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abril 16, 2010

PARLAMENTO: Rita Calvário quer esclarecimentos sobre reactivação da exploração de urânio

Declarações recentes do Secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, dão conta do interesse do Governo em reactivar a exploração de urânio em Portugal, considerando que esta "é muito importante do ponto de vista na energia mas também é um recurso geológico e mineiro".
Perante este cenário, a deputada do Bloco de Esquerda, Rita Calvário questionou o Governo, através do Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento (MEID) e do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT), sobre se pretende o Governo reactivar a exploração de urânio em Portugal, nomeadamente em Nisa e Vilariça?
Fique com o texto integral das questões apresentadas ao MEID.
Assunto: Reactivação da exploração de urânio
Destinatário: Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Declarações recentes do Secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, dão conta do interesse do Governo em reactivar a exploração de urânio em Portugal, considerando que esta "é muito importante do ponto de vista na energia mas também é um recurso geológico e mineiro".
De acordo com Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A. (EDM), estão identificados dois jazigos importantes em Portugal, um em Nisa e outro em Vilariça.
Este assunto não é novo e repetidamente surgem notícias sobre este assunto, mas sem que o Governo esclareça cabalmente as suas intenções.
No concelho de Nisa, onde se situa a maior jazida do país com mais de 4.100 toneladas de urânio, a população e a autarquia têm-se mobilizado fortemente contra os projectos de exploração das minas. Esta posição é totalmente compreensível quando a jazida, com mais de 30 hectares e situada parcialmente em zona de Reserva Ecológica e Reserva Agrícola Nacional, situa-se apenas a 2 quilómetros do núcleo urbano de Nisa, considerando todos os impactes ambientais e para a saúde pública e qualidade de vida das populações que a actividade extractiva acarreta.
Além disso, este concelho está integrado no único Geoparque do país e tem 60% do seu território classificado como Rede Natura 2000, sendo estes valores ambientais, paisagísticos e patrimoniais que constituem a mais-valia e referência para o desenvolvimento da economia e do emprego locais: é o caso da abertura do complexo termal em Abril de 2009, considerado um dos projectos âncora de desenvolvimento do Norte Alentejano, beneficiário de apoios do QREN e gerador de centenas de postos de trabalho directos e indirectos, cuja actividade é incompatível com a presença lado a lado com a extracção de urânio.
Também não nos podemos esquecer as negativas consequências que a exploração de urânio no passado trouxe para os trabalhadores das minas, a saúde e qualidade de vida das populações, como o pesado legado ambiental que deixou. Ainda hoje as minas encerradas são responsáveis, além de poluição visual, pela presença de poeiras tóxicas na atmosfera, pela contaminação de solos, cursos de água e lençóis freáticos. São conhecidas as mortes por cancro dos trabalhadores das minas da Urgeiriça ou o predomínio de certas doenças na população de Canas de Senhorim devido à exposição com o urânio.
A experiência do passado e as suas consequências actuais significam que não podemos aceitar os riscos colocados pela reactivação da exploração de urânio, sem que exista, pelo menos, uma avaliação, assente em estudos aprofundados, sobre os seus “efeitos conjugados, directos e indirectos, nos planos ambiental, social e económico”, conforme coloca o documento do PROT- Alentejo.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento, as seguintes perguntas:
Pretende o Governo reactivar a exploração de urânio em Portugal, nomeadamente em Nisa e Vilariça?
2. Prevê o Governo elaborar um plano de avaliação sobre a exploração de urânio em Portugal, onde tenha em conta os seus impactes ambientais, sociais e económicos?
3. Existem pedidos de licenciamento para a pesquisa e prospecção de urânio? Se sim, em que estado se encontram estes processos, a que minas se referem, quem são os proponentes e o destino do urânio extraído, quais são as metodologias de extracção, tratamento e armazenamento a utilizar?
4. Vai o Ministério permitir a exploração de urânio no concelho de Nisa, contrariando a opinião já manifestada pela população e autarquia a este respeito e colocando em causa as condições ambientais, de saúde pública e qualidade de vida dos seus habitantes, como os projectos de desenvolvimento da economia e emprego locais em curso?
Palácio de São Bento, 15 de Abri l de 2010.
A Deputada
Rita Calvário
Declarações recentes do Secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, dão conta do interesse do Governo em reactivar a exploração de urânio em Portugal, considerando que esta "é muito importante do ponto de vista na energia mas também é um recurso geológico e mineiro".
Perante este cenário, a deputada do Bloco de Esquerda, Rita Calvário questionou o Governo, através do Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento (MEID) e do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT), sobre se pretende o Governo reactivar a exploração de urânio em Portugal, nomeadamente em Nisa e Vilariça?
Fique com o texto integral das questões apresentadas ao MEID.
Assunto: Reactivação da exploração de urânio
Destinatário: Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Declarações recentes do Secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, dão conta do interesse do Governo em reactivar a exploração de urânio em Portugal, considerando que esta "é muito importante do ponto de vista na energia mas também é um recurso geológico e mineiro".
De acordo com Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A. (EDM), estão identificados dois jazigos importantes em Portugal, um em Nisa e outro em Vilariça.
Este assunto não é novo e repetidamente surgem notícias sobre este assunto, mas sem que o Governo esclareça cabalmente as suas intenções.
No concelho de Nisa, onde se situa a maior jazida do país com mais de 4.100 toneladas de urânio, a população e a autarquia têm-se mobilizado fortemente contra os projectos de exploração das minas. Esta posição é totalmente compreensível quando a jazida, com mais de 30 hectares e situada parcialmente em zona de Reserva Ecológica e Reserva Agrícola Nacional, situa-se apenas a 2 quilómetros do núcleo urbano de Nisa, considerando todos os impactes ambientais e para a saúde pública e qualidade de vida das populações que a actividade extractiva acarreta.
Além disso, este concelho está integrado no único Geoparque do país e tem 60% do seu território classificado como Rede Natura 2000, sendo estes valores ambientais, paisagísticos e patrimoniais que constituem a mais-valia e referência para o desenvolvimento da economia e do emprego locais: é o caso da abertura do complexo termal em Abril de 2009, considerado um dos projectos âncora de desenvolvimento do Norte Alentejano, beneficiário de apoios do QREN e gerador de centenas de postos de trabalho directos e indirectos, cuja actividade é incompatível com a presença lado a lado com a extracção de urânio.
Também não nos podemos esquecer as negativas consequências que a exploração de urânio no passado trouxe para os trabalhadores das minas, a saúde e qualidade de vida das populações, como o pesado legado ambiental que deixou. Ainda hoje as minas encerradas são responsáveis, além de poluição visual, pela presença de poeiras tóxicas na atmosfera, pela contaminação de solos, cursos de água e lençóis freáticos. São conhecidas as mortes por cancro dos trabalhadores das minas da Urgeiriça ou o predomínio de certas doenças na população de Canas de Senhorim devido à exposição com o urânio.
A experiência do passado e as suas consequências actuais significam que não podemos aceitar os riscos colocados pela reactivação da exploração de urânio, sem que exista, pelo menos, uma avaliação, assente em estudos aprofundados, sobre os seus “efeitos conjugados, directos e indirectos, nos planos ambiental, social e económico”, conforme coloca o documento do PROT- Alentejo.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento, as seguintes perguntas:
Pretende o Governo reactivar a exploração de urânio em Portugal, nomeadamente em Nisa e Vilariça?
2. Prevê o Governo elaborar um plano de avaliação sobre a exploração de urânio em Portugal, onde tenha em conta os seus impactes ambientais, sociais e económicos?
3. Existem pedidos de licenciamento para a pesquisa e prospecção de urânio? Se sim, em que estado se encontram estes processos, a que minas se referem, quem são os proponentes e o destino do urânio extraído, quais são as metodologias de extracção, tratamento e armazenamento a utilizar?
4. Vai o Ministério permitir a exploração de urânio no concelho de Nisa, contrariando a opinião já manifestada pela população e autarquia a este respeito e colocando em causa as condições ambientais, de saúde pública e qualidade de vida dos seus habitantes, como os projectos de desenvolvimento da economia e emprego locais em curso?
Palácio de São Bento, 15 de Abri l de 2010.
A Deputada
Rita Calvário
Declarações recentes do Secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, dão conta do interesse do Governo em reactivar a exploração de urânio em Portugal, considerando que esta "é muito importante do ponto de vista na energia mas também é um recurso geológico e mineiro".
Perante este cenário, a deputada do Bloco de Esquerda, Rita Calvário questionou o Governo, através do Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento (MEID) e do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT), sobre se pretende o Governo reactivar a exploração de urânio em Portugal, nomeadamente em Nisa e Vilariça?
Fique com o texto integral das questões apresentadas ao MEID.
Assunto: Reactivação da exploração de urânio
Destinatário: Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Declarações recentes do Secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, dão conta do interesse do Governo em reactivar a exploração de urânio em Portugal, considerando que esta "é muito importante do ponto de vista na energia mas também é um recurso geológico e mineiro".
De acordo com Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A. (EDM), estão identificados dois jazigos importantes em Portugal, um em Nisa e outro em Vilariça.
Este assunto não é novo e repetidamente surgem notícias sobre este assunto, mas sem que o Governo esclareça cabalmente as suas intenções.
No concelho de Nisa, onde se situa a maior jazida do país com mais de 4.100 toneladas de urânio, a população e a autarquia têm-se mobilizado fortemente contra os projectos de exploração das minas. Esta posição é totalmente compreensível quando a jazida, com mais de 30 hectares e situada parcialmente em zona de Reserva Ecológica e Reserva Agrícola Nacional, situa-se apenas a 2 quilómetros do núcleo urbano de Nisa, considerando todos os impactes ambientais e para a saúde pública e qualidade de vida das populações que a actividade extractiva acarreta.
Além disso, este concelho está integrado no único Geoparque do país e tem 60% do seu território classificado como Rede Natura 2000, sendo estes valores ambientais, paisagísticos e patrimoniais que constituem a mais-valia e referência para o desenvolvimento da economia e do emprego locais: é o caso da abertura do complexo termal em Abril de 2009, considerado um dos projectos âncora de desenvolvimento do Norte Alentejano, beneficiário de apoios do QREN e gerador de centenas de postos de trabalho directos e indirectos, cuja actividade é incompatível com a presença lado a lado com a extracção de urânio.
Também não nos podemos esquecer as negativas consequências que a exploração de urânio no passado trouxe para os trabalhadores das minas, a saúde e qualidade de vida das populações, como o pesado legado ambiental que deixou. Ainda hoje as minas encerradas são responsáveis, além de poluição visual, pela presença de poeiras tóxicas na atmosfera, pela contaminação de solos, cursos de água e lençóis freáticos. São conhecidas as mortes por cancro dos trabalhadores das minas da Urgeiriça ou o predomínio de certas doenças na população de Canas de Senhorim devido à exposição com o urânio.
A experiência do passado e as suas consequências actuais significam que não podemos aceitar os riscos colocados pela reactivação da exploração de urânio, sem que exista, pelo menos, uma avaliação, assente em estudos aprofundados, sobre os seus “efeitos conjugados, directos e indirectos, nos planos ambiental, social e económico”, conforme coloca o documento do PROT- Alentejo.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento, as seguintes perguntas:
Pretende o Governo reactivar a exploração de urânio em Portugal, nomeadamente em Nisa e Vilariça?
2. Prevê o Governo elaborar um plano de avaliação sobre a exploração de urânio em Portugal, onde tenha em conta os seus impactes ambientais, sociais e económicos?
3. Existem pedidos de licenciamento para a pesquisa e prospecção de urânio? Se sim, em que estado se encontram estes processos, a que minas se referem, quem são os proponentes e o destino do urânio extraído, quais são as metodologias de extracção, tratamento e armazenamento a utilizar?
4. Vai o Ministério permitir a exploração de urânio no concelho de Nisa, contrariando a opinião já manifestada pela população e autarquia a este respeito e colocando em causa as condições ambientais, de saúde pública e qualidade de vida dos seus habitantes, como os projectos de desenvolvimento da economia e emprego locais em curso?
Palácio de São Bento, 15 de Abri l de 2010.
A Deputada Rita Calvário

setembro 20, 2008

Cancro mata mais um mineiro da extinta ENU

Antigos trabalhadores preparam no sábado
novas jornadas de luta
com movimentos cívicos de Nisa.
Ao todo, já morreram de cancro 115 trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio, desde meados da década de 90. Os mineiros não querem que o urânio volte a ser explorado. Mas em Nisa há essa possibilidade. Vai haver luta.
Morre em média, vítima de doenças do foro oncológico, um trabalhador por mês da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU). O último faleceu há menos de uma semana, engrossando a lista de mortes (115) de antigos mineiros, desde que a exploração de urânio terminou em Portugal, em meados da década de 90.
As contas são da comissão de antigos trabalhadores da ENU, que no próximo sábado recebe na Urgeiriça, movimentos cívicos de Nisa e a delegação de Portalegre da Quercus, para uma sessão de trabalhos e de visitas a complexos mineiros desactivados e abandonados na região, entre eles o da Cunha Baixa, no concelho de Mangualde.
No encontro deverá ser aprovada uma moção para a realização, já em Outubro, de uma jornada de luta em Nisa, concelho onde está localizado o maior jazigo de urânio do país, um filão que o governo pretende explorar já a partir de 2009, contra a vontade das populações.
"A deslocação de ambientalistas de Nisa à Urgeiriça, e o programa de visitas às antigas minas abandonadas que temos planeado para este sábado, servirá para debatermos os malefícios à saúde humana causados pela exploração do urânio", explica António Minhoto, porta-voz da comissão de trabalhadores da extinta ENU.
"Vamos promover esta iniciativa num ambiente de dor, já que mais um antigo trabalhador da ENU acaba de falecer, vítima de cancro", afirma Minhoto, prometendo não baixar os braços na luta contra as intenções do governo de retomar a exploração do urânio.
O homem que faleceu era do concelho de Penalva do Castelo e "trabalhava como sondador, fazia sondagens nos terrenos de urânio", lembra o porta-voz.
A jornada de luta em Nisa, em Outubro (o dia será marcado no sábado), contará com a participação e a solidariedade dos ex-mineiros da Urgeiriça e dos restantes trabalhadores das minas já desactivadas localizadas na Região Centro.
"Será um dia em cheio. Haverá uma tribuna cívica aberta a todos, e depois a marcha da indignação em direcção ao local da mina de urânio de Nisa", antecipa António Minhoto.
"Em Nisa, a Assembleia Municipal já votou contra a sua exploração. E os movimentos cívicos locais, juntamente com a Quercus de Portalegre, estão muito activos e decididos em que a exploração não venha a ser uma realidade. Ninguém quer isso. As pessoas sabem dos perigos que podem correr", afirma Minhoto.
Rui Bondoso; JN