O portal de Canas de Senhorim
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março 19, 2010

Tese de doutoramento de eurodeputada do BE recebe nota máxima

A eurodeputada Marisa Matias doutorou-se hoje com distinção e louvor, a nota máxima, na Universidade de Coimbra (UC), defendendo uma tese em que analisa as relações entre ambiente, saúde e sustentabilidade, num contexto de protestos públicos.
Intitulada «A Natureza farta de nós? Ambiente, saúde e formas emergentes de cidadania», a dissertação de doutoramento da socióloga é dedicada à «análise das relações entre saúde, ambiente e sustentabilidade, sobretudo através da sua performação em situações de controvérsia pública».

A tese «lida com a relação entre saúde e ambiente e a forma com uma boa parte dos problemas ambientais em que há protestos têm a ver com problemas de saúde», disse à agência Lusa o professor de Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra João Arriscado Nunes, que orientou o trabalho científico da eurodeputada do Bloco de Esquerda.

De acordo com a tese, «os protestos surgem porque as pessoas se preocupam com a forma como os problemas ambientais se transformam em problemas de saúde».

Segundo João Arriscado Nunes, a socióloga «analisou um conjunto de casos que permitem mostrar a relação entre os problemas de saúde e os problemas ambientais, que, muitas vezes, são revelados por movimentos de protesto».

Entre os casos estudados pela investigadora do Centro de Estudos Sociais da UC figuram a contaminação radioativa causada pelas minas da Urgeiriça (Nelas), o passivo ambiental de Souselas (Coimbra) e a decisão da União Europeia de exportar pneus reformados para o Brasil.

«A tese representa um avanço importante na compreensão teórica e concetual da relação entre problemas ambientais e problemas de saúde e também na compreensão da importância de uma cidadania ativa, através da mobilização coletiva», sustentou João Arriscado Nunes.

Nas provas públicas, que decorreram hoje à tarde na Sala dos Capelos da UC, o júri integrava ainda Maria Eduarda Gonçalves (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), Boaventura de Sousa Santos (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) e Peter Taylor (EUA).

O eurodeputado do BE Miguel Portas e o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, foram alguns dos que assistiram ao ato solene, em que estiveram também presentes numerosos docentes e investigadores, sobretudo do Centro de Estudos Sociais (CES).

Lusa / SOL

fevereiro 22, 2010

©efeneto.com ... Bruno Daniel

Vi-o nascer para o futebol. Foi em 2006 no “Desportivo”. É sempre bom ver um jovem nascer para o futebol, independente se ele vingará como Messi ou se naufragará como Freddy Adu. O que interessa é que está a seguir o rumo que escolheu. O gosto de fazer o que escolheu. Cada ano é um salto, cada salto uma vitória, cada vitória o desejo de outra. “O futebol é divertido”, é sim senhor. Ou melhor, deve ser sim senhor. É este o espírito com que este rapaz encara os jogos. Eis o rapaz, Bruno Daniel, este ano a representar o Lusitano de Vildemoinhos no escalão de Iniciados.
efeneto - Começas-te no GDR Canas de Senhorim e neste momento estás no Lusitano de Vildemoinhos. Conta-nos como começaste a jogar futebol?
Bruno Daniel R Silva – Comecei a jogar com 10 anos quando o Canas de Senhorim abriu o escalão de infantis.

efeneto - Jogas em que posição e quais são as tuas principais características do teu ponto de vista?
Bruno Daniel R Silva – Jogo como médio defensivo e, no meu entender as minhas principais características são a visão de jogo.

efeneto - Que recordações guardas do tempo em que jogavas no GDR Canas de Senhorim visto que passas-te pelos escalões de Infantis e Iniciados?
Bruno Daniel R Silva – Guardo boas recordações pois foi neste clube que comecei a jogar.

efeneto - Ao representares o Lusitano estás a jogar no Campeonato Nacional. Qual a sensação de participar no Nacional de Iniciados e no teu entender que diferenças existe entre o Distrital e o Nacional?
Bruno Daniel R Silva – É muito diferente jogar no nacional, é um futebol mais duro com mais ritmo de jogo e adversários mais fortes.

efeneto - Neste momento és um dos jogadores titulares da Selecção de Viseu de Iniciados. Como tem sido a experiencia e a adaptação de se jogar com jogadores de diversos clubes?
Bruno Daniel R Silva – Para mim o ter sido chamado a selecção foi um prémio do meu trabalho. É mais difícil jogar com jogadores de outros clubes porque não jogamos com eles todos os dias mas, até agora tenho tido uma boa adaptação.

efeneto – Para o ano irás subir de escalão para os Juvenis. Sendo jogador do GDR Canas de Senhorim irás representar o clube ou pedir novamente a saída?
Bruno Daniel R Silva – No final da época se verá.

efeneto - Em termos pessoas quais são as tuas maiores ambições? Sonhas ser jogador profissional?
Bruno Daniel R Silva – Qualquer jogador que goste de jogar sonha em ser profissional, embora alguns consigam lá chegar. Quanto a mim vou esforçar-me para chegar ao mais longe possível. Com a consciência de que o futebol não é tudo na vida.

efeneto – Na tua idade além do futebol deve ser prioridade das prioridades a vida escolar. Tens tido bons resultados na escola?
Bruno Daniel R Silva – Não é fácil conciliar 3 treinos por semana que terminam tarde com os estudos mas até agora tenho conseguido bons resultados.

efeneto – Por certo estás atento ao futebol nacional e internacional. Qual para ti neste momento a melhor equipa portuguesa? E estrangeira?
Bruno Daniel R Silva – Para mim a melhor equipa portuguesa é o Porto e estrangeira Barcelona.

efeneto – Para terminar deixo-te aqui o desafio de constituíres a tua Selecção Nacional.
Bruno Daniel R Silva – Eduardo, Miguel, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Boswingua, Pepe, Raul Meireles, João Moutinho, Cristiano Ronaldo, Quaresma, Liedson

novembro 24, 2009

Ana Isabel Bébé...

Ter uma boa amizade, baseada no respeito mútuo e na solidariedade, faz muito bem à saúde. Isso porque as relações sociais ajudam a superar as dificuldades da vida. Foi com este espírito que se viveu e conviveu no aniversário da Ana Isabel. Para além do “cozido” houve a tal amizade, solidariedade e principalmente respeito mútuo. Amiga Ana, para o ano já sabes…

outubro 29, 2009

O "nosso" Pescador

efeneto - Quando aprendeu a pescar?
Marco Gomes - A sério a sério foi mesmo este ano.

efeneto - Almoçou hoje uma refeição de peixe?
Marco Gomes – Não, por acaso não.
efeneto- De onde lhe surgiu esse seu gosto pela pesca?
Marco Gomes - Desde pequeno que o meu pai me levava com ele.

efeneto- Como pescador tem preferência por alguma espécie em particular?
Marco Gomes – Tenho, carpas grandes.

efeneto- Com que regularidade vai à pesca?
Marco Gomes - Sempre que posso, depende muito do tempo.

efeneto- Se a sua casa se incendiasse, salvaria primeiro o equipamento de pesca?
Marco Gomes - Não o tenho em casa...

efeneto- Pesca nocturna. Já pescou á noite? Qual a diferença?
Marco Gomes - sim várias vezes...a carpa grande durante o dia mantém se em águas mais profundas e durante a noite tem a tendência subir mais a borda. Mas tem muita coisa que se lhe diga, muitos segredos.

efeneto- Que diferença existe entre um pescador de barragem, normalmente água doce, e de alto mar, água salgada?
Marco Gomes – Diferença? Em tudo, desde o peixe, ao isco, e ao material que se usa.

efeneto- Tem muitos companheiros com quem vai pescar?
Marco Gomes - Alguns 2 ou 3 com mais frequência.

efeneto- Se lhe pedissem para escrever sobre pesca qual o tema que escolheria?
Marco Gomes - carpfisching.

efeneto- Costuma desejar uma boa pesca a um companheiro?, A sério ou a brincar?
Marco Gomes – Sim, sempre. Quem tem o gosto pela pesca na tem inveja e deita sempre uma mão quando é preciso e dá umas dicas.

efeneto- Já teve problemas com um pescador vizinho?
Marco Gomes - Não

efeneto- Corta o rabo aos peixes, segundo a lei?
Marco Gomes - Não a conheço.

efeneto- Que opinião tem das novas regras para a pesca lúdica?
Marco Gomes - Nunca as estudei tento pescar só peixe grande.

efeneto- Mas tem que cumprir com a lei quando pesca, ou não cumpre?
Marco Gomes – Sim, cumpro incluindo a pesca a noite.

efeneto- Considera-se um grande pescador?
Marco Gomes – Não, sei algumas coisas.

efeneto- Ir á pesca relaxa e faz bem á mente! É verdade?
Marco Gomes - Verdade verdadeira.

efeneto – Que conselhos daria aos jovens pescadores em iniciação?
Marco Gomes - Eu comecei com pesca normal, ia para o rio pescar qualquer coisa, agora tenho me dedicado a carpa grande. Não sujem o rio e devolvam as carpas ou qualquer outro peixe pequeno ao sei habitat. Demoram anos a crescer. Devolve-se hoje, pode ser que para o ano seguinte a volte a pescar novamente e é uma sensação brutal.

agosto 01, 2009

Antonio Minhoto na A.R.

Fontelo/2 de Agosto
BE apresenta António Minhoto, candidato à AR por Viseu

Com a Presença de Francisco Louçã, será apresentada este Domingo às 16h no Fontelo (em frente às piscinas municipais)o Cabeça de Lista à Assembleia da República por Viseu, António Minhoto.

"Estamos a viver uma crise sem precedentes, consequências dos erros políticos cometidos pelos partidos que têm governado o país. Não é possível continuar a assobiar para o lado. É urgente uma política que responda às necessidades das pessoas, e isso passa por uma esquerda socialista de confiança.Contamos com tod@s nesta alternativa! " in BE-Viseu

Retrato de António Minhoto:

Às sete da manhã, uma hora mais tarde na época baixa, o dia está a começar para António Minhoto. Em poucos minutos percorre de carro os escassos quilómetros que separam a sua casa, à saída de Nelas, do Quiosque Sombrinha, um café-pastelaria nas termas de Caldas da Felgueira.

O caminho é sempre a descer até à margem da ribeira do Pantanha, a um pulo do Mondego, muitas vezes mergulhada em espesso nevoeiro. Mas isso pouco lhe importa, pois Minhoto não é homem para se preocupar com detalhes. São muitas as horas do seu dia de trabalho, preenchidas a atender clientes e a gerir o negócio, que explora desde 1990 com a mulher. "Foi a única saída que encontrei depois de ter sido obrigado a aceitar o despedimento da Empresa Nacional de Urânio [ENU] em 1989. É o meu ganha-pão para sustentar a família com menos dificuldades", explica.

Nada do que ficou dito o distingue especialmente de tantos outros pequenos empresários. Mas António Minhoto, de 56 anos, nascido em Nelas, casado e pai de duas filhas já adultas, é um empresário diferente. Começou a trabalhar muito cedo, foi a maior parte da vida um "trabalhador indiferenciado" - a expressão é sua - e é hoje um homem bem-sucedido com uma actividade absorvente.
No entanto, isso não o faz esquecer a situação dos antigos companheiros de trabalho na mineração. Ele tem sido o rosto mais visível de uma luta que travam há vários anos para ver reconhecidos direitos que consideram legítimos e um acompanhamento médico permanente - esta reivindicação já foi atendida pelo Ministério da Saúde -, a par da exigência de recuperação ambiental de todas as minas abandonadas quando a exploração de urânio terminou em Portugal.
Um homem de causas

O último episódio deste processo, a que António Minhoto se tem dedicado incansavelmente, decorre hoje em Nisa, onde a Comissão de ex-Trabalhadores da ENU promove uma tribuna cívica para "julgar" as consequências da exploração de urânio em Portugal.

A intervenção cívica ocupa um lugar relevante no currículo de António Minhoto, que se define como "um homem de causas". Fez parte da Comissão de Trabalhadores da ENU e foi delegado sindical, integrou a comissão de segurança da empresa e foi presidente da respectiva casa de pessoal. Envolveu-se na causa pela criação do concelho de Canas de Senhorim e esteve ao lado dos que se opuseram ao encerramento do Centro de Saúde de Nelas. Depois do 25 de Abril, militou na UDP e no Bloco de Esquerda. Hoje diz-se partidariamente descomprometido.

Já depois do encerramento da ENU, cria em 2002 a associação Ambiente em Zonas Uraníferas. A partir dessa data a intervenção do antigo trabalhador do urânio torna-se mais sistemática e persistente, trazendo para as páginas dos jornais e ecrãs das televisões a realidade complexa, e por vezes dramática, dos ex-camaradas.

A combatividade de que Minhoto dá provas na intervenção cívica manifestou-se muito cedo na sua vida. Filho de uma numerosa família - oito irmãos - de trabalhadores rurais muito pobres, teve de começar aos 12 anos a ajudar os seus. "O meu primeiro emprego foi numa empresa vinícola de Nelas. Ganhava 35 escudos por mês [cerca de 18 cêntimos de euro] a acartar madeira às costas. Os meus problemas de coluna começaram aí", recorda.

"Como uma facada"

António Minhoto foi ganhar mais dez escudos noutra empresa de vinhos, mas continuou a engraxar sapatos junto à Pensão Mangas, em Nelas. Em 1971 trocou tudo isso pelas Minas da Panasqueira. Resistiu um ano a viver em camarata e mudou de cenário - deste vez a Linha do Oeste, onde participou nos trabalhos de limpeza de via.

Aos 20 anos vem a tropa e o conhecimento dos que contribuíram para a sua politização. Só o pedido insistente da mãe o impediu de desertar, acabando com a especialidade de motorista em Luanda, onde assiste à queda do regime salazarista-caetanista em 1974. Entra para os quadros da ENU em 1976, onde faz de tudo nos 13 anos seguintes.

A saída da empresa foi difícil. "Nos primeiros anos nem conseguia vir aqui", diz com um gesto largo para designar o local de trabalho na Urgeiriça, a casa no bairro operário onde viveu nove anos, a antiga cantina, a casa do pessoal. "Chocava-me ver as coisas degradarem-se, era como uma facada. Agora já estou vacinado".

O seu percurso não deixa ninguém indiferente. Os que não partilham as suas ideias reconhecem-lhe as qualidades de "lutador". É essa a opinião de Luís Ribeiro, membro da Comissão Concelhia de Nelas do PSD.

Adelino Borges, presidente da concelhia socialista, reconhece ter "alguma admiração e amizade" por ele: "A sua qualidade mais positiva é o espírito de militância e a forma como defende as suas opiniões." Francisco Paula, administrador de uma cadeia local de supermercados, conhece Minhoto há 30 anos: "Admiro a sua persistência e a capacidade de mobilização dos colegas e dos media."

Os que lhe estão próximos não poupam elogios. Joaquim Silva, administrador de uma empresa comercial, andou com Minhoto na escola: "Fez um grande trabalho no concelho e se o pessoal da Urgeiriça tem alguma coisa é porque ele trabalhou para isso." João Marques, segundo-comandante dos bombeiros de Canas de Senhorim e antigo trabalhador da ENU, recorda um episódio elucidativo da sua coragem e capacidade de liderança: "Alguém tentou furar uma greve e o Minhoto desligou a máquina. Foi punido com 15 dias de suspensão e muitos trabalhadores quotizaram-se para lhe pagar os dias de salário." Texto de Carlos Pessoa, Público, 19-10-2009
M. Daniel Nicola
Viseu-Esquerda BL

junho 29, 2009

“Escuteiro não se foi… é-se toda a vida”.


efeneto - Como é que chegou a chefe do agrupamento 604?
A Matias - A antiga Chefe de Agrupamento, Piedade Henriques, abandonou o movimento por motivos de saúde e de algum cansaço. Durante algum tempo a Patrícia Santos assumiu interinamente o cargo, porque era na altura Chefe de Agrupamento Adjunta. Foi aberto um processo eleitoral, eu concorri e fui eleito (são eleitores todos os chefes do agrupamento e os caminheiros investidos).

efeneto - Quais são as tarefas do chefe do agrupamento?
A Matias - Basicamente coordenar os dirigentes nas secções, coordenar a organização administrativa e financeira, estabelecer contactos com entidades exteriores, organizar a logística, angariar apoios junto de particulares, empresas e instituições. O Chefe de Agrupamento não deve, sempre que isso for possível, estar à frente de nenhuma secção e é isso que tento fazer.
efeneto - Qual é o “momento solene” de um escuteiro?
A Matias - É sem dúvida a promessa onde prometemos pela “nossa honra…”
efeneto - O que é que o escutismo trouxe à sua vida?
A Matias - Vincou o significado de palavras como: honra, lealdade e fraternidade. Atrevo-me mesmo a dizer que o escutismo não trouxe muito à minha vida… ele é a minha vida á 30 anos.
efeneto - Se transferirmos para o sistema de ensino alguns dos métodos escutistas, hoje a escola estaria melhor?
A Matias - Não tenho grande formação em pedagogia, mas um sistema que funciona á mais de 100 anos sem alterar as bases em que foi criado tem que ser bom. Ao longo do tempo foi sofrendo adaptações aos novos tempos, mas a base manteve-se: delegar responsabilidades nas crianças e jovens (cada secção é dividida em pequenos grupos de 4 a 8 elementos “chefiados” por um deles e são eles que tomam a maior parte das decisões, limitando-se o chefe a ser o “árbitro”, evitar excessos)
efeneto - Baden-powell disse aos escuteiros: “procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes.” Qual é o seu sentimento para quando se aproximar o momento de deixar o movimento escutista?
A Matias - “Escuteiro não se foi… é-se toda a vida”. O verdadeiro escuteiro não abandona o Movimento Escutista. Pode deixar de ter tempo ou condições para continuar no activo de agrupamento, mas continuará a ser escuteiro.
A hora de abandonar o agrupamento não me preocupa muito. Consegui, com a ajuda de uma grande e dedicada equipa, quase tudo aquilo a que me propus para o 604: viatura própria, equipamento, sede digna e um parque de actividades escutistas (a ser construído brevemente por uma entidade de direito privado). Consegui deixar o 604 um pouco melhor do que o encontrei, por isso quando chegar a minha vez de partir posso partir feliz com a certeza que cumpri o meu dever.
efeneto - Mudando agora mais para o agrupamento que dirige, quantos elementos existem actualmente no agrupamento?
A Matias - No censo referente a 1 de Janeiro de 2009 estavam recenseados 71 elementos.
efeneto - De onde provêm os fundos necessários para as actividades do agrupamento?
A Matias - De actividades de angariação de fundos (calendários, rifas, etc.), de algumas (poucas) entidades oficiais locais, de pessoas, empresas e entidades privadas nossas amigas, do bolso dos pais e muitas vezes também do bolso dos dirigentes do Agrupamento.
efeneto – A cedência por parte de várias entidades de uma sede é uma mais valia para o Agrupamento. Resuma aqui todo este processo até á leitura do protocolo?
A Matias - É um processo longo e com muitos avanços e recuos, altos e baixos e algumas desilusões e dissabores á mistura. O importante é que chegou a bom porto e permite ao Agrupamento o usufruto de instalações dignas nos próximos 30 anos.
efeneto - Quais são as principais actividades desenvolvidas pelos escuteiros?
A Matias - Actividades de vida ao ar livre (campismo, montanhismo, etc), de serviço ao próximo (participação em campanhas da Liga Portuguesa contra o Cancro, Caritas, etc), actividades de protecção ambiental (vigilância florestal, limpeza de espaços, etc), actividades culturais.
efeneto - O agrupamento 604 tem escuteiros não-católicos?
A Matias - “O CNE afirma-se movimento da Igreja Católica” (nº1, Artº2º dos Estatutos do CNE). De acordo com os estatutos os agrupamentos do CNE não podem aceitar elementos não católicos.
efeneto - Quais são as principais dificuldades que o agrupamento enfrenta?
A Matias - Ainda algumas carências de material e pessoal adulto devidamente qualificado em número suficiente.
efeneto - A grande ideia formulada por baden-powell era a criação de uma fraternidade mundial escutista, onde os escuteiros seriam “embaixadores da amizade, que se dedicassem a criar amigos e a abater as barreiras erguidas pela cor, credo e classe social”. Seguindo esta filosofia porque existe o CNE (Corpo Nacional de Escutas) e a AEP (Associação Escoteiros de Portugal)?
A Matias - O CNE é uma organização escutista católica e a AEP é uma organização escotista sem confissão religiosa, no entanto perante a World Organization of the Scout Movement (Organização Mundial do Movimento Escutas) Portugal é representado pela FEP (Federação Escu(o)tista de Portugal) que agrega as duas anteriores em respeito pela filosofia imposta pelo Fundador: um País, uma Associação.
Esta federação é o interlocutor perante as instâncias escutistas Europeia e Mundial e organiza os Contingentes Portugueses (com chefias alternadas) a actividades internacionais.
Há países com quatro, cinco, dez associações mas sempre uma “organização” supra associações que as congrega a todas.
Sou coleccionador de objectos escutistas e isso leva-me a compreender ainda melhor esta fraternidade mundial. Troco objectos com escuteiros de todo o mundo, o que me fez, no último ano falar com escuteiros de Espanha, Itália, Brasil, México, Argentina, Hong Kong, China, Canadá, Líbia, Coreia, Japão. A falar em Português, num Espanhol péssimo ou num Inglês ainda pior conseguimos trocar aquilo que cada um pretende e arranjamos mais um amigo do outro lado do Mundo. Temos sempre uma certeza: do outro lado está um escuteiro com os mesmos princípios que nós e por isso podemos confiar nele.
efeneto - A nível mais geral que papel poderá ter o movimento escutista nacional no desenvolvimento do movimento escutista nos países de língua oficial portuguesa?
A Matias - O CNE colabora desde longa data com todos os países de língua oficial Portuguesa no renascimento das associações locais, na cedência de fardamento, equipamento e literatura escutista, na formação de quadros dirigentes das respectivas associações, no intercâmbio de experiências em actividades, na ajuda à participação em actividades internacionais, etc. O CNE está, muito antes das autoridades do País, a cumprir o seu papel de irmão, nas associações escutistas dos PALOP.
efeneto - Que desafios prevê para o futuro do escutismo mundial?
A Matias - Adaptar-se aos tempos modernos para que possa continuar a educar a juventude mundial durante pelo menos mais 100 anos.
efeneto - Quer deixar uma mensagem para os escuteiros de hoje?
A Matias - Só me ocorre a que recebi de Baden Powell: “procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes.

maio 09, 2009

O "nosso" Chefe de Cozinha


Na apresentação dos novos vinhos brancos, a Dão Sul – Global Wines realizou um jantar vínico, para o qual foram convidados alguns dos melhores Chef’s de cozinha portugueses – Vítor Sobral, José Júlio Vintém, Bertílio Gomes e Diogo Rocha (este último natural da vila de Canas de Senhorim e que trabalha actualmente no grupo Global Wines)

Durante o jantar vínico em que a Dão-Sul - Global Wines apresentou novos vinhos, os Chef's Vítor Sobral, José Júlio Vintém, Bertílio Gomes e Diogo Rocha fizeram desfilar iguarias com base em peixes e outras jóias dos mares. A apresentação previa vinhos brancos apenas e a noite correu, lenta e elegante, ao som de violoncelo e violino na degustação de pratos de requinte absoluto.
Só de exemplo, refiram-se as excelentes entradas de Petinga Albardada (José Júlio Vintém), Mimo de Ostras (Bertílio Gomes), Alhada de Camarão (Víctor Sobral) e Polvo de Meio Fumo (Diogo Rocha)..

março 02, 2009

Velhos tempos de escola...


janeiro 28, 2009

O nosso ORGULHO

2 esperanças do futebol canense residem na Urgeiriça. Foram pré-selecionados para a selecção de sub-14 da A: F. Viseu. Parabéns e BOA SORTE.
André Neto Daniel Silva
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O 1º treino do nosso "miudo"

janeiro 20, 2009


Olá pessoal da urgeiriça quando vi este blogue tive vontade de chorar de saudades e de alegria pois sao muitas e boas as recordaçoes de verões que ai passei,tardes de alegria no bar da casa do pessoal, sou neta do falecido Boaventura Castela, sobrinha do Tó Castela e do Victor e tive ai bons amigos com quem ri e brinquei e aprendi a crescer já á muitos anos que ai não vou mas penso nesse lugar com muita frequencia e em todos os amigos que ai tinha o Luis Carlos(filho do pirolito) os irmãos Moitas (o Pedro e o Victor), o Xandi,o irmão dele o Dado,irmã deles,a Claudia (a Lala),os filhos da Gracinha Pereira e outros que agora não menciono pois a mensagem esta a ficar enorme. Gostaria de ter contacto com eles novamente se alguem me quiser contactar deixe aqui mensagem.
Lucinda Castela

lucindacastela@gmail.com

janeiro 09, 2009

Entrevista ao Padre Nuno

Ser padre é ser abençoado e verdadeiramente escolhido por Deus. Sem dúvida nenhuma, somente alguém que tem Deus ao seu lado é capaz de realizar tantos feitos como celebrar a Eucaristia, pregar o Evangelho, acolher os pecadores, orientar e acompanhar como somente um pai pode fazer. Um pai espiritual dado pelo Senhor para nos guiar no caminho da salvação. Ser padre não é uma tarefa fácil! Deixar tudo é entregar-se completamente nas mãos do Senhor pede vocação, força e fé. Muita fé. O padre é um ser humano sujeito a tentações, fraquezas e também emoções e sentimentos. É claro que, em alguns casos, nem sempre os limites humanos são superados, mas a graça divina e a oração constante são a melhor ajuda para os momentos de dificuldade. O padre precisa de nós tanto quanto nós dele. Precisa do nosso apoio, colaboração e compreensão; precisa do nosso amor, da nossa amizade e de nossas orações. Precisa que rezemos pedindo que Deus o santifique, ampare e console nos instantes de fraqueza. Quero aqui publicamente agradecer ao Padre Nuno a disponibilidade e entrega dada a esta entrevista.


efeneto - Atendendo à sua idade, poderemos dizer que é um jovem padre e um padre jovem mas tem certamente já algo a relatar do passado. Sempre dedicado à causa Cristã? É padre por opção, por influência familiar, ou outras?

Padre Nuno - Como todos os jovens gosto de desafios, julgo que ser padre é um grande desafio. Fui educado para a liberdade, por um ambiente familiar harmonioso, apesar de plural (entre os + crentes e - crentes), desde pequeno senti um fascino especial pela Igreja, sempre participei na vida da minha paróquia e um apelo interior crescente “vem e segue-Me”... tudo isto contribuiu, mas quem chamou foi Deus!

efeneto - Sabendo que tinha vocação e vontade de ser Padre, com que idade pensou realizar o seu sonho?

Padre Nuno - Ainda continuo a descobrir hoje a minha vocação, e espero assim continuar, mas a decisão foi tomada aos 25 anos e a ordenação aos 27 anos.

efeneto - Onde realizou os seus estudos?

Padre Nuno - Com 29 anos continuo a estudar, penso que já ando à 23 anos na ‘escola’, onde as oportunidades de aprendizagem foram imensas, tive grandes mestres na ‘arte do ensinar’, ganhei importantes amigos e enfim, muito gosto em me sentir um aprendiz. Frequentei a escola primária da minha aldeia (Vila Mendo de Tavares) as escolas preparatória e secundaria em Mangualde, os Seminários Diocesanos de Fornos de Algodres e de Viseu, a Faculdade de Teologia em Lisboa na Universidade Católica e actualmente tenho o privilégio de frequentar a Universidade Pontifícia de Salamanca. Talvez de escola já chegue, é hora de me dedicar mais a outros saberes, menos livrecos!

efeneto - Onde celebrou a primeira Missa?

Padre Nuno - Na Igreja onde foi Baptizado no dia 31de Dezembro de 1979, no1º aniversário de Matrimónio dos meus pais em Abrunhosa-a-Velha, concelho de Mangualde. No dia 12 de Setembro de 2005, o dia seguinte à minha ordenação Sacerdotal, aí celebrei a primeira Missa.

efeneto - Em Canas de Senhorim sente-se realizado?

Padre Nuno - Graças a Deus, sinto-me muito feliz aqui!

efeneto - Tem nesta freguesia bons colaboradores?

Padre Nuno - Sem dúvida que encontrei um grupo muito interessante de pessoas, comprometidas com a paróquia, graças ao bom trabalho que os meus antecessores por aqui fizeram. Agora, na paróquia à espaço para todos. À sempre lugares em abertos, vagas para a boa vontade e urgência de solidariedade!

efeneto - Em quantas aldeias desta freguesia celebra Missa?

Padre Nuno - Em todas(Póvoa de Stº António, Lapa do Lobo, Caldas da Felgueira, Vale de Madeiros, Urgeiriça e Canas) , temos 8 locais de Culto na paróquia – vamos procurando rotativamente, com a ajuda de um grupo de leigos que fazem Celebrações da Palavra, que se celebre o Domingo em toda a paróquia.

efeneto- A requalificação da Capela de Santa Barbara, digamos, que a jóia da coroa aqui da terra, terá certamente um especial orgulho pela sua inauguração. O que sentiu nesse dia?

Padre Nuno - Senti-me muito feliz, mais do que orgulho uma enorme gratidão. Foi um trabalho de equipa muito interessante e sobretudo bem sucedido. Encontrei desde o início um grupo de pessoas muito motivadas para que esta obra se concretizasse o que facilitou muito. Penso que os que de ali são ou ali têm alguma ligação, participaram desta mesma alegria. É a alegria dos sonhos concretizados!

efeneto - Já publicamos as contas da obra e os elogios sucedem-se. Foi difícil gerir a obra a nível financeiro?

Padre Nuno - A paróquia ao nível dos seus recursos materiais, vive da generosidade dos seus paroquianos. Todos os anos são prestadas contas, acerca da gestão que é feita daquilo que as pessoas partilham com a paróquia, é um direito que as assiste e que temos respeitado com o máximo rigor. Este processo das obras da requalificação da capela conta com quase 3 anos de trabalho – sem falar do que está para trás, onde o Sr. D. Ilídio sempre colocou muito empenhamento – desde a elaboração do projecto, a procura de apoios para a excussão do mesmo (aonde algumas portas não se abriram mas outras sim, felizmente!). Resolvemos avançar, mesmo sem ter todos os meios necessários (o que naturalmente traz sempre alguns calafrios), mas com duas convicções fortes: 1ª que sabíamos o que queríamos e a 2ª o dinheiro iria aparecer. Graças à Providencia Divina, manifesta em tanta generosidade, da parte de muita gente e algumas instituições, tudo foi possível.

efeneto – Por certo que segue todo o mundo virtual canense. Nalguns comentários foi notória a insatisfação, em relação á placa comemorativa da inauguração não mencionar o seu nome que para muitos deveria estar acima de alguns nomes que lá estão. O que nos tem a dizer acerca disso?
Padre Nuno - Li alguns comentários – que me pareceram pouco amplos e demasiado politizados - mereceram a minha melhor atenção e reflexão. Sempre tive para mim que as opiniões são para serem discutidas os princípios para serem seguidos. Penso que esta matéria é perfeitamente opinável, no que diz respeito à conveniência da tal placa - pelo menos do seu conteúdo - mas como tudo tem um contexto, alguns desses comentários estavam feridos de descontextualização. Pensamos colocar uma placa para assinalar o acontecimento, que traduzisse o bom relacionamento institucional entre a igreja e poderes autárquicos que acarinharam este projecto e o tornaram possível. É muito arriscado nestas coisas falar duns e deixar outros, concordo com isso! Mas sem dúvida de que os que lá figuram foram determinantes para que a requalificação da capela fosse concretizada, para além da sua função representativa. A mim agradam-me as parcerias, penso que é necessária a cooperação institucional, é claramente um motor de desenvolvimento. Estas ideias estão um pouco por de trás da tal placa. Pena é, a hipersensibilidade que atinge as pessoas aqui nestas terras em tudo que toca a esfera política. Claro que isso também tem um contexto!
Agradeço os comentários, especialmente os que me foram feitos pessoalmente.

efeneto - Normalmente, há três palavras que é melhor não referir em conversas com sacerdotes. Como o padre Nuno não é propriamente um sacerdote á "antiga", com todo o respeito para os sacerdotes com mais idade, arrisco-me a juntá-las na mesma pergunta e peço-lhe que comente como entender. Aborto, contracepção, homossexualidade.

Padre Nuno - Os padres gostam de conversar, são pessoas predispostas para o diálogo, alguns mais ‘antigos’ são sábios, quando tiverem oportunidade falem com eles. Tudo aquilo que é do Homem é de Deus, onde está um Homem aí está Deus (celebra-mos este mistério no Natal). Entender assim a vida traz consigo algumas responsabilidades, impõe-se o máximo respeito diante da dignidade da Vida Humana, o Aborto é uma interrupção do ciclo da vida é um atentado à vida, um mal para responder a outros males, esta resposta é um caminho que não tem futuro.
Contracepção, parece-me que se usa e abusa, suspeita-se hoje em dia que a crescente infertilidade das mulheres se deva a isso. Aqui é preciso conjugar meios e fins.
Homossexualidade uma opção (acerca da qual a ciência pouco ou nada nos sabe dizer), total respeito por todos. Equiparar à família heterossexual, uma relação homossexual, acho errado.
efeneto - O celibato é assim tão essencial à prática do sacerdócio como nos é dado a entender? Acha que um padre casado poderia ser um bom padre? Uma mulher poderia ser um bom sacerdote?

Padre Nuno - O Amor feito entrega de vida é o mais importante! O celibato tem sentido na medida em que favoreça isso. O celibato não nos desumaniza. Sentimo-nos humanos como toda a gente. É uma matéria ‘disciplinar’ dentro da Igreja Católica Latina, nem sempre o foi ao longo da história. Pode ser reformada pela igreja, não é imposição é uma opção, uma forma de viver a nossa sexualidade. Com certeza que os homens casados podem ser bons padres bem como as mulheres, embora neste caso esteja a desfavor delas toda tradição, onde as mulheres nunca desempenharam estas funções na igreja, mas outras, que os homens nunca desempenharam nem puderam desempenhar.

efeneto - Como cidadão do Mundo e fase ao actual cenário, como vê o futuro do país a curto e médio prazo?

Padre Nuno - Julgo que passaremos por algumas dificuldades sociais, que se impõem algumas reformas sobretudo em matéria de político-social, onde por desgraça, se cometem injustiças de ‘bradar aos céus’. As reformas têm de começar por ‘cima’, tal como o exemplo tem de vir de “cima” (classe politica). É preciso mudar mentalidades, investir na formação das pessoas e sempre apoiar as famílias. Se somos parte do problema também somos parte da solução.

efeneto E do mundo?

Padre Nuno - O mundo tem de colocar o Ser Humano no centro de tudo e não o dinheiro, espero que seja capaz de fazer o que até agora ainda não fez: aprender com os erros passados.

efeneto - Entrando no domínio da fantasia (ou talvez não, pois o futuro apenas a Deus pertence) imagine que era escolhido para ser Papa. Quais as três primeiras coisas a fazer?

Padre Nuno - Convidava o @Efeneto para dinamizar o sitio na Internet da Santa Sé e depois resignava.

dezembro 26, 2008

Entrevista ao Dr. Evaristo Pinto




A propósito da publicação, no passado mês de Setembro, do livro “Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria – Carregal do Sal – Das origens à formação – Espaços, Colecções, Educação e Património no Concelho”, fomos ouvir o seu autor e nosso conterrâneo Dr. Evaristo Pinto, que presentemente também exerce funções de Direcção no referido Museu Municipal do Carregal do Sal.

Museu Soares de Albergaria

Noticiámos, numa das últimas edições do “Canas de Senhorim”, a publicação da sua dissertação de Mestrado “Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria – Carregal do Sal – Das origens à formação”. Como Director do Museu e autor da Dissertação qual a importância cientifica deste trabalho para o Museu?

Devo esclarecer que a execução deste trabalho é tão importante para o Museu como o é a ciência museológica para o estudo da história dos Museus, da sua função social, dos seus métodos de recolha e incorporação, da conservação das suas colecções e exposição, para além da inventariação, investigação, educação, difusão e organização.
Por outro lado, todos os verdadeiros museus têm uma missão científica a cumprir e que está implicitamente relacionada com uma das suas primordiais e principais funções que é a do estudo e investigação dos bens culturais que possui e que exibe aos seus públicos fornecendo os conhecimentos necessários à sua compreensão.
Por conseguinte a importância científica que esta Dissertação tem para o Museu é que ela representa ou constitui a fundamentação da sua existência como verdadeira Instituição Museológica.

Como começou a sua ligação com o Museu Municipal do Carregal do Sal?

A minha ligação ao Museu Municipal está associada ao estudo e investigação do património histórico e arqueológico do Concelho de Carregal do Sal, desde o ano de 2001. Foi um processo natural para o qual dediquei com imenso gosto e empenho todo o meu esforço e carinho, numa altura em que se acentuava ainda mais a consciência da necessidade de preservação do que era genuíno em termos do legado patrimonial no território do Município de Carregal do Sal e do qual hoje me orgulho e sinto fazer parte.

Deste período de trabalho no Museu quais os trabalhos de preservação patrimonial que gostaria de destacar? Que balanço faz dos 2 anos e meio de funcionamento do Museu?

Ao nível dos trabalhos de preservação e dinamização patrimonial muito se fez entre 2002 e 2008, valendo a pena destacar alguns, como foram os casos da criação dos três Circuitos Arqueológicos já conhecidos: Circuito Pré-Histórico Fiais/Azenha, na Freguesia de Oliveira do Conde que congrega o maior conjunto de monumentos megalíticos da nossa região; O Percurso Patrimonial das Cimalhinhas em Cabanas de Viriato que engloba monumentos da Época Romana e Medieval, devidamente musealizados e sinalizados e o Circuito Arqueológico da Cova da Moira, na Freguesia de Currelos, igualmente de temática romana e medieval, estando neste momento em vias de execução o 4º Percurso Patrimonial, na Freguesia de Beijós.
Por outro lado, criou-se o Núcleo Museológico do Lagar de Varas de Parada, logo após a abertura ao público do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria. Para além destes trabalhos de valorização, preservação e dinamização patrimonial, efectuou-se a 1ª e 2ª fase da carta arqueológica do concelho, cujos resultados foram publicados em livro, assim como de todos os Circuitos arqueológicos, estando neste momento em fase de execução a sua 3ª fase da carta arqueológica com mais de três dezenas de sítios arqueológicos inéditos descobertos até ao presente.
Em resumo, poder-se-á afirmar que se conseguiu musealizar cerca de 50% do património histórico-arqueológico do Município de Carregal do Sal criando-se as condições necessárias para ser visitado.
Quanto ao balanço de dois anos e meio de funcionamento do Museu, devo salientar, como seria de prever, que os resultados são claramente positivos, devendo-se muito a este êxito aos níveis de organização e funcionamento dos serviços que desde o seu início tinham sido devidamente implementados e para cujo processo não podem ficar esquecidos os contributos e esforços da Câmara Municipal, a qual apostou, em boa hora, na criação de um dignificante espaço museológico que hoje alberga o valiosíssimo espólio da herança cultural e histórica de todo o concelho. Desenvolveu-se um Museu que para além de cumprir todas as funções museológicas que lhe são exigidas, tem procurado corresponder de forma digna e responsável, às exigências do tempo presente, em que se inclui e destaca o evoluir das suas actividades culturais e educativas junto da comunidade escolar e público em geral, as regulares exposições temporárias mensais das quais já temos marcações efectuadas até Abril de 2010, o significativo aumento das visitas temáticas ou guiadas às suas exposições permanentes e ao património cultural do Município, cujos resultados continuarão, por certo, a traduzir-se no seu progressivo desenvolvimento. Em jeito de síntese criou-se um Museu polinucleado, em torno do qual foi possível concretizar os aspectos mais importantes que havia a esperar, que eram os de contribuir para o desenvolvimento social, cultural e turístico do concelho, assim como o de preservar e promover o legado histórico e identidade do Município de Carregal do Sal.

Que ligação existe entre o Museu e as escolas do Concelho do Carregal do Sal? São realizadas actividades formativas conjuntas?

A ligação do Museu com as Escolas do Concelho não podiam ser melhores, quer a nível da cooperação institucional, quer da colaboração indispensável para o fomento das actividades educativas pedagógicas e lúdicas, que regularmente vão sendo concretizadas de acordo com o Plano Anual de Actividades do Museu e dos Agrupamentos de Escolas do Concelho. O Museu promove, por sua vez, ateliers de pintura, escultura e arqueologia, para além de outras actividades culturais, no âmbito da sua função educativa (educação não formal), para além de proporcionar visitas temáticas de acordo com as solicitações dos professores e para as quais a Câmara Municipal disponibiliza os meios transporte sempre que estes sejam solicitados. Para reforçar este assunto, posso afirmar que a comunidade escolar constitui o público-alvo do Museu Municipal.

Sendo o Turismo um negócio do futuro que ligação existe ou pretende que venha a existir entre o Museu e o sector da Hotelaria e Turismo do concelho do Carregal do Sal e da Região?

A ligação do Museu ao turismo local, regional e nacional, já existe de forma programada e organizada, designadamente ao nível do Turismo Sénior com a fundação INATEL, cuja afluência de visitas ao Museu e Património Cultural do concelho tem sido oriundo de diversos pontos do País, incluindo Ilhas. O Município de Carregal do Sal tem potencialidades para o crescimento sustentado do turismo cultural organizado, mercê dos produtos turísticos que já tem para oferecer e dos que aguarda que venham a ser concretizados. Em resumo, o Museu desenvolve esforços para que esta tendência venha a crescer, tendo como finalidade contribuir para o desenvolvimento económico de todo o concelho.

No objecto social do Museu Municipal do Carregal do Sal têm cabimento parcerias com entidades de concelhos limítrofes (nomeadamente Juntas de Freguesia, Escolas ou Associações culturais) para a divulgação e sensibilização para o património?

O Museu Municipal de Carregal do Sal é uma Instituição Museológica aberta a todos os públicos, entidades ou instituições culturais que manifestem interesse em participar ou cooperar para a divulgação e sensibilização do Património. No entanto, não sendo uma entidade autónoma mas pertença da Câmara Municipal, pois dela depende administrativa e financeiramente, será um processo que pela natureza da dimensão que venha a alcançar, terá de ser previamente colocado à consideração da Edilidade.

Como estudioso da Museologia, e numa óptica da preservação do património cultural, qual o perfil de Museu que no seu entender melhor serve a preservação do património cultural no interior do país, um museu mais generalista (como o Soares de Albergaria) ou outro tipo com tendência para a especialização (como são os casos do “Museu do Vinho”, em Santar, ou o “Museu do Porco” em Mangualde, ambos em fase de projecto)?

Relativamente a este assunto, a minha opinião é muito simples. Todos os Municípios deveriam ter um Museu Municipal, de acordo com a realidade cultural e necessidades locais. Por outro lado, o enquadramento tipológico adviria ou corresponderia por sua vez, à natureza dos bens patrimoniais que viessem a estar na base da origem da formação do Museu (Arte, Arqueologia, História, Etnografia, Especializados ou Mistos), entre outros, pois ninguém é melhor conhecedor das realidades locais que os próprios Municípios. Os Museus Regionais têm um âmbito territorial mais alargado, sendo certo que, esta realidade, não representa totalmente as especificidades de cada Concelho.
No actual panorama museológico do país tem vindo a registar-se um crescimento considerável de Museus Municipais de estrutura polinucleada (sob tutela autárquica), o que poderá depreender-se que esta solução tenha sido a melhor forma encontrada para solucionar as questões ligadas à necessidade da preservação dos patrimónios locais in situ, assim como de aspectos de natureza temática ou funcional ou, ainda, de questões ligadas à melhor gestão de vários espaços museológicos locais que possam existir dentro de cada Município.
Tendo em conta o que foi dito, o caso do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria, de Carregal do Sal, de tipo generalista (ou misto), emergiu precisamente da identificação e análise de todos estes factores. Actualmente considera-se um Museu polinucleado porque gere o seu primeiro e recém criado Núcleo Museológico do Lagar de Varas da Freguesia de Parada e todos os monumentos musealizados do território do concelho, para além de poder vir a gerir outros núcleos que venham a ser criados em outras freguesias do Município.

Canas de Senhorim

Na edição de Novembro do “Canas de Senhorim” dedicámos algum espaço ao “vandalismo” arqueológico ocorrido na “Villa Romana do Fojo”, onde a construção de uma via integrada num loteamento causou evidente destruição. Do ponto de vista científico pode dar-nos uma ideia do que é está em causa com a destruição deste património?

A questão da destruição dos vestígios arqueológicos Romanos do Fojo é uma situação confrangedora que deixa incrédulo qualquer cidadão. As obrigações legais não se cumpriram! Não existem valores! Não há princípios! Também não é a primeira vez que situações desta natureza se têm verificado na Vila de Canas de Senhorim. A estação arqueológica das Lameiras (Antigo Fojo III- Estrada perto das piscinas) e a Estação Arqueológica do Fojo II (Área Norte do Bloco habitacional perto da Escola Primária do Fojo), para além da recém criada nova via do Passal/Casal, foram outras situações arrepiantes, quando na realidade bastava que pedissem o apoio de um arqueólogo ao IGESPAR, tendo como objectivo acompanhar as obras e assim efectuar os necessários registos da história daqueles Núcleos da Época Romana. Devo dizer que só há uma leitura única e se retira a informação pertinente quando se escava cientificamente. Uma vez consumada a destruição nada mais existe para contar, descrever, ou interpretar, a não ser, identificar os materiais arqueológicos fora do seu contexto original, sem cotas, sem imagens, sem registo, sem leituras estratigráficas, que constituíam os elementos essenciais e a informação crucial da identificação do sítio, com as prováveis cronologias.
Todos estes locais de interesse científico e patrimonial estavam inventariados e publicados em vários livros e edições, designadamente na conceituada revista Beira Alta (1998, Vol. LVII, nº 3 e 4); (1999, Vol. LVII, nº 1 e 2) e (2003, Vol. LXII, nº 3 e 4), como é do domínio público, razão válida para que se tivessem tomado todas as devidas precauções.
Não se pode continuar a trabalhar assim, sob pena de sermos todos cúmplices no apagamento da história local e regional. A Vila de Canas é potencialmente rica em vestígios arqueológicos do passado, praticamente de todas as épocas históricas e, o caso do Fojo deveria corresponder a um núcleo habitacional da Época Romana, pela quantidade de cerâmicas de construção (tegulae e Imbrices), cerâmicas domésticas de uso comum e da quantidade de pedras que foram removidas das estruturas arqueológicas ali existentes. Lembro também que o mesmo sucedeu com a destruição das casas velhas do Casal, junto à Capela de S. Caetano e do local da construção da Escola Primária do Fojo! Caso para desabafar e gritar “Canas Romano! Para onde vais!
Para minimizar e travar o prosseguimento desta situação de apagamento das nossas ancestrais e identitárias raízes, deveria ser feita, urgentemente, uma escavação arqueológica de emergência na área contígua à destruição, correspondente aos terrenos que ainda não foram mexidos ou removidos para reconstituição da história e que tudo leva a crer, darem continuidade ao prolongamento das estruturas anteriormente destruídas, assunto que cabe desenvolver e requerer inteiramente às entidades envolvidas em todo este processo de obras.
Em resumo, o que está em causa com a destruição destes testemunhos do passado é precisamente o facto de sabermos que este tipo de procedimentos assim a continuar, anularão e impedirão sempre o acesso ao conhecimento do passado da história local, cujas fontes documentais poderiam contribuir para a construção da história do território do concelho e da nossa região. Todos ficámos mais pobres!

No actual contexto da “Villa Romana do Fojo” que tipo de estudos entende serem necessários para salvaguardar o património existente e desenvolver o conhecimento sobre esta estação romana? Em que é que se poderão distinguir ou assemelhar aos trabalhos já realizados neste local?

Como já referi, deve ser iniciado um processo de escavação e investigação científica tendo já por base os estudos e conhecimento dos trabalhos de levantamento e inventariação já efectuados, tendo em vista efectuar a interpretação das restantes estruturas arqueológicas que se prolongam, como tudo indica, para os terrenos contíguos do lado norte do loteamento e ao lado do muro da Escola até à palheira ali existente. Para validar esta afirmação basta observar a quantidade de espólio romano de recolhas de superfície por mim depositado na Sala-Museu, devidamente identificado e catalogado com registo da sua própria localização e proveniência, sendo testemunha deste acto e que em muito me ajudou e colaborou de forma constante, o nosso conterrâneo Horácio Peixoto.

A exemplo de outros conterrâneos, como é o caso do Sr. Horácio Peixoto, tem estado ligado à pesquisa, preservação e divulgação do património arqueológico na nossa freguesia. Na sua opinião quais deveriam ser as principais áreas de estudo a apostar no património identificado na freguesia de Canas de Senhorim? Que lacunas são identificáveis?

As principais áreas de estudo, para além de recaírem com a máxima urgência para o salvamento do que resta no Fojo, deveriam incidir para a inicio das escavações arqueológicas nas áreas dos núcleos romanos do Freixieiro, quando actualmente se sabe que são terrenos urbanos e que vão certamente dar lugar a mais construções. A este respeito já houve uma sondagem arqueológica na zona da Laje do Quarto, executada pela Dra. Ivone Pedro e eu próprio, aprovada na altura pelo IPA, tendo-se como resultado, o conhecimento de que uma parte daquela área envolvente poderá corresponder ao principal Núcleo Romano, seguido do Casal, Fojo e Centro da Vila (zona classificada e envolvente do Pelourinho).
Por outro lado, tendo-se conhecimento das potencialidades de todo o património cultural da Vila de Canas de Senhorim, designadamente os Túmulos Rupestres das Pedras da Forca, Amieiro e Casal, assim como a Orca das Pramelas, entre outros sítios, deveria ser criado um Percurso Patrimonial, com a sinalética adequada e painéis explicativos, uma vez que a própria Orca das Pramelas já foi valorizada e musealizada, cujo processo foi aprovado, na altura pelo IPPAR, actualmente IGESPAR, sendo eu próprio, na altura, o responsável pelos trabalhos de valorização da mesma, nos quais a Junta de Freguesia colaborou, tendo disponibilizado os seus funcionários.

O espólio de cerca de 20 anos de trabalhos arqueológicos em Canas de Senhorim encontra abrigo na Sala-Museu da Associação para o Estudo Arqueológico da Bacia do Mondego (EAM). Qual a sua opinião sobre a divulgação deste espólio junto da Comunidade em e da Região em geral? Acha que os poderes públicos andam “distraídos” sobre o potencial histórico-cultural do trabalho já efectuado em Canas e na região?

Sobre esta matéria devo afirmar que tudo o que está feito foi um trabalho pioneiro e de grande mérito para todos aqueles que arduamente ajudaram a construir a realidade presente e à qual não pode deixar de estar implicitamente associada, para além de muitos Canenses, a figura do Professor Doutor João Carlos de Senna Martinez e os sucessivos responsáveis pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim, os quais sempre contribuíram para melhorar a situação.
Porém o problema da letargia da Sala-Museu e da falta de meios de divulgação do seu riquíssimo espólio arqueológico e da Instituição que o alberga, assim como a falta do seu normal funcionamento e regular acesso público não é uma questão que possa ser imputada nem aos anteriores nem aos actuais responsáveis. Trata-se de uma questão meramente estrutural e orgânica que só poderá ser resolvida quando alguma entidade pública ou privada assumir por inteiro a sua tutela.

Que meios, no seu entender, deveriam ser disponibilizados à EAM para que fosse possível tornar realidade o tão ambicionado “Museu Regional de Arqueologia”? A iniciativa deveria caber à Administração local ou central?

Quanto a esta questão todas as soluções são possíveis desde que se encontre definitivamente uma única entidade responsável pelos destinos da futura Instituição Museológica, tanto no que diz respeito à posse definitiva do espólio como ao Edifício que o irá albergar e incorporar.

Uma das mais antigas aspirações dos canenses é a criação de um Casa da Cultura. No seu entender qual a importância deste ideia? Acha que este projecto pode acolher um futuro Museu de Arqueologia?

A criação de uma instituição cultural para Canas de Senhorim é, e será sempre, bem-vinda e claramente desejada. Por seu lado, sendo uma casa de cultura, ela poderá ser multifacetada mas não constitui, na minha opinião, a melhor solução para albergar um futuro Museu com aspirações tão abrangentes. Este meu pensamento não significa que esteja contra a ideia em apreço! Vale mais existir e prestar os necessários contributos de desenvolvimento cultural, de promoção do turismo e identidade local do que não existir! Sei que actualmente os cortes orçamentais afectam consideravelmente na generalidade as próprias instituições museológicas já há muito existentes. Terá depois a casa da cultura verba para sustentar um Museu? É que uma entidade Museológica, não será só meter os objectos dentro das vitrinas e exibi-los para encher os olhos ao público, têm de se cumprir todas as funções museológicas, não podendo estas ser remetidas para segundo plano.
Entretanto, não pode deixar de ser considerado que outra solução plausível para a sobrevivência da actual Sala-Museu e transformação em Museu, seja a de, necessariamente, ter de passar pela intervenção activa da Câmara Municipal de Nelas. Veja-se o exemplo de Carregal do Sal e das tendências a nível nacional quanto à criação de novos Museus. O aumento é de Museus Municipais de estrutura polinucleada, o que permite ao Museu Sede, gerir vários espaços Museológicos dispersos pelas Freguesias do Concelho, sob tutela autárquica. Um Museu para ser uma verdadeira Instituição Museológica tem que ter funcionamento permanente e cumprir todas as funções que lhe são exigidas, não podendo estar limitado ao sabor dos horários de uma casa de cultura, a menos que esta abra diariamente as suas portas ao público e não apenas só para quando existam eventos. Nesse caso estaríamos em presença da mesma situação em que vive a actual Sala-Museu de Arqueologia. Um Museu, tal como disse, não serve apenas para expor colecções permanentes, pois se isso acontecer, tem os dias contados, podendo-se esperar que vai redundar num museu armazém ou sepulcral, em que os potenciais visitantes só lá irão uma vez. Tem de ser forçosamente uma entidade dinâmica que preste um bom serviço público com as suas actividades culturais, das quais não se pode esquecer a educativa.

Urgeiriça

Antes de seguir com os seus estudos em História e da Arqueologia sei que foi funcionário da Empresa Nacional de Urânio. Como vê o projecto da EDM de criar um espaço museológico sobre as Minas da Urgeiriça, no antigo balneário (com abertura prevista para 2012)? O que é conhece do projecto?

Não conheço o projecto mas pela informação que me está a dar será um museu de empresa, naturalmente da EDM., o que significa que terá um futuro promissor e garantido. Tanto quanto me apercebo, e se diz que é no balneário da Urgeiriça, isso dir-me-á que o Museu será na Casa do Guincho. Assim sendo estamos perante um Museu de Sítio em que as próprias máquinas não saíram do seu local original. Trata-se de uma ideia brilhante e que todos devemos apoiar. Pena que não tivesse acontecido o mesmo com a antiga Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos que constituiria, nos dias de hoje, um dos maiores Museus Industriais do nosso País, que traria inúmeros turistas ao nosso concelho e a toda a região.

Por último, e agradecendo a sua disponibilidade, pedia-lhe que deixasse uma mensagem aos leitores sobre a importância da preservação do património cultural.

Creio que ao longo desta entrevista nos fomos apercebendo do significado que tem para todos nós a preservação do Património Cultural e do que ele representa em termos de identidade, de valores, de afectos, de memórias, de fazeres e sentires que são transmitidos de geração em geração e que nós, enquanto seres civilizados, nele nos revemos e temos a obrigação de o perpetuar. Temos que ter presente que somos o resultado de uma evolução consciente que foi gerada ao longo dos tempos em que o presente se constitui com o apelo e interligação ao passado que é pertença e factor de sobrevivência cultural de todos nós. São com estes bens culturais ou herança patrimonial que nos identificamos e perante a qual temos a obrigação de deixar marcas positivas do cantinho onde vivemos.


Gentilmente cedida pelo amigo Manuel Henriques

outubro 31, 2008

Para Recordar...

Cinema Paraíso

Fui contactado por um amigo, sugerindo que eu escrevesse um curto texto exteriorizando os sentimentos que me assolam face á notícia do possível encerramento da Casa de Pessoal das Minas da Urgeiriça.
A Urgeiriça que cresceu em função da ex-exploração de uma mina, sempre foi, á sua medida, um espaço com um traço cosmopolita. Nela residiam pessoas das mais diversas origens demográficas, sociais e culturais.
E no centro de tudo, o denominador comum, a Casa do Pessoal como ponto harmonizador.
Visto á distancia, confesso o meu orgulho por ter crescido ali, por ter podido usufruir da imensa actividade cultural e desportiva que aquele lugar proporcionou.
Por isso aqui digo, para que conste: ali não está um simples edifício. Está um espaço onde gerações de adultos e crianças aprenderam a ver cinema, a ver e fazer teatro, a conviver e praticar música e desporto.
Ao destrui-lo é uma parte da nossa memória individual e colectiva que é amputada.
Fica aqui o meu voto de protesto.
Nunca pensei ter que evocar Tornattore.
Gustavo Cordeiro
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Lembro-me…

Lembro-me dos filmes de cinema e das peças de teatro…
Lembro-me das festas de Natal e dos espectáculos…
Lembro-me de magnífico Ano Mundial da Criança…

E da leitura dos jornais diários…
E dos jogos da sueca…
E do ping-pong…
E…
E para amanhã todos os que vivem e viverão na Urgeiriça se lembrem, da “velha”, mas sempre aberta, Casa do Pessoal que faz parte o património de quem ali vive e é de todos.
Hoje é a Casa de Pessoal de todos os que na Urgeiriça moram, dos que já moraram e esperemos também os que aí vão morar um dia!

Albertino Neves
In: Jornal de Canas de Senhorim nº 107
30 de Outubro de 2007

outubro 28, 2008

Relembrando...

1992 - Ultimo Curso de metalomecânica na ENU

De pé da esquerda para a direita:
José Couto; Moniz; António João; Pedro Ferreira; Piloto; Rui Custodio; Paulo Albuquerque; Nuno (chefe da oficina e monitor) e João Morais (serralheiro mecânico e monitor)
Em baixo pela mesma ordem:
Joaquim; Laceiras; António Roque; Nuno Paixão; Paulo; Paulo Brito e Nuno.

Foto gentilmente cedida por “PomboCorreio”

outubro 22, 2008

António Minhoto...retrato

António é o rosto dos antigos trabalhadores do urânio Às sete da manhã, uma hora mais tarde na época baixa, o dia está a começar para António Minhoto. Em poucos minutos percorre de carro os escassos quilómetros que separam a sua casa, à saída de Nelas, do Quiosque Sombrinha, um café-pastelaria nas termas de Caldas da Felgueira.

O caminho é sempre a descer até à margem da ribeira do Pantanha, a um pulo do Mondego, muitas vezes mergulhada em espesso nevoeiro. Mas isso pouco lhe importa, pois Minhoto não é homem para se preocupar com detalhes. São muitas as horas do seu dia de trabalho, preenchidas a atender clientes e a gerir o negócio, que explora desde 1990 com a mulher. "Foi a única saída que encontrei depois de ter sido obrigado a aceitar o despedimento da Empresa Nacional de Urânio [ENU] em 1989. É o meu ganha-pão para sustentar a família com menos dificuldades", explica.

Nada do que ficou dito o distingue especialmente de tantos outros pequenos empresários. Mas António Minhoto, de 56 anos, nascido em Nelas, casado e pai de duas filhas já adultas, é um empresário diferente. Começou a trabalhar muito cedo, foi a maior parte da vida um "trabalhador indiferenciado" - a expressão é sua - e é hoje um homem bem-sucedido com uma actividade absorvente.
No entanto, isso não o faz esquecer a situação dos antigos companheiros de trabalho na mineração. Ele tem sido o rosto mais visível de uma luta que travam há vários anos para ver reconhecidos direitos que consideram legítimos e um acompanhamento médico permanente - esta reivindicação já foi atendida pelo Ministério da Saúde -, a par da exigência de recuperação ambiental de todas as minas abandonadas quando a exploração de urânio terminou em Portugal.

Um homem de causas

O último episódio deste processo, a que António Minhoto se tem dedicado incansavelmente, decorre hoje em Nisa, onde a Comissão de ex-Trabalhadores da ENU promove uma tribuna cívica para "julgar" as consequências da exploração de urânio em Portugal.

A intervenção cívica ocupa um lugar relevante no currículo de António Minhoto, que se define como "um homem de causas". Fez parte da Comissão de Trabalhadores da ENU e foi delegado sindical, integrou a comissão de segurança da empresa e foi presidente da respectiva casa de pessoal. Envolveu-se na causa pela criação do concelho de Canas de Senhorim e esteve ao lado dos que se opuseram ao encerramento do Centro de Saúde de Nelas. Depois do 25 de Abril, militou na UDP e no Bloco de Esquerda. Hoje diz-se partidariamente descomprometido.

Já depois do encerramento da ENU, cria em 2002 a associação Ambiente em Zonas Uraníferas. A partir dessa data a intervenção do antigo trabalhador do urânio torna-se mais sistemática e persistente, trazendo para as páginas dos jornais e ecrãs das televisões a realidade complexa, e por vezes dramática, dos ex-camaradas.

A combatividade de que Minhoto dá provas na intervenção cívica manifestou-se muito cedo na sua vida. Filho de uma numerosa família - oito irmãos - de trabalhadores rurais muito pobres, teve de começar aos 12 anos a ajudar os seus. "O meu primeiro emprego foi numa empresa vinícola de Nelas. Ganhava 35 escudos por mês [cerca de 18 cêntimos de euro] a acartar madeira às costas. Os meus problemas de coluna começaram aí", recorda.
"Como uma facada"

António Minhoto foi ganhar mais dez escudos noutra empresa de vinhos, mas continuou a engraxar sapatos junto à Pensão Mangas, em Nelas. Em 1971 trocou tudo isso pelas Minas da Panasqueira. Resistiu um ano a viver em camarata e mudou de cenário - deste vez a Linha do Oeste, onde participou nos trabalhos de limpeza de via.

Aos 20 anos vem a tropa e o conhecimento dos que contribuíram para a sua politização. Só o pedido insistente da mãe o impediu de desertar, acabando com a especialidade de motorista em Luanda, onde assiste à queda do regime salazarista-caetanista em 1974. Entra para os quadros da ENU em 1976, onde faz de tudo nos 13 anos seguintes.

A saída da empresa foi difícil. "Nos primeiros anos nem conseguia vir aqui", diz com um gesto largo para designar o local de trabalho na Urgeiriça, a casa no bairro operário onde viveu nove anos, a antiga cantina, a casa do pessoal. "Chocava-me ver as coisas degradarem-se, era como uma facada. Agora já estou vacinado".

O seu percurso não deixa ninguém indiferente. Os que não partilham as suas ideias reconhecem-lhe as qualidades de "lutador". É essa a opinião de Luís Ribeiro, membro da Comissão Concelhia de Nelas do PSD.

Adelino Borges, presidente da concelhia socialista, reconhece ter "alguma admiração e amizade" por ele: "A sua qualidade mais positiva é o espírito de militância e a forma como defende as suas opiniões." Francisco Paula, administrador de uma cadeia local de supermercados, conhece Minhoto há 30 anos: "Admiro a sua persistência e a capacidade de mobilização dos colegas e dos media."

Os que lhe estão próximos não poupam elogios. Joaquim Silva, administrador de uma empresa comercial, andou com Minhoto na escola: "Fez um grande trabalho no concelho e se o pessoal da Urgeiriça tem alguma coisa é porque ele trabalhou para isso." João Marques, segundo-comandante dos bombeiros de Canas de Senhorim e antigo trabalhador da ENU, recorda um episódio elucidativo da sua coragem e capacidade de liderança: "Alguém tentou furar uma greve e o Minhoto desligou a máquina. Foi punido com 15 dias de suspensão e muitos trabalhadores quotizaram-se para lhe pagar os dias de salário."

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Texto de (excertos) - Carlos Pessoa Jornal Público (19-10-2008)
Reportagem fotográfica - efeneto

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