O portal de Canas de Senhorim
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fevereiro 18, 2010

Comentário recebido.

É sempre gratificante receber comentários destes pois é sinal que o nosso trabalho é lido elém fronteiras;

Jaira deixou um novo comentário na sua mensagem "Consoada dos "Amigos"":
Gostaria de agradecer a todos os amigos de Urgeiriça pela linda festa, pois mesmo não estando com os meus aqui no Brasil me senti em casa. A amabilidade e receptividade me emocionaram.
Um abraço a todos e em especial ao Paulo por ser meu cunhado.
Obs. Senti falta das fotos.


Agradecimento: Como mentor deste espaço venho agradecer o seu comentário e dizer-lhe que a ausência de fotos se deve a eu não ter estado presente na Festa Passagem d’Ano” e até agora não me terem sido enviadas para o correio electrónico deste espaço. Saudações amigas.
©efeneto

março 14, 2009

Opinião do deputado Almeida Henriques


Trabalhadores da ENU, há quatro anos, em campanha eleitoral, um Deputado socialista dizia que era de elementar justiça e uma dívida de gratidão resolver o problemas, depois deste tempo todo o PS não viabiliza as diferentes iniciativas e os Deputados do PS nem a dão a cara nos debates parlamentares. Palavras para quê, cada um dos leitores que faça a sua avaliação face aos dados objectivos apresentados.
ler mais
in ViseuMais.com

janeiro 09, 2009

Entrevista ao Padre Nuno

Ser padre é ser abençoado e verdadeiramente escolhido por Deus. Sem dúvida nenhuma, somente alguém que tem Deus ao seu lado é capaz de realizar tantos feitos como celebrar a Eucaristia, pregar o Evangelho, acolher os pecadores, orientar e acompanhar como somente um pai pode fazer. Um pai espiritual dado pelo Senhor para nos guiar no caminho da salvação. Ser padre não é uma tarefa fácil! Deixar tudo é entregar-se completamente nas mãos do Senhor pede vocação, força e fé. Muita fé. O padre é um ser humano sujeito a tentações, fraquezas e também emoções e sentimentos. É claro que, em alguns casos, nem sempre os limites humanos são superados, mas a graça divina e a oração constante são a melhor ajuda para os momentos de dificuldade. O padre precisa de nós tanto quanto nós dele. Precisa do nosso apoio, colaboração e compreensão; precisa do nosso amor, da nossa amizade e de nossas orações. Precisa que rezemos pedindo que Deus o santifique, ampare e console nos instantes de fraqueza. Quero aqui publicamente agradecer ao Padre Nuno a disponibilidade e entrega dada a esta entrevista.


efeneto - Atendendo à sua idade, poderemos dizer que é um jovem padre e um padre jovem mas tem certamente já algo a relatar do passado. Sempre dedicado à causa Cristã? É padre por opção, por influência familiar, ou outras?

Padre Nuno - Como todos os jovens gosto de desafios, julgo que ser padre é um grande desafio. Fui educado para a liberdade, por um ambiente familiar harmonioso, apesar de plural (entre os + crentes e - crentes), desde pequeno senti um fascino especial pela Igreja, sempre participei na vida da minha paróquia e um apelo interior crescente “vem e segue-Me”... tudo isto contribuiu, mas quem chamou foi Deus!

efeneto - Sabendo que tinha vocação e vontade de ser Padre, com que idade pensou realizar o seu sonho?

Padre Nuno - Ainda continuo a descobrir hoje a minha vocação, e espero assim continuar, mas a decisão foi tomada aos 25 anos e a ordenação aos 27 anos.

efeneto - Onde realizou os seus estudos?

Padre Nuno - Com 29 anos continuo a estudar, penso que já ando à 23 anos na ‘escola’, onde as oportunidades de aprendizagem foram imensas, tive grandes mestres na ‘arte do ensinar’, ganhei importantes amigos e enfim, muito gosto em me sentir um aprendiz. Frequentei a escola primária da minha aldeia (Vila Mendo de Tavares) as escolas preparatória e secundaria em Mangualde, os Seminários Diocesanos de Fornos de Algodres e de Viseu, a Faculdade de Teologia em Lisboa na Universidade Católica e actualmente tenho o privilégio de frequentar a Universidade Pontifícia de Salamanca. Talvez de escola já chegue, é hora de me dedicar mais a outros saberes, menos livrecos!

efeneto - Onde celebrou a primeira Missa?

Padre Nuno - Na Igreja onde foi Baptizado no dia 31de Dezembro de 1979, no1º aniversário de Matrimónio dos meus pais em Abrunhosa-a-Velha, concelho de Mangualde. No dia 12 de Setembro de 2005, o dia seguinte à minha ordenação Sacerdotal, aí celebrei a primeira Missa.

efeneto - Em Canas de Senhorim sente-se realizado?

Padre Nuno - Graças a Deus, sinto-me muito feliz aqui!

efeneto - Tem nesta freguesia bons colaboradores?

Padre Nuno - Sem dúvida que encontrei um grupo muito interessante de pessoas, comprometidas com a paróquia, graças ao bom trabalho que os meus antecessores por aqui fizeram. Agora, na paróquia à espaço para todos. À sempre lugares em abertos, vagas para a boa vontade e urgência de solidariedade!

efeneto - Em quantas aldeias desta freguesia celebra Missa?

Padre Nuno - Em todas(Póvoa de Stº António, Lapa do Lobo, Caldas da Felgueira, Vale de Madeiros, Urgeiriça e Canas) , temos 8 locais de Culto na paróquia – vamos procurando rotativamente, com a ajuda de um grupo de leigos que fazem Celebrações da Palavra, que se celebre o Domingo em toda a paróquia.

efeneto- A requalificação da Capela de Santa Barbara, digamos, que a jóia da coroa aqui da terra, terá certamente um especial orgulho pela sua inauguração. O que sentiu nesse dia?

Padre Nuno - Senti-me muito feliz, mais do que orgulho uma enorme gratidão. Foi um trabalho de equipa muito interessante e sobretudo bem sucedido. Encontrei desde o início um grupo de pessoas muito motivadas para que esta obra se concretizasse o que facilitou muito. Penso que os que de ali são ou ali têm alguma ligação, participaram desta mesma alegria. É a alegria dos sonhos concretizados!

efeneto - Já publicamos as contas da obra e os elogios sucedem-se. Foi difícil gerir a obra a nível financeiro?

Padre Nuno - A paróquia ao nível dos seus recursos materiais, vive da generosidade dos seus paroquianos. Todos os anos são prestadas contas, acerca da gestão que é feita daquilo que as pessoas partilham com a paróquia, é um direito que as assiste e que temos respeitado com o máximo rigor. Este processo das obras da requalificação da capela conta com quase 3 anos de trabalho – sem falar do que está para trás, onde o Sr. D. Ilídio sempre colocou muito empenhamento – desde a elaboração do projecto, a procura de apoios para a excussão do mesmo (aonde algumas portas não se abriram mas outras sim, felizmente!). Resolvemos avançar, mesmo sem ter todos os meios necessários (o que naturalmente traz sempre alguns calafrios), mas com duas convicções fortes: 1ª que sabíamos o que queríamos e a 2ª o dinheiro iria aparecer. Graças à Providencia Divina, manifesta em tanta generosidade, da parte de muita gente e algumas instituições, tudo foi possível.

efeneto – Por certo que segue todo o mundo virtual canense. Nalguns comentários foi notória a insatisfação, em relação á placa comemorativa da inauguração não mencionar o seu nome que para muitos deveria estar acima de alguns nomes que lá estão. O que nos tem a dizer acerca disso?
Padre Nuno - Li alguns comentários – que me pareceram pouco amplos e demasiado politizados - mereceram a minha melhor atenção e reflexão. Sempre tive para mim que as opiniões são para serem discutidas os princípios para serem seguidos. Penso que esta matéria é perfeitamente opinável, no que diz respeito à conveniência da tal placa - pelo menos do seu conteúdo - mas como tudo tem um contexto, alguns desses comentários estavam feridos de descontextualização. Pensamos colocar uma placa para assinalar o acontecimento, que traduzisse o bom relacionamento institucional entre a igreja e poderes autárquicos que acarinharam este projecto e o tornaram possível. É muito arriscado nestas coisas falar duns e deixar outros, concordo com isso! Mas sem dúvida de que os que lá figuram foram determinantes para que a requalificação da capela fosse concretizada, para além da sua função representativa. A mim agradam-me as parcerias, penso que é necessária a cooperação institucional, é claramente um motor de desenvolvimento. Estas ideias estão um pouco por de trás da tal placa. Pena é, a hipersensibilidade que atinge as pessoas aqui nestas terras em tudo que toca a esfera política. Claro que isso também tem um contexto!
Agradeço os comentários, especialmente os que me foram feitos pessoalmente.

efeneto - Normalmente, há três palavras que é melhor não referir em conversas com sacerdotes. Como o padre Nuno não é propriamente um sacerdote á "antiga", com todo o respeito para os sacerdotes com mais idade, arrisco-me a juntá-las na mesma pergunta e peço-lhe que comente como entender. Aborto, contracepção, homossexualidade.

Padre Nuno - Os padres gostam de conversar, são pessoas predispostas para o diálogo, alguns mais ‘antigos’ são sábios, quando tiverem oportunidade falem com eles. Tudo aquilo que é do Homem é de Deus, onde está um Homem aí está Deus (celebra-mos este mistério no Natal). Entender assim a vida traz consigo algumas responsabilidades, impõe-se o máximo respeito diante da dignidade da Vida Humana, o Aborto é uma interrupção do ciclo da vida é um atentado à vida, um mal para responder a outros males, esta resposta é um caminho que não tem futuro.
Contracepção, parece-me que se usa e abusa, suspeita-se hoje em dia que a crescente infertilidade das mulheres se deva a isso. Aqui é preciso conjugar meios e fins.
Homossexualidade uma opção (acerca da qual a ciência pouco ou nada nos sabe dizer), total respeito por todos. Equiparar à família heterossexual, uma relação homossexual, acho errado.
efeneto - O celibato é assim tão essencial à prática do sacerdócio como nos é dado a entender? Acha que um padre casado poderia ser um bom padre? Uma mulher poderia ser um bom sacerdote?

Padre Nuno - O Amor feito entrega de vida é o mais importante! O celibato tem sentido na medida em que favoreça isso. O celibato não nos desumaniza. Sentimo-nos humanos como toda a gente. É uma matéria ‘disciplinar’ dentro da Igreja Católica Latina, nem sempre o foi ao longo da história. Pode ser reformada pela igreja, não é imposição é uma opção, uma forma de viver a nossa sexualidade. Com certeza que os homens casados podem ser bons padres bem como as mulheres, embora neste caso esteja a desfavor delas toda tradição, onde as mulheres nunca desempenharam estas funções na igreja, mas outras, que os homens nunca desempenharam nem puderam desempenhar.

efeneto - Como cidadão do Mundo e fase ao actual cenário, como vê o futuro do país a curto e médio prazo?

Padre Nuno - Julgo que passaremos por algumas dificuldades sociais, que se impõem algumas reformas sobretudo em matéria de político-social, onde por desgraça, se cometem injustiças de ‘bradar aos céus’. As reformas têm de começar por ‘cima’, tal como o exemplo tem de vir de “cima” (classe politica). É preciso mudar mentalidades, investir na formação das pessoas e sempre apoiar as famílias. Se somos parte do problema também somos parte da solução.

efeneto E do mundo?

Padre Nuno - O mundo tem de colocar o Ser Humano no centro de tudo e não o dinheiro, espero que seja capaz de fazer o que até agora ainda não fez: aprender com os erros passados.

efeneto - Entrando no domínio da fantasia (ou talvez não, pois o futuro apenas a Deus pertence) imagine que era escolhido para ser Papa. Quais as três primeiras coisas a fazer?

Padre Nuno - Convidava o @Efeneto para dinamizar o sitio na Internet da Santa Sé e depois resignava.

dezembro 29, 2008

O “Renascimento” da Urgeiriça




(Publicado na edição nº 121 do Jornal "Canas de Senhorim")
O “Renascimento” da Urgeiriça – Depois de anos de verdadeira “quarentena”, estigmatização, fuga de pessoas e de um denso manto de pessimismo, a Urgeiriça conheceu um ano de realizações, inaugurações e lançamento de projectos para o futuro. A conclusão dos trabalhos de recuperação ambiental da Barragem Velha, a criação do espaço lúdico da “Praia Fluvial”, a requalificação da Capela de Santa Bárbara, a instalação da sede dos Escuteiros na Antiga Escola Primária e a continuação das obras do anfiteatro são aspectos extremamente positivos, e de viragem, face ao clima de degradação e descrença de anos anteriores. A isto acresce o projecto de um “Museu do Mineiro” no antigo Balneário e o anúncio feito pela EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A da intenção de criar um “Centro de Conhecimento Radio Natura” na freguesia de Canas de Senhorim, projectos com um inegável potencial para revitalizar a Urgeiriça, criar empregos e dinamizar o sector turístico. Importa ainda destacar a solução encontrada para a Casa do Pessoal que, sem ser consensual, permite a criação de expectativas quanto à recuperação deste imóvel carregado de tanto simbolismo para gerações de mineiros.Injusto seria não focar a causa dos mineiros – liderada pelo Sr. António Minhoto – que em 2008 ganhou amplitude nos média e um cada vez maior consenso quanto à necessidade de se fazer justiça aos ex-mineiros e suas famílias, garantindo-lhes melhores condições materiais para poderem enfrentar as mazelas resultantes do tempo de trabalho na Empresa Nacional de Urânio.Estão por isso de parabéns todas as pessoas e instituições que contribuíram para os (felizmente muitos) acontecimentos e realizações que marcaram a Urgeiriça em 2008, com destaque maior para a EDM - Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A que, pelo montante do investimento realizado, fez justiça à Urgeiriça, suas gentes e ex-trabalhadores.Manuel Alexandre Henriques (mahenriques@sapo.pt)


outubro 17, 2008

Adeptos do nuclear tentam convencer partidos a discutir questão na próxima legislatura

Os adeptos da adopção do nuclear em Portugal vão tentar convencer os partidos políticos a discutir a questão na próxima legislatura. Por seu lado, o antigo eurodeputado Carlos Pimenta insiste que é um absurdo discutir a questão em Portugal.

Os apoiantes da construção de uma central nuclear em Portugal vão tentar convencer os partidos políticos a discutir a questão na próxima legislatura, uma vez que o actual Governo insiste em não abordar o assunto até às eleições de 2009.
Em apoio do nuclear, Pedro Sampaio Nunes junta agora o argumento da actual crise financeira internacional, que agravam, na sua opinião, os problemas de competitividade de Portugal.
«Se quisermos continuar a ir por uma via que nos obriga a empurrar cada vez mais para a frente os défices tarifários que alguém vai ter que pagar, a nossa geração ou as gerações futuras, então não se deve pensar no nuclear», acrescentou.
Ao contrário, «se quisermos pensar nas soluções que prometem todos os países hoje em dia serem competitivos e não terem necessidade de défices tarifários, então temos de encarar necessariamente o nuclear».
Este argumento não convence Carlos Pimenta, que entende que o nuclear é um «não há 25 anos» e que continuar a discutir a questão assemelha-se a um «exercício quase anedótico dos Gatos Fedorentos».
«É óbvio que o nuclear nunca foi necessário em Portugal e não é necessário em Portugal e hoje é completamente impossível sequer equaciona-lo em Portugal», adiantou o ex-eurodeputado.
Contra o nuclear, Carlos Pimenta recorda ainda o facto de haver poucos institutos públicos em Portugal para regular uma central deste género, precisando de dez anos para chegar a este pontos.
«Precisaria de um investimento brutal só para ter as agências de segurança do lado do Estado para controlar o processo. O país não foi capaz de resolver o problema das Minas de Urgeiriça», lembrou.
O antigo eurodeputado social-democrata referia-se à única instalação ligada ao nuclear que Portugal teve e, que segundo Carlos Pimenta, acabou por resultar na poluição das terras e da saúde pública desta localidade.
TSF Rádio Jornal

setembro 26, 2008

Na primeira pessoa


Um dia destes, escapando-me do sol inclemente e dos fedorentos contentores colocados junto à minha casa (nem sei se lhe posso chamar assim pois começo a interrogar-me como vou acabar de a pagar!) efectuei, em vez da pouco convidativa e contra-indicada caminhada, um pequeno passeio pelo Bairro da Urgeiriça, usufruindo a fresca sombra proporcionada pelos frondosos plátanos e tílias dispersos pelas bermas das ruas e jardins.
Já no fim, depois de revisitar o depósito e forno comunitário, sentei-me no muro que contorna o velhinho e de novo abandonado campo de futebol. Ali, à minha frente, a baliza norte, tinha um encanto especial. Era nela que com os colegas realizávamos os treinos de finalização (o muro livrava-nos de ir buscar as bolas à horta do Dias, como era na do lado oposto). Era junto a ela – primeiro feita de madeira em quina viva e depois em ferro redondo- que tirávamos todas as fotografias!
Desfolhando mentalmente o meu livro de memórias, recordei particularmente dois golos que nela se registaram e como nunca mais vi: - Um do velho Portugal contra a “Lufapo”, de Coimbra, num voo rente ao chão, em que, depois de forte cabeçada, ele e bola só pararam quando a rede da baliza os impediu de prosseguir e baterem na barreira; outro do Pirolito contra a Previdência de Viseu, em que num lançamento lateral ele de costas e ainda distante da baliza indica com os olhos onde o colega deveria colocar a bola e repentinamente, sem a deixar cair, em rotação completa, faz um remate espectacular que resultou num golo que deixou todos perplexos.
Enlevado, não me apercebi da aproximação de um contemporâneo que parecendo adivinhar os meus pensamentos, friamente me aconselha: “ Recorda os bons tempos pois daqui a pouco este espaço será transformado. Têm andado por aqui arquitectos e topógrafos e deve estar a ser preparado algum projecto…”.
Triste fim para um espaço de tanta glória (não só do pessoal das minas mas também dos fornos e do desportivo)!
Sem rodeios, se os terrenos fossem meus, teria sempre que admitir a rua rentabilização. Mas, com a crise instalada no sector da construção civil, (lembro que os espaços para preservação da memória estão definidos e alguns já em fase adiantada de execução) pensaria duas vezes antes de gastar fortunas em projectos que tal crise condenaria ao fracasso e inviabilizaria qualquer retorno.
Mas os terrenos são da EDM, esta é maioritariamente do Estado Português e este somos todos nós. E (como disse o Dr. Ginestal e, honra lhe seja feita, sempre o confirmou) tendo esse Estado uma dívida de gratidão para esta terra porque todos nós contribuímos com os nossos impostos para a construção de um país socialmente mais justo e com o nosso trabalho lhe proporcionámos a obtenção avultados proventos, então, porque não dar à terra aquele insignificante hectare de terreno?
Sem dúvida que, para ele, haverá projectos bem mais úteis.
Deixo aqui o meu projecto. Como é gratuito, não liguem à escala nem critiquem os traços. Não sou especialista nem tenho grandes ferramentas! E será sempre para ficar disponível para toda a população.
Mas o que eu gostaria mesmo era daqui a uns tempos poder dizer ao senhor Portugal que, finalmente, um pouco do seu esforço tinha sido devolvido às pessoas que ele tanto estima.
Mais: Gostaria de pedir ao Pirolito para manter a garra que o tem mantido entre nós, na sua luta titânica contra a doença, para no dia em que o campo nos seja devolvido voltar-mos a fazer uma salada de tomate e atum, como tantas vezes fazíamos antes dos treinos.
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[gentilmente oferecido por:]
João Marques
Jornal de Canas de Senhorim
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setembro 16, 2008

Urgeiriça forever


Sejamos honestos. Se frequentemente e com razão damos azo à nossa indignação perante a negligência, a falta de investimento e a displicência que grassa em Canas de Senhorim, não podemos, por outro lado, deixar de assinalar com agrado todo o processo de recuperação ambiental que tem vindo a ser levado a cabo na Urgeiriça.
Barragem Velha, Barragem Nova, Valinhos, Zona Industrial, Zona envolvente, tudo se conjuga para que a Urgeiriça volte a ser o lugar atractivo que já foi e a recuperar completamente das mazelas que a exploração descuidada do Urânio deixou.
Podemos dizer que todo este processo constituía obrigação do estado, o qual, ao longo de anos de exploração, arrecadou lucros incalculáveis, constituindo tal recuperação uma pequena parcela da que nos assiste por direito; podemos dizer que todas as obras juntas não pagam o sofrimento, a contaminação ambiental e as mortes implícitas que daí derivaram; podemos até continuar a reclamar mais justiça para os ex-trabalhadores das minas e a contestar a decisão que entrega o antigo campo de futebol dos “Urânios” à EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro), o que não podemos é deixar de reconhecer a obra feita e a que está em curso ou negar que, nesta área específica, os fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) chegaram a Canas de Senhorim, mais concretamente à Urgeiriça.
O “site” da EDM em tempos apontava para um investimento de cerca de 20 milhões de euros (actualmente não presta essa informação), dos quais uma parte significativa já foi consignada. Desconheço o(s) protocolo(s) efectuado(s) pela EDM com a Câmara de Asnelas, e lamento não ter a edilidade oportunamente consultado os associados da Casa do Pessoal da Urgeiriça que certamente lhe dariam conta do interesse em manter o campo de futebol, espaço afecto (e afectivo) à Casa do Pessoal e aos ex-trabalhadores. Se assim fosse, talvez as coisas tivessem sido diferentes, ou não, porque é sabido que a EDM através da sua associada EDMI (Empresa de Projectos Imobiliários) vislumbra recuperar parte do investimento da “holding” naquele espaço (e noutros). Espero que, pelo menos, tenham o bom senso de realizar projectos imobiliários adequados e articulados com a simpática arquitectura do bairro dos mineiros, privilegiando a natureza, o ambiente e os espaços verdes.
Quanto aos Valinhos, será com certeza um prazer para todos os canenses poderem dispor de um parque como o idealizado, isto se for dinamizado de uma forma sustentável e a Câmara colaborar na sua manutenção.
Temos de volta, aparentemente, e salvaguardadas as circunstâncias, a Urgeiriça dos anos 60, local que à altura e juntamente com o Caramulo eram das zonas mais aprazíveis da Beira Alta. Fico contente por isso, como diria o outro, já fui muito feliz na Urgeiriça.
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PortugaSuave
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maio 28, 2008

Projecto-Lei


O Bloco de Esquerda apresentou, em Maio de 2005, (um projecto de resolução) que recomenda ao governo que proceda a medidas urgentes no sentido da requalificação ambiental de todas as áreas onde funcionaram minas de urânio. Como se pode ler, aí fazemos referência à saúde pública e ocorrência de neoplasias malignas. Uns dias antes, também em Maio de 2005, apresentámos (um projecto-lei) para alargar o regime de antecipação da idade de acesso à pensão para velhice, desde os 50 anos, a todos os trabalhadores que trabalharam na ENU - como é reivindicação da AZU. Já em 15 de Maio de 2002, o BE tinha apresentado (um projecto de resolução) (já caducado) sobre o encerramento da ENU onde se incluía:
delimitação, identificação, sinalização e vedação...
perímetros de protecção
monitorização de águas pluviais, cursos de água e solos
medidas para o minério
estudos epidemiológicos das populações
O Bloco de Esquerda é assim, muito largamente, o partido que mais se posicionou em defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações afectadas. Nalguns exemplos, como em apresentação de projecto-lei, o único a fazê-lo.

abril 28, 2008

Opiniões...


Faltam arranjar o bairro para findar a requalificação.
O Supremo Tribunal de Justiça ainda tem pendente o recurso de um antigo engenheiro da Urgeiriça que não aceitou as condições propostas e recorreu aos tribunais. Entretanto foi conhecida mais a morte de um antigo trabalhador das minas da Urgeiriça, em Nelas. Falta reabilitar o bairro dos mineiros para que o processo de requalificação ambiental das minas fique concluído. Em 1991, a Empresa Nacional de Urânio (ENU), de capitais exclusivamente públicos) entrou em processo de falência e iniciou os primeiros despedimentos. Em 1995 um decreto-lei definiu um regime especial de acesso às pensões de invalidez e velhice para os trabalhadores do interior das minas. Em 2004, a ENU encerrou definitivamente na sequência do processo de liquidação iniciado em Março de 2001. Porém um engenheiro da mina não aceitou as condições propostas para o despedimento e recorreu aos tribunais. Após ter perdido na primeira instância o processo chegou ao Supremo que já anteriormente condenou o Estado a indemnizar outros oito trabalhadores que ali pediram justiça.

Desde 2001 que os mineiros lutam pela equiparação de todos a trabalhadores do fundo de mina e por indemnizações às famílias daqueles que morreram com cancro. António Minhoto fala "nos 60 trabalhadores que estiveram expostos à radioactividade e que têm vindo a registar problemas de saúde, nomeadamente nos pulmões e na tiróide". O registo desta macabra contabilidade é feito por Carlos Rocha, que este mês já colocou dois riscos na extensa lista de nomes, manuscritos, de que é o fiel depositário. A lista contém os nomes da grande maioria dos mineiros que trabalharam na Urgeiriça. Cada vez que um morre, a lista perde um nome e ganha um risco. Entretanto no horizonte dos mineiros há outras sombras: a comissão de moradores do Bairro Mineiro, na Urgeiriça, pouco conhece das obras acordadas no projecto de requalificação ambiental a cargo da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM). Carlos Rocha é hoje comerciante depois de durante anos ter sido funcionário da Cantina das Minas da Urgeiriça, que adquiriu em 2001. A cantina passou a mercearia e café agora com propriedade privada, mas nada mudou. É lá que os antigos mineiros se encontram e por lá passam todas as conversas da mina. Só este mês o comerciante registou duas perdas na mais de centena de riscos que já se acumularam desde que lhe caiu a incumbência de tão negra cifra. Miguel Ramos, o último nome conhecido de uma extensa lista de mineiros que já ultrapassou a centena de mortos, foi sepultado na semana passada. Estava internado no hospital de Viseu (morreu de cancro e trabalhou 20 anos nas minas). No início do mês morreu outro mineiro. De Santiago de Cassurrães, em Mangualde. Uma breve pesquisa indica que só em 2007 terão morrido seis, três deles em Maio. Mas "ao certo apenas se sabe que já ultrapassaram a centena", revela António Minhoto, dirigente dos ex-trabalhadores. Carlos Marques trabalhou 20 anos no fundo da mina. Foi o principal impulsionador da criação de uma comissão de trabalhadores e aponta o dedo aos responsáveis da ENU que "nunca informou os trabalhadores dos riscos que corriam ao tratar de urânio". Ricardo Figueiredo, que trabalhou nas oficinas, adianta que "nem quando as luvas já eram obrigatórias eles as forneciam". Anos e anos de mineração que acabaram por se traduzir em largas dezenas de mineiros vítimas de doença profissional que "o Estado, que era o empregador, insiste em não reconhecer". Ontem na cantina, hoje na mercearia, os mineiros, os reformados e os que mudaram de profissão continuam a encontrar-se. E de cada vez que a conversa puxa à mina os ânimos exaltam-se. Apesar disso, garantem, "somos todos amigos". Hoje sobram menos de quatro centenas de antigos mineiros da ENU, que continuam a ser dizimados pelo cancro, doença que corrói dezenas de homens que, durante décadas, extraíram urânio das minas da ENU espalhadas pelos distritos de Viseu e Guarda. Ninguém conhece com exactidão os números dos mortos. A ENU explorou minas nestes dois distritos. Alguns trabalhadores tinham vínculo ao Estado, outros trabalhavam ao dia.

fevereiro 24, 2008

Artigo de Opinião

No pódio das desgraças Realmente a imagem merece todo este destaque, aproveitando o software que se encontra um pouco por todo o lado é possível colocar um dos símbolos das minas da Urgeiriça - no pódio. A diferença é que o que foi outrora um posto de trabalho é agora sinónimo de risco para a saúde pública. É um facto que a ciência e as sociedades mudam, o que outrora era visto com normal poderá ser visto à luz do novo conhecimento científico como um risco. Por exemplo: a radioactividade, para quem não sabe as águas com maior teor radioactivo, se assim lhe posso chamar, eram até sensivelmente ao meio do século passado vistas como águas milagrosas, depois o terror da bomba atómica clarificou os seus perigos. Outro exemplo vem da polémica da co-incineração, onde a questão das dioxinas e dos furanos reflecte o avanço da ciência e da técnica, pois antes era impossível medir estas partículas e por isso impossível de estabelecer uma relação entre emissão e efeitos na saúde pública.
*
Artigo gentilmente cedido por, José do blog Nelas

novembro 05, 2007

Os riscos da exploração do urânio

A reactivação da exploração de urânio tem conhecido nos últimos anos um crescimento acelerado. Só no continente asiático estão previstos 16 novos projectos de mineração e nos EUA 15 (informação do projecto WISE) . O aumento do preço do urânio no mercado internacional, que subiu 10 vezes mais nos últimos 5 anos, impulsionado pela procura de electricidade produzida por centrais nucleares e a expectativa de expansão desta indústria altamente insustentável, tem motivado esta opção.

Em Portugal coloca-se agora a corrida à exploração das 4.100 toneladas de urânio de Nisa, considerada a única zona do país onde esta pode ser economicamente rentável. Nove consórcios já mostraram o seu interesse, estando a Direcção-Geral de Geologia e Energia a elaborar os cadernos de encargos de abertura de um concurso internacional para a atribuição da concessão de exploração, a qual poderá ser conhecida até ao final de 2009.

Tal como no passado, apesar dos avanços tecnológicos e das regulações ambientais, a exploração de urânio pode trazer elevados impactos para a região. Coloca-se o ambiente e a saúde das populações em risco, em nome de um projecto que terá um período de vida útil de 6 a 8 anos e criará pouco emprego. Numa zona deprimida do país, coloca-se em risco as oportunidades de desenvolvimento local sustentável, assente em vectores estratégicos que retiram mais-valias da riqueza natural e patrimonial do território, ao mesmo tempo que preservam o ambiente e potenciam o emprego durável e a qualidade de vida local.

Esta é uma opção estruturante para o território local e a forma de encarar o interior do país. Ou a criação de riqueza fácil que pouco ou nada deixará para os território locais e as suas gentes, gerando problemas ambientais e sociais que ficarão para o Estado resolver num futuro longo em que só a desertificação humana é expectável, ou a aposta em eixos de desenvolvimento que criam dinamismo local geradores de emprego, rejuvenescimento populacional, qualidade no ambiente e paisagem, coesão social.

Vivemos num país em que a exploração de urânio do passado (nas 61 explorações mineiras existentes no país) acarretou um enorme passivo ambiental e impactes negativos na saúde pública das populações, que ainda hoje se manifestam e continuam por resolver. As minas encerradas continuam a ser responsáveis, além de poluição visual, pela presença de poeiras tóxicas na atmosfera e por situações de contaminação de solos, cursos de água e lençóis freáticos.
O acondicionamento dos milhares de toneladas de escórias, resultantes do tratamento do minério, em escombreiras e barragens de estéreis, sem que nada tenha sido feito durante décadas, deixou um pesado legado de degradação do ambiente e nas condições de vida em 18 concelhos do território nacional.

Existem cerca de 7,8 milhões m3 de resíduos, dos quais 3 milhões representam maior perigo de contaminação. As minas da Urgeiriça, no concelho de Nelas, em Viseu, têm as maiores fontes de radioactividade, representando a quase totalidade dos resíduos. O estudo MinUrar - Minas de Urânio e seus Resíduos: Efeitos na Saúde da População, coordenado pelo Observatório Nacional de Saúde, concluiu que a população de Canas de Senhorim, exposta às minas da Urgeiriça, apresenta uma diminuição das funções da tiróide, da capacidade reprodutiva de homens e mulheres e do número de glóbulos vermelhos, brancos e de plaquetas no sangue.

Para resolver os problemas associados às explorações uraníferas abandonadas estima-se que será necessário um investimento na ordem dos 70 milhões de euros.

Pouco ou muito pouco foi ainda feito. E continuam a morrer ex-trabalhadores das minas de urânio sem que as famílias recebam indemnizações; não se realizam estudos nem se faz o acompanhamento médico prolongado das populações que vivem nesses territórios; não existe qualquer compensação aos municípios pela degradação ambiental gerada por actividades económicas supostamente de interesse nacional. E estas mesmas questões mantêm-se actuais se a reactivação das minas de Nisa avançar, pois não há quaisquer garantias por parte do Estado ou dos concessionários que vão explorar o urânio. Pois os efeitos, sobretudo na saúde, da mineração de urânio podem vir a manifestar-se num tempo demasiado longo, mantendo-se para as gerações futuras.

Algumas notas sobre a extracção de urânio:

Mesmo as maiores jazidas contêm menos de 1% de urânio: uma grande quantidade de rocha tem de ser extraída para se obter quantidades úteis de urânio. Grande parte desta rocha é esmagada em partículas muito finas, quase tão radioactivas como o urânio e que se dispersam facilmente pelo ar. Para se extrair o urânio geralmente são utilizadas grandes quantidades de água, ácido sulfúrico e composto ligante sobre estas partículas. Com a maioria do urânio removido (cerca de 90%), as escórias são armazenadas em escombreiras ou barragens. O nível de radiação destes resíduos pode ser 20 a 100 vezes superior aos níveis naturais dos encontrados nas jazidas superficiais, e têm de ser armazenados por centenas a milhares de anos até atingirem um estado estável. As poeiras radioactivas, os materiais tóxicos e o radão gerados ao longo destes processos e presentes nos resíduos podem dispersar-se facilmente, contaminando pessoas e ecossistemas.
Outro processo de extracção do urânio muito comum é através da injecção na água subterrânea de soluções altamente ácidas ou alcalinas. Este é um processo altamente contaminante, tanto dos lençóis freáticos, do solo e da rocha, mas também gerando resíduos altamente radioactivos e tóxicos.

Rita Calvário