. Tanto quanto me apercebo, e se diz que é no balneário da Urgeiriça, isso dir-me-á que o Museu será na Casa do Guincho. Assim sendo estamos perante um Museu de Sítio em que as próprias máquinas não saíram do seu local original. Trata-se de uma ideia brilhante e que todos devemos apoiar. Pena que não tivesse acontecido o mesmo com a antiga Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos que constituiria, nos dias de hoje, um dos maiores Museus Industriais do nosso País, que traria inúmeros turistas ao nosso concelho e a toda a região.

Por último, e agradecendo a sua disponibilidade, pedia-lhe que deixasse uma mensagem aos leitores sobre a importância da preservação do património cultural.

Creio que ao longo desta entrevista nos fomos apercebendo do significado que tem para todos nós a preservação do Património Cultural e do que ele representa em termos de identidade, de valores, de afectos, de memórias, de fazeres e sentires que são transmitidos de geração em geração e que nós, enquanto seres civilizados, nele nos revemos e temos a obrigação de o perpetuar. Temos que ter presente que somos o resultado de uma evolução consciente que foi gerada ao longo dos tempos em que o presente se constitui com o apelo e interligação ao passado que é pertença e factor de sobrevivência cultural de todos nós. São com estes bens culturais ou herança patrimonial que nos identificamos e perante a qual temos a obrigação de deixar marcas positivas do cantinho onde vivemos.


Gentilmente cedida pelo amigo Manuel Henriques

5 comentários:

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