O portal de Canas de Senhorim
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janeiro 05, 2010

Programa de saúde regista mais inscritos

O passivo ambiental deixado pelas minas da Urgeiriça tem constituido um problema para saúde pública, não só dos que laboraram directamente com o urânio, como também das gerações que habitam em redor dos locais contaminados.Os riscos foram analisados pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge, num estudo coordenado por Marinho Falcão. A avaliação contou com a participação de 966 pessoas. Segundo o estudo, efectuado também em Queira, concelho deVouzela, Rio de Mel, concelho de São Pedro do Sul, Moreira do Rei, concelho de Nelas, Sátão, Campo, em Viseu, e Seia, revelou que existem concentração de substâncias radioactivas nos soles e na água, bem como nos prrodutos hortícolas da região. O Hospital de Viseu mantêm um programa para realização dos exames médicos dos mineiros. O secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, salientou, durante a apresentação da requalificação das obras da Barragem Velha, que já se inscreveram no programa 247 antigos funcionários. O dirigente reforçou que é necessário "valorizar os cuidados de saúde prestados à população de Canas de Senhorim" e que também é necessário "monitorizar com cuidado e rigor a saúde dos antigos mineiros".
Jornal do Centro . PT

março 07, 2009

CDS/PP apresentou projecto de lei sobre reivindicações de antigos trabalhadores

Viseu, 06 Mar (Lusa) - O CDS/PP apresentou quinta-feira um projecto de lei para dar resposta às reivindicações dos antigos trabalhadores da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU), que será discutido na Assembleia da República, na próxima sexta-feira.
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O Bloco de Esquerda foi o primeiro partido a agendar a discussão do projecto de lei para dia 13 de Março, seguindo-se o PCP, PSD e, por último, o CDS-PP.

Hélder Amaral, deputado do CDS/PP, explicou que o projecto de lei, apresentado esta quinta-feira na Assembleia da República, "serve para mostrar aos antigos trabalhadores da ENU que esta é uma matéria que preocupa" o partido.

Os antigos trabalhadores lutam há vários anos para que mesmo aqueles que não tinham vínculo à ENU na data da sua dissolução sejam abrangidos por um decreto-lei (nº 28/2005, de 10 de Fevereiro) que os equipare a trabalhadores de fundo de mina, dando benefícios na idade da reforma, e para que sejam pagas indemnizações aos familiares dos que morreram de doenças relacionadas com a exposição à radioactividade.

Hélder Amaral explicou que a proposta do CDS/PP pretende ser "justa e razoável, não servindo apenas para agradar aos antigos trabalhadores".

"O projecto de lei do CDS/PP prevê que sejam concedidos benefícios aos antigos trabalhadores com um vínculo de pelo menos três anos com a empresa e pagas as indemnizações aos familiares dos trabalhadores nesta situação, que morreram pela exposição à radioactividade", explicou.

O deputado do CDS/PP sublinhou que este "não é um projecto de lei fechado, podendo proceder-se a alterações, caso se justifiquem".

"Sábado vamos reunir com os trabalhadores e é preciso quantificar casos e fazer contas, porque sabemos que se for grande o impacto no orçamento, o projecto de lei poderá ser chumbado", alegou.

O porta-voz dos antigos trabalhadores da ENU, António Minhoto, congratulou-se com a apresentação do projecto de lei do CDS/PP, considerando tratar-se de "um reforço da luta".

"Este projecto de lei apresentado pelo CDS/PP vem atestar que o PS está isolado. É lamentável que o PS não entenda o que se passa", considerou, relembrando que a 07 de Março do ano passado, o PS chumbou na Assembleia da República os projectos de lei do PSD, do PCP e do BE.

António Minhoto referiu que no próximo dia 13 de Março os antigos trabalhadores da ENU vão marcar presença na Assembleia da República, "com a esperança que o assunto fique definitivamente resolvido".

"Se o projecto de lei for chumbado, será mais uma posição contra os trabalhadores. Cabe ao PS impedir uma vigília à entrada da residência do primeiro-ministro", avançou.

Com sede na Urgeiriça, Canas de Senhorim, concelho de Nelas, a ENU teve desde 1977 a seu cargo a exploração de minas de urânio em Portugal. A empresa entrou em processo de liquidação em 2001 e encerrou definitivamente no final de 2004.


Lusa/Fim

março 06, 2009

Ex mineiros Fazem-se ouvir a partidos da oposição

Ex-mineiros reúnem com partidos da oposição

A comissão de antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) reúne segunda-feira, dia 9, com o PSD, o PCP e o BE para preparar a discussão dos novos projectos de lei que serão eleborados por esses partidos e que respondem às reivindicações dos ex-mineiros.

Há vários anos que os antigos trabalhadores lutam para que todos os ex-mineiros, mesmo aqueles que não tinham vínculo à ENU na data da sua dissolução, sejam abrangidos pelo decreto-lei n.º 28/2005 de 10 de Fevereiro que os equipare a trabalhadores de fundo de mina, dando benefícios na idade da reforma, bem como para que sejam pagas indemnizações aos familiares dos que morreram de doenças relacionadas com a exposição à radioctividade.

O porta-voz da comissão de antigos trabalhadores, António Minhoto, refere que na segunda-feira será dado a conhecer aos três partidos a morte de mais um antigo mineiro com cancro. O homem, morava no concelho de Nelas, tinha mais de 70 anos.

Os projectos lei vao ser discutidos no próximo dia 13. De relembrar que, em 7 de Março de 2008, o PS chumbou na Assembleia da República projectos de lei do PSD, do PCP e do BE.

De acordo com António Minhoto, já faleceram perto de 120 trabalhadores com doenças cancerígenas. O porta-voz espera que os exames de saúde gratuitos cheguem a todos os ex-mineiros de forma a prevenir alguma situações. Nos últimos exames realizados, foi detectado cancro de pulmão num antigo trabalhador da ENU.

Segundo o relatório Minurar, a exposição à radioactividade pode propiciar o desenvolvimento mais rápido de patologias cancerosas.

António Minhoto espera que a Assembleia da República seja sensível aos problemas dos antigo trabalhadores da ENU.
in Jornal do Centro ed. 364, 06 de Março de 2009

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Partidos vão ouvir mineiros de Canas

A comissão de antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio reúne segunda-feira com o PSD, o PCP e o BE para preparar a discussão dos novos projectos de lei destes partidos que respondem às suas reivindicações.

Os antigos trabalhadores lutam há vários anos para que mesmo aqueles que não tinham vínculo à ENU na data da sua dissolução sejam abrangidos por um decreto-lei (nº 28/2005, de 10 de Fevereiro) que os equipare a trabalhadores de fundo de mina, dando benefícios na idade da reforma, e para que sejam pagas indemnizações aos familiares dos que morreram de doenças relacionadas com a exposição à radioactividade. A 7 de Março do ano passado, o PS chumbou na Assembleia da República projectos de lei do PSD, do PCP e do BE. Outros novos, que apresentam algumas alterações, foram entretanto apresentados pelos mesmos partidos e serão discutidos no próximo dia 13.

"Segunda-feira vamos reunir com os três partidos e vamos dar-lhes conta de que esta semana morreu mais um antigo mineiro com cancro", disse o porta-voz da comissão de antigos trabalhadores, António Minhoto.

O homem, residente em Vila Ruiva, concelho de Nelas, tinha mais de 70 anos mas, segundo António Minhoto, "a verdade é que, mais novos ou mais velhos, de uma forma ou de outra, os antigos trabalhadores da ENU morrem cancerosos".

"O relatório Minurar refere que a exposição à radioactividade pode desenvolver mais rápido as patologias cancerosas", recordou, estimando que já perto de 120 trabalhadores tenham morrido com doenças cancerígenas.

"Espero que mais esta morte, em vésperas da discussão dos projectos de lei, sirva para mostrar ao Governo e ao PS que há uma realidade concreta, porque os números falam por si", acrescentou. António Minhoto contou que ainda recentemente, no âmbito dos exames médicos que estão a ser feitos aos antigos trabalhadores da ENU, "foi detectado cancro de pulmão a um". "É importante que os exames cheguem a todos e que a Assembleia da República seja sensível à necessidade de minimizar os nossos problemas", frisou.
in Jornal de Noticias 05-03-2009

outubro 31, 2008

Para Recordar...

Cinema Paraíso

Fui contactado por um amigo, sugerindo que eu escrevesse um curto texto exteriorizando os sentimentos que me assolam face á notícia do possível encerramento da Casa de Pessoal das Minas da Urgeiriça.
A Urgeiriça que cresceu em função da ex-exploração de uma mina, sempre foi, á sua medida, um espaço com um traço cosmopolita. Nela residiam pessoas das mais diversas origens demográficas, sociais e culturais.
E no centro de tudo, o denominador comum, a Casa do Pessoal como ponto harmonizador.
Visto á distancia, confesso o meu orgulho por ter crescido ali, por ter podido usufruir da imensa actividade cultural e desportiva que aquele lugar proporcionou.
Por isso aqui digo, para que conste: ali não está um simples edifício. Está um espaço onde gerações de adultos e crianças aprenderam a ver cinema, a ver e fazer teatro, a conviver e praticar música e desporto.
Ao destrui-lo é uma parte da nossa memória individual e colectiva que é amputada.
Fica aqui o meu voto de protesto.
Nunca pensei ter que evocar Tornattore.
Gustavo Cordeiro
*****
Lembro-me…

Lembro-me dos filmes de cinema e das peças de teatro…
Lembro-me das festas de Natal e dos espectáculos…
Lembro-me de magnífico Ano Mundial da Criança…

E da leitura dos jornais diários…
E dos jogos da sueca…
E do ping-pong…
E…
E para amanhã todos os que vivem e viverão na Urgeiriça se lembrem, da “velha”, mas sempre aberta, Casa do Pessoal que faz parte o património de quem ali vive e é de todos.
Hoje é a Casa de Pessoal de todos os que na Urgeiriça moram, dos que já moraram e esperemos também os que aí vão morar um dia!

Albertino Neves
In: Jornal de Canas de Senhorim nº 107
30 de Outubro de 2007

setembro 26, 2008

Na primeira pessoa


Um dia destes, escapando-me do sol inclemente e dos fedorentos contentores colocados junto à minha casa (nem sei se lhe posso chamar assim pois começo a interrogar-me como vou acabar de a pagar!) efectuei, em vez da pouco convidativa e contra-indicada caminhada, um pequeno passeio pelo Bairro da Urgeiriça, usufruindo a fresca sombra proporcionada pelos frondosos plátanos e tílias dispersos pelas bermas das ruas e jardins.
Já no fim, depois de revisitar o depósito e forno comunitário, sentei-me no muro que contorna o velhinho e de novo abandonado campo de futebol. Ali, à minha frente, a baliza norte, tinha um encanto especial. Era nela que com os colegas realizávamos os treinos de finalização (o muro livrava-nos de ir buscar as bolas à horta do Dias, como era na do lado oposto). Era junto a ela – primeiro feita de madeira em quina viva e depois em ferro redondo- que tirávamos todas as fotografias!
Desfolhando mentalmente o meu livro de memórias, recordei particularmente dois golos que nela se registaram e como nunca mais vi: - Um do velho Portugal contra a “Lufapo”, de Coimbra, num voo rente ao chão, em que, depois de forte cabeçada, ele e bola só pararam quando a rede da baliza os impediu de prosseguir e baterem na barreira; outro do Pirolito contra a Previdência de Viseu, em que num lançamento lateral ele de costas e ainda distante da baliza indica com os olhos onde o colega deveria colocar a bola e repentinamente, sem a deixar cair, em rotação completa, faz um remate espectacular que resultou num golo que deixou todos perplexos.
Enlevado, não me apercebi da aproximação de um contemporâneo que parecendo adivinhar os meus pensamentos, friamente me aconselha: “ Recorda os bons tempos pois daqui a pouco este espaço será transformado. Têm andado por aqui arquitectos e topógrafos e deve estar a ser preparado algum projecto…”.
Triste fim para um espaço de tanta glória (não só do pessoal das minas mas também dos fornos e do desportivo)!
Sem rodeios, se os terrenos fossem meus, teria sempre que admitir a rua rentabilização. Mas, com a crise instalada no sector da construção civil, (lembro que os espaços para preservação da memória estão definidos e alguns já em fase adiantada de execução) pensaria duas vezes antes de gastar fortunas em projectos que tal crise condenaria ao fracasso e inviabilizaria qualquer retorno.
Mas os terrenos são da EDM, esta é maioritariamente do Estado Português e este somos todos nós. E (como disse o Dr. Ginestal e, honra lhe seja feita, sempre o confirmou) tendo esse Estado uma dívida de gratidão para esta terra porque todos nós contribuímos com os nossos impostos para a construção de um país socialmente mais justo e com o nosso trabalho lhe proporcionámos a obtenção avultados proventos, então, porque não dar à terra aquele insignificante hectare de terreno?
Sem dúvida que, para ele, haverá projectos bem mais úteis.
Deixo aqui o meu projecto. Como é gratuito, não liguem à escala nem critiquem os traços. Não sou especialista nem tenho grandes ferramentas! E será sempre para ficar disponível para toda a população.
Mas o que eu gostaria mesmo era daqui a uns tempos poder dizer ao senhor Portugal que, finalmente, um pouco do seu esforço tinha sido devolvido às pessoas que ele tanto estima.
Mais: Gostaria de pedir ao Pirolito para manter a garra que o tem mantido entre nós, na sua luta titânica contra a doença, para no dia em que o campo nos seja devolvido voltar-mos a fazer uma salada de tomate e atum, como tantas vezes fazíamos antes dos treinos.
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[gentilmente oferecido por:]
João Marques
Jornal de Canas de Senhorim
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setembro 20, 2008

Cancro mata mais um mineiro da extinta ENU

Antigos trabalhadores preparam no sábado
novas jornadas de luta
com movimentos cívicos de Nisa.
Ao todo, já morreram de cancro 115 trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio, desde meados da década de 90. Os mineiros não querem que o urânio volte a ser explorado. Mas em Nisa há essa possibilidade. Vai haver luta.
Morre em média, vítima de doenças do foro oncológico, um trabalhador por mês da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU). O último faleceu há menos de uma semana, engrossando a lista de mortes (115) de antigos mineiros, desde que a exploração de urânio terminou em Portugal, em meados da década de 90.
As contas são da comissão de antigos trabalhadores da ENU, que no próximo sábado recebe na Urgeiriça, movimentos cívicos de Nisa e a delegação de Portalegre da Quercus, para uma sessão de trabalhos e de visitas a complexos mineiros desactivados e abandonados na região, entre eles o da Cunha Baixa, no concelho de Mangualde.
No encontro deverá ser aprovada uma moção para a realização, já em Outubro, de uma jornada de luta em Nisa, concelho onde está localizado o maior jazigo de urânio do país, um filão que o governo pretende explorar já a partir de 2009, contra a vontade das populações.
"A deslocação de ambientalistas de Nisa à Urgeiriça, e o programa de visitas às antigas minas abandonadas que temos planeado para este sábado, servirá para debatermos os malefícios à saúde humana causados pela exploração do urânio", explica António Minhoto, porta-voz da comissão de trabalhadores da extinta ENU.
"Vamos promover esta iniciativa num ambiente de dor, já que mais um antigo trabalhador da ENU acaba de falecer, vítima de cancro", afirma Minhoto, prometendo não baixar os braços na luta contra as intenções do governo de retomar a exploração do urânio.
O homem que faleceu era do concelho de Penalva do Castelo e "trabalhava como sondador, fazia sondagens nos terrenos de urânio", lembra o porta-voz.
A jornada de luta em Nisa, em Outubro (o dia será marcado no sábado), contará com a participação e a solidariedade dos ex-mineiros da Urgeiriça e dos restantes trabalhadores das minas já desactivadas localizadas na Região Centro.
"Será um dia em cheio. Haverá uma tribuna cívica aberta a todos, e depois a marcha da indignação em direcção ao local da mina de urânio de Nisa", antecipa António Minhoto.
"Em Nisa, a Assembleia Municipal já votou contra a sua exploração. E os movimentos cívicos locais, juntamente com a Quercus de Portalegre, estão muito activos e decididos em que a exploração não venha a ser uma realidade. Ninguém quer isso. As pessoas sabem dos perigos que podem correr", afirma Minhoto.
Rui Bondoso; JN

junho 06, 2008

Jornal de Canas... 2006


abril 28, 2008

Opiniões...


Faltam arranjar o bairro para findar a requalificação.
O Supremo Tribunal de Justiça ainda tem pendente o recurso de um antigo engenheiro da Urgeiriça que não aceitou as condições propostas e recorreu aos tribunais. Entretanto foi conhecida mais a morte de um antigo trabalhador das minas da Urgeiriça, em Nelas. Falta reabilitar o bairro dos mineiros para que o processo de requalificação ambiental das minas fique concluído. Em 1991, a Empresa Nacional de Urânio (ENU), de capitais exclusivamente públicos) entrou em processo de falência e iniciou os primeiros despedimentos. Em 1995 um decreto-lei definiu um regime especial de acesso às pensões de invalidez e velhice para os trabalhadores do interior das minas. Em 2004, a ENU encerrou definitivamente na sequência do processo de liquidação iniciado em Março de 2001. Porém um engenheiro da mina não aceitou as condições propostas para o despedimento e recorreu aos tribunais. Após ter perdido na primeira instância o processo chegou ao Supremo que já anteriormente condenou o Estado a indemnizar outros oito trabalhadores que ali pediram justiça.

Desde 2001 que os mineiros lutam pela equiparação de todos a trabalhadores do fundo de mina e por indemnizações às famílias daqueles que morreram com cancro. António Minhoto fala "nos 60 trabalhadores que estiveram expostos à radioactividade e que têm vindo a registar problemas de saúde, nomeadamente nos pulmões e na tiróide". O registo desta macabra contabilidade é feito por Carlos Rocha, que este mês já colocou dois riscos na extensa lista de nomes, manuscritos, de que é o fiel depositário. A lista contém os nomes da grande maioria dos mineiros que trabalharam na Urgeiriça. Cada vez que um morre, a lista perde um nome e ganha um risco. Entretanto no horizonte dos mineiros há outras sombras: a comissão de moradores do Bairro Mineiro, na Urgeiriça, pouco conhece das obras acordadas no projecto de requalificação ambiental a cargo da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM). Carlos Rocha é hoje comerciante depois de durante anos ter sido funcionário da Cantina das Minas da Urgeiriça, que adquiriu em 2001. A cantina passou a mercearia e café agora com propriedade privada, mas nada mudou. É lá que os antigos mineiros se encontram e por lá passam todas as conversas da mina. Só este mês o comerciante registou duas perdas na mais de centena de riscos que já se acumularam desde que lhe caiu a incumbência de tão negra cifra. Miguel Ramos, o último nome conhecido de uma extensa lista de mineiros que já ultrapassou a centena de mortos, foi sepultado na semana passada. Estava internado no hospital de Viseu (morreu de cancro e trabalhou 20 anos nas minas). No início do mês morreu outro mineiro. De Santiago de Cassurrães, em Mangualde. Uma breve pesquisa indica que só em 2007 terão morrido seis, três deles em Maio. Mas "ao certo apenas se sabe que já ultrapassaram a centena", revela António Minhoto, dirigente dos ex-trabalhadores. Carlos Marques trabalhou 20 anos no fundo da mina. Foi o principal impulsionador da criação de uma comissão de trabalhadores e aponta o dedo aos responsáveis da ENU que "nunca informou os trabalhadores dos riscos que corriam ao tratar de urânio". Ricardo Figueiredo, que trabalhou nas oficinas, adianta que "nem quando as luvas já eram obrigatórias eles as forneciam". Anos e anos de mineração que acabaram por se traduzir em largas dezenas de mineiros vítimas de doença profissional que "o Estado, que era o empregador, insiste em não reconhecer". Ontem na cantina, hoje na mercearia, os mineiros, os reformados e os que mudaram de profissão continuam a encontrar-se. E de cada vez que a conversa puxa à mina os ânimos exaltam-se. Apesar disso, garantem, "somos todos amigos". Hoje sobram menos de quatro centenas de antigos mineiros da ENU, que continuam a ser dizimados pelo cancro, doença que corrói dezenas de homens que, durante décadas, extraíram urânio das minas da ENU espalhadas pelos distritos de Viseu e Guarda. Ninguém conhece com exactidão os números dos mortos. A ENU explorou minas nestes dois distritos. Alguns trabalhadores tinham vínculo ao Estado, outros trabalhavam ao dia.

janeiro 25, 2008

Trabalhadores da ENU: PCP defende direitos iguais


O PCP entregou, na Assembleia da República, um projecto-lei que altera o regime jurídico de acesso às pensões de invalidez e velhice, no sentido de equiparar todos os ex-trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio, sediada em Canas de Senhorim, Nelas, a trabalhadores de fundo de mina, para efeitos de antecipação da idade de reforma.

O projecto-lei, que tem como primeiro subscritor o secretário-geral do PCP, o deputado Jerónimo de Sousa, exige ainda a monitorização médica "consistente e periódica" de todos os ex-trabalhadores, no sentido de detectar possíveis desenvolvimento negativos da actividade que levaram a cabo".

E defende a atribuição de indemnização "em caso de morte como consequência da profissão, aplicando assim o carácter de doença profissional às doenças que se venham a verificar nos ex-trabalhadores da ENU, nomeadamente as neoplasias malignas que têm afectado, só na região da Urgeiriça, várias dezenas de ex-trabalhadores".

"Só a conjugação destas três medidas pode garantir que o Estado não se demita das suas responsabilidades perante estes trabalhadores, independentemente das datas da cessação dos seus vínculos laborais", defende o preâmbulo do projecto-lei, referindo-se ao Decreto-Lei nº 28/2005, de 10 de Fevereiro, que equiparou os trabalhadores que conservavam o vínculo à data da dissolução da Empresa Nacional de Urânio SA.. Decreto-lei que acabou por criar "uma situação de injustiça perante todos aqueles que foram efectivamente trabalhadores da ENU, em fundo de mina, áreas de exploração, anexos mineiros ou obras e imóveis afectos à exploração, mas que não estavam vinculados à empresa no momento da sua dissolução", argumenta o PCP.

No que se refere ao acompanhamento médico, os comunistas propõem o alargamento aos descendentes directos dos trabalhadores, também de forma gratuita, com o objectivo de identificar consequências decorrentes da actividade mineira. E defendem a "prestação gratuita dos tratamentos médicos necessários.

Texto deIsabel Costa Bordalo
Jornal do Centro

novembro 16, 2007

À conversa com...António Minhoto


“A nossa luta não é contra o PS. É por direitos iguais”

Os objectivos da vigília dos ex-trabalhadores da ENU foram concretizados?
Foram. Queríamos levar a luta para a rua, divulgá-la junto das populações…

A luta já estava na rua.
Estava na rua, mas não havia o contacto com as populações. Organizámos uma marcha entre a Urgeiriça, Nelas e Viseu, comunicando com a população, dando a conhecer as nossas razões. Durante as 24 horas, 12 delas em Viseu, passaram pela vigília vários quadrantes políticos, sindicais e populares manifestando concordância e apoio.

Curiosamente não tiveram tanta solidariedade da parte do partido que sustenta o governo. O líder da Federação Distrital de Viseu do PS, José Junqueiro, recusou mesmo receber-vos.
Pelo contrário. Nós temos vindo a ter cada vez mais apoio do PS. A concelhia de Nelas está solidária com este processo e a de Viseu, ao contrário do que pretendíamos, porque tencionávamos deixar ficar na caixa do correio o nosso manifesto, recebeu-nos e mostrou-nos solidariedade e estímulo. Passámos até para outra fase, em termos de apoio no PS.

A atitude de José Junqueiro surge em contra-ciclo com a do seu próprio partido?
Isso é um fait-divers interno do PS. Entendemos que não nos devemos meter nisso. O PS tem que olhar para o deputado Miguel Ginestal. Devem ser solidários com ele porque foi um homem com coração, sensível, que esteve no plenário, viu os problemas e afirmou que havia uma dívida do Estado para com os trabalhadores.

Porque diz que é um fait-divers?
Porque não corresponde à solidariedade e às intenções do PS. Em 2005, o PS apresentou um requerimento, na Assembleia da República, subscrito por todos os deputados de Viseu, dizendo para darem o melhor andamento possível às nossas reivindicações.

O PS deve olhar para o que disse o deputado Miguel Ginestal e não para o que disse agora o líder da federação distrital?
Só dizemos que deve ser solidário e que não deixe queimar em lume brando um ânimo que é tão sensível e justo. Por isso, é que ele (Miguel Ginestal) é justo, porque esteve, no dia a dia, com os trabalhadores. O (José) Junqueiro nunca apareceu. Mas eu queria fugir dessa questão, porque a nossa luta não é contra o PS, que tem sido um aliado. O próprio Junqueiro, na nossa presença, marcou uma audiência com o Ministério do Trabalho para discutir o problema. Portanto, não percebemos essa afirmação.

Refere-se ao facto de José Junqueiro ter tido que o senhor “não é uma pessoa politicamente séria” ou ter-se referido a si dizendo que “pretende tirar outras regalias à custa deste processo”?
Essa afirmação foi um acto que não foi pensado. Não a vamos levar a sério. Estar a sério nisto tem a ver com os trabalhadores, que são quem tem que mostrar se aceita ou não a minha liderança. Ela foi-me imposta e vem do último ano em que trabalhei na ENU (1989). Fui o primeiro a ser despedido e os trabalhadores, perante o facto de não haver forças para me manter na empresa, disseram que eu tinha que aceitar a indemnização. A resposta que dei foi que a indemnização seria posta ao serviço desta luta.

Estamos a falar de quanto?
De valores que rondavam os três mil contos. Numa homenagem que me fizeram, com cerca de 200 trabalhadores, ofereceram-me uma lápide a dizer: “obrigada pelos serviços”. Isso nunca se pode esquecer, nem se pode anular. Isto mexe muito comigo e eu nunca poderia abandonar os meus camaradas. Por isso, estive em todos os processos. Incentivei-os, dei orientações, movimentei opiniões dos partidos e eles sabem disso. Os trabalhadores têm beneficiado dessa luta e estão unidos. Esta sumula de reivindicações une toda a gente. É pelos exames, é por aqueles que faleceram e é por aqueles que não têm direito à reforma antecipada. Nunca foi uma luta individualista. Fomos sempre mobilizando e incentivando aqueles que lutavam. Foi pela requalificação ambiental, foi apoiando os trabalhadores que queriam rescindir o contrato mas com os seus direitos assegurados, lancei a actividade de uma associação ambientalista – a AZU – que teve um papel importante na requalificação ambiental. A questão da honestidade política está traduzida nesta luta e no apoio que ela tem.

José Junqueiro revela ignorância?
Não sei… Talvez a pressão política, a vinda do líder (José Sócrates) ao outro dia. Talvez a necessidade de mostrar trabalho o levasse a pronunciar esta afirmação descabida, despropositada e que não corresponde ao apoio que os trabalhadores depositam em mim. A prova evidente foi esta marcha, que levou 100 ex-trabalhadores até Viseu, em situações muito difíceis, ao fim de uma semana de trabalho. Reunir cerca de 100 trabalhadores que estão espalhados pelo país nesta marcha, corresponde a um sentimento de luta, de revolta e de vontade de vencer, como corresponde a uma liderança de pessoas que têm trabalhado e dado o seu melhor.

Porque é que acabou por protagonizar essa luta e pôs a sua indemnização ao serviço dos ex-trabalhadores?
Por tudo aquilo que os mineiros sofreram na pele. Por um sentimento que vem do facto de ver colegas meus, entre os 45 anos, a partir; ver viúvas destroçadas; ver injustiças feitas através do método de tentar dividir para reinar. Uma empresa do Estado tem que ser clara, igual para todos, nos direitos. Uns não podem ser de primeira e outros de segunda. Não podemos aceitar isto quando todos nós contribuímos para a riqueza do país.

“Na Urgeiriça, mora a palavra saudade...”
No blogue “Urgeiriça em peso”, há um texto, com o título “Homenagem ao mineiro”, que contém a frase: “Na Urgeiriça, mora a palavra saudade…”. Saudade de quê?
(Pausa) Olhe. É a saudade dos nossos (pausa) convívios, da nossa família, das dificuldades que passámos, porque essa forma de estar da família mineira era um exemplo, porque com o sacrifício que passavam no dia a dia tinham que ser unidos para tentar levar o seu trabalho avante. Era um trabalho de equipa e foi nessa base que os trabalhadores sempre se juntaram. Esta saudade é no sentido do que vivemos, do tempo que já lá vai, mas que marcou e está marcado nos ex-trabalhadores.

Texto e foto deIsabel Costa Bordalo [Jornal do Centro]

novembro 11, 2007

O pagamento da dívida


Uma dívida antiga, depois de muitas promessas e reuniões. Os trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio iniciaram uma vigília de 24 horas para reclamar contas antigas e lembrar a todos as responsabilidades do Estado num processo que se arrasta desde finais de 2004…
Quarenta antigos trabalhadores da extinta Empresa Nacional de Urânio realizaram ontem uma em vigília, em Viseu, exigindo ao Governo que acabe de lhes pagar a “dívida” por décadas de trabalho em que estiveram expostos à radioactividade. Os ex-trabalhadores saíram pouco depois das 9h00 do portão da sede da Empresa Nacional de Urânio, na Urgeiriça, Canas de Senhorim (Nelas) e, alternando percursos a pé e de autocarro, dirigiram-se para o Governo Civil de Viseu, onde chegaram à hora de almoço. O porta-voz da comissão de antigos trabalhadores, António Minhoto, admitiu que o Governo tem vindo a dar passos positivos – nomeadamente a requalificação ambiental em curso nas minas da Urgeiriça e o programa de intervenção em saúde que arrancou na passada quinta-feira –, mas lembrou que o pagamento da “dívida do Estado” não pode ficar por ai. Segundo António Minhoto, a “dívida” tem vindo a ser “paga aos bochechos”, lembrando que falta ainda alargar a todos trabalhadores o decreto-lei que dá benefícios na idade da reforma e indemnizar os familiares dos cem colegas que alegadamente morreram com doenças cancerígenas, por terem estado expostos à radioactividade.Os ex-trabalhadores tinham dado um prazo ao Governo até ao final de Outubro para responder às suas reivindicações mas, como tal não aconteceu, decidiram avançar para uma jornada de luta. Em frente ao Governo Civil, onde planearam estar em vigília até às 9h00 de hoje, mostraram aos transeuntes a sua indignação perante o que dizem ser o silêncio do Governo com bandeiras negras, faixas e cartazes.Numa faixa negra podia ler-se “Cumpram as vossas promessas. Fomos vítimas da exposição à radioactividade, o Estado português é culpado”. “Não basta o PS/Governo dar-nos razão! Tem que haver uma solução” e “Senhores deputados do PS obriguem o Governo a pagar a dívida do Estado aos ex-trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio “ são outras das inscrições das faixas, que também tinham exibido durante os percursos a pé entre Canas de Senhorim e Nelas e entre a entrada de Viseu e o Governo Civil.Neste último percurso, os antigos trabalhadores fizeram uma paragem na sede distrital do PS, tendo sido recebidos por dirigentes da concelhia que aí se encontravam reunidos. Ao presidente da concelhia socialista, João Paulo Rebelo, António Minhoto entregou uma carta “a apelar ao bom senso do PS” e lembrou que o deputado eleito pelo círculo de Viseu Miguel Ginestal admitiu publicamente em Abril de 2005 “que há uma dívida do Estado aos trabalhadores”. “Não se está a falar da empresa do Gaudêncio não sei das quantas, mas de uma empresa pública”, frisou o porta-voz, apelando a que não obriguem os trabalhadores a apresentar uma queixa em tribunal contra o Estado português “por incúria”, porque nunca foram informados dos riscos que corriam ao trabalhar na Empresa Nacional de Urânio. João Paulo Rebelo comprometeu-se a fazer chegar o documento ao presidente da distrital do PS e também deputado parlamentar José Junqueiro.Num processo que se arrasta há vários anos, e já depois de várias acções de protesto, os trabalhadores conseguiram que, em meados de Dezembro de 2004, pouco tempo antes do fecho definitivo da ENU, o Conselho de Ministros tivesse aprovado o decreto-lei que veio satisfazer os seus desejos. A partir daí, os que tinham deixado a empresa antes da sua entrada em dissolução exigiram também ser abrangidos por esse decreto-lei. “É uma questão de justiça. O Estado não pode ser pai para uns e padrasto para outros”, frisou António Minhoto, alegando que todos estiveram sujeitos à radioactividade e estimando que a medida beneficiaria cerca de três centenas de pessoas. António Minhoto considerou que, quer os benefícios na idade da reforma, que seriam atribuídos progressivamente (porque nem todos os trabalhadores têm a mesma idade), quer as indemnizações aos familiares das vítimas, não teriam um grande peso nos cofres do Estado. E lembrou que estão ainda por vender cerca de 150 toneladas de urânio que, “a dez contos (cinco euros) o quilo pagam à vontade, e ainda cresce dinheiro”, esta dívida aos trabalhadores.
ENUIndemnizações
A Empresa Nacional de Urânio (ENU), uma empresa de capital exclusivamente público, que desde 1977 teve a seu cargo a exploração de urânio nos distritos de Viseu, Coimbra e Guarda, entrou em processo de liquidação em 2001 – quando tinha ainda 44 trabalhadores – e encerrou definitivamente no final de 2004. Desde então que 40 trabalhadores – alguns entretanto tinham-se reformado – que desempenhavam funções no exterior das minas exigiam ser abrangidos por um decreto-lei que os equiparasse aos do interior das galerias, o que possibilitaria terem benefícios em termos de antecipação da idade da reforma, alegando também terem estado expostos à radioactividade do urânio.
O Primeiro de Janeiro

novembro 10, 2007

Luta dos Mineiros


Antigos mineiros fazem vigília no Governo Civil
PS recusa recebê-los, argumentando que o porta-voz dos ex-trabalhadores da ENU da Urgeiriça “não é uma pessoa politicamente séria”.Os antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU ), com sede na Urgeiriça, em Canas de Senhorim, fazem hoje, em Viseu, uma marcha, com várias concentrações, seguida de uma vigília frente ao Governo Civil. Reclamam o cumprimento do que dizem ser “as promessas feitas pelos deputados do PS e pelo gGverno”. Para além dos exames médicos, que começaram esta semana, reclamam igualdade de tratamento na bonificação para a reforma, tal como foi dada aos trabalhadores do fundo de mina. António Minhoto, porta-voz da comissão dos antigos trabalhadores da ENU, diz que é uma questão de justiça, considerando que uma empresa do Estado tem de dar as mesmas regalias e direitos a todos os trabalhadores.“ Uns tiveram reformas antecipadas, equiparados a mineiros, e outros não”, refere. Neste processo de luta responsabilizam o Estado por, ao longo dos anos, não ter garantido a segurança dos trabalhadores que hoje se vêem confrontados com graves problemas de saúde. Sobre os exames médicos que começaram esta semana, no posto médico de Canas de Senhorim e no hospital de Viseu, o porta-voz dos trabalhadores diz que tudo está a ser feito de uma forma “desorganizada e anárquica, uma vez que não foi extensivo a todos os antigos trabalhadores da ENU, espalhados pelo país”. Acrescenta que na lista existente no posto médico de Canas de Senhorim “não estão lá todos os trabalhadores”.Por estas, e principalmente por razões de justiça, não tem dúvidas de que faz todo o sentido realizarem hoje a marcha e vigília em Viseu. Dizem ter a garantia de serem recebidos pelo governador civil, e gostavam que o mesmo acontecesse quando passarem na sede do PS. “Aqui não vão ser recebidos”, garante, todavia, o líder da federação distrital dos socialistas de Viseu.Para José Junqueiro, a manifestação e vigília não faz qualquer sentido, porque “todas as promessas feitas pelo Governo e deputados socialistas estão a ser cumpridas, como se vê com a implementação no terreno do programa de vigilância da saúde”. Sobre as outras reivindicações feitas pelo porta-voz dos trabalhadores, o deputado diz que “não trata com pessoas que pretendem tirar outras regalias à custa deste processo”. José Junqueiro iria mesmo mais longe, acrescentando que “não trata com pessoas que não são politicamente sérias”.
António Figueiredo

outubro 24, 2007

Valinhos...Praia fluvial.


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gentileza do Município

outubro 17, 2007

Ex-trabalhadores da ENU vão começar a submeter-se a exames médicos.


Os ex-trabalhadores da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU) “vão começar em Novembro a ser convidados a iniciar voluntariamente um programa de saúde”, informou o delegado de Saúde de Nelas, em comunicado.

“Por decisão do ministro da Saúde”, os ex-trabalhadores da extinta ENU, sediada na Urgeiriça, concelho de Nelas, serão submetidos a um programa de saúde voluntário”, revelou, em comunicado, Bernardino Soares, delegado de Saúde de Nelas.

Segundo explicou, o programa “está praticamente em condições de passar ao terreno, ou seja, iniciado, e pressupõe uma colaboração entre o Hospital de Viseu e o Centro de Saúde de Nelas”.
“Será feito, no Hospital de Viseu, um exame inicial a todos os ex-trabalhadores que quiserem submeter-se a ele e as pessoas serão depois encaminhadas de acordo com os problemas de saúde detectados”, adiantou.
Posteriormente, poderá ser feita “a vigilância da saúde das pessoas, que voltarão ao hospital, à especialidade necessária, sempre que o médico de família entender que é preciso”, referiu ainda.

Decisão surge um dia depois de plenário.

A realização de exames médicos é uma reivindicação antiga dos ex-trabalhadores da ENU, tendo estes já levado a cabo várias acções de luta para a verem satisfeita.
Para António Minhoto, dirigente da associação dos antigos trabalhadores da ENU, este anúncio do início de exames de saúde sugere “duas notas”.
Primeira: “sai após um plenário importante dos ex-trabalhadores realizado no domingo [um dia antes do anúncio do delegado de Saúde] e em que foram decididas questões de importância para o futuro da luta dos trabalhadores”.
Segunda: “mais do que ninguém, os interessados em fazer os exames são os trabalhadores e, portanto, entendemos que há um desprezo e um desrespeito pela luta ao termos conhecimento pela Comunicação Social de que se vão realizar”.
Ressalve-se que, no plenário realizado no domingo na Urgeiriça, os ex-trabalhadores da ENU tinham decidido esperar até ao final do mês por uma resposta positiva do Governo às suas reivindicações. Caso tal não acontecesse, novas acções de luta, então calendarizadas, seriam levadas a cabo, nomeadamente “vigílias, marchas a pé junto do Partido Socialista de Viseu, do Governo, da Assembleia da República”.
Recorde-se que, além da realização de exames médicos, os ex-trabalhadores da ENU reivindicam ainda o pagamento de indemnizações às famílias das vítimas mortais e a equiparação a trabalhadores de fundo de mina, que vai permitir benefícios na idade da reforma.
Para António Minhoto, estas outras exigências, estão, aliás, relacionadas com os resultados dos exames médicos. “Se há uma consequência grave que é conhecida através desses exames, obviamente as outras reivindicações também têm que ser contempladas porque têm que ser minimizados todos os efeitos a que os trabalhadores estiveram sujeitos”.

C. C
16-Out-2007

"Notícias de Viseu"

julho 12, 2007

A Urgeiriça...na "Folha do Centro-Nelas"


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julho 05, 2007

A Urgeiriça...no "Diário As Beiras..."


02-07-2007
NELAS


Governo continua sem pagar aos ex-mineiros da Urgeiriça

Antigos trabalhadores querem aproveitar a presidência portuguesa da União Europeia para dar mais visibilidade às suas reivindicações. A Empresa Nacional de Urânio (ENU) entrou em processo de liquidação em 2001 e encerrou definitivamente no final de 2004, mas, ainda hoje, seus antigos trabalhadores reclamam ao Governo que “pague a dívida” que tem. “Já andamos nisto há tempo de mais. Queremos mostrar à Europa que o Governo português ainda não pagou a dívida que tem para connosco”, afirmou José Lopes Soares, antigo trabalhador da ENU, minutos antes de entrar num autocarro rumo ao Porto, onde Portugal assumiu ontem a presidência da União Europeia. A exploração de urânio em Portugal esteve a cargo da ENU desde 1977, altura em que sucedeu à Junta de Energia Nuclear.Sediada na Urgeiriça, em Canas de Senhorim (Nelas), a empresa, de capital exclusivamente público, teve minas a funcionar em regiões graníticas dos distritos de Viseu, Guarda, Coimbra e Castelo Branco. Recentemente, o Governo comprometeu-se a realizar exames médicos periódicos aos trabalhadores, mas estes queixam-se de estarem ainda sem resposta às suas outras duas reivindicações: o pagamento de indemnizações às famílias das vítimas mortais e a equiparação a trabalhadores de fundo de mina que permitirá benefícios na idade da reforma. Desde que, numa assembleia-geral realizada em Março de 2001, foi decidida a dissolução e entrada em liquidação da ENU, por não ter viabilidade económica e devido a problemas ambientais, que os protestos dos trabalhadores têm sido constantes. Na altura da entrada em liquidação, trabalhavam ainda na empresa 44 pessoas, das quais apenas três permaneceram até ao seu fecho definitivo. Desde então que 40 trabalhadores (alguns entretanto tinham--se reformado) que desempenhavam funções no exterior das minas exigiam ser abrangidos por um decreto-lei que os equiparasse aos do interior das galerias, o que possibilitaria terem benefícios em termos de antecipação da idade da reforma, alegando também terem estado expostos à radioactividade do urânio. Depois de várias acções de protesto e quase quatro anos depois, os trabalhadores conseguiram que, em meados de Dezembro de 2004 - pouco tempo antes do fecho definitivo da ENU, o Conselho de Ministros tivesse aprovado o decreto-lei que veio satisfazer os seus desejos. O comunicado do Conselho de Ministros explicava que “razões de solidariedade, equidade e de justiça social justificam uma especial protecção dos trabalhadores que laboravam na ENU à data da sua dissolução”. No entanto, os outros trabalhadores que tinham deixado a empresa antes da sua entrada em dissolução - os mesmos que hoje se manifestam no Porto - exigiram também ser abrangidos por este decreto-lei, argumentando que todos sentiram na pele os efeitos da radioactividade.“Não pode haver injustiça da parte do Estado. Tem de haver direitos iguais para todos, porque todos fomos afectados”, reafirmou ontem, à Lusa, António Minhoto, que tem liderado esta luta. A medida beneficiaria mais de três centenas de pessoas, das cerca de 650 que entre 1977 e 1991 (altura em que começaram os despedimentos) trabalharam na ENU.Cada morte de um antigo trabalhador tem servido para exigir ao Governo a realização de exames médicos periódicos e o pagamento de indemnizações às suas famílias, com o argumento de que está provada a relação entre a exposição à radioactividade e as doenças oncológicas. Ainda que não haja um levantamento exaustivo do número de mortos, a estimativa aponta para mais de 60 nos últimos anos. “O meu marido trabalhou cerca de 25 anos no tratamento químico (do urânio) e morreu em 2000, com um tumor no fígado. E agora recebo apenas 152 euros da reforma dele”, lamentou Judite Gouveia, viúva de um antigo trabalhador. A viúva disse à Lusa não ter “quaisquer dúvidas” que “a doença foi apanhada no trabalho”, até porque “quando chegava a casa levava com ele uns cheiros horríveis”, que a levavam mesmo a pedir-lhe que se despisse antes de entrar em casa. Também Maria Adelina dos Anjos, cujo marido faleceu há menos de um ano, se lamenta da magra reforma de “27 contos, que não dá para nada”, depois de o marido ter trabalhado vinte anos no fundo de mina. “Ele morreu de um tumor no pulmão. Tenho a certeza que foi por ter trabalhado nas minhas, até porque nunca fumou. Era de toda a justiça as viúvas receberem uma indemnização, para que não se sentissem tão revoltadas”, afirmou.

http://www.asbeiras.pt/index2.php?area=viseu&numero=45721&ed=03072007

junho 29, 2007

A Urgeiriça...no "Esquerda".

29-Jun-2007
Os riscos da exploração do urânio
A reactivação da exploração de urânio tem conhecido nos últimos anos um crescimento acelerado. Só no continente asiático estão previstos 16 novos projectos de mineração e nos EUA 15 (informação do projecto WISE) . O aumento do preço do urânio no mercado internacional, que subiu 10 vezes mais nos últimos 5 anos, impulsionado pela procura de electricidade produzida por centrais nucleares e a expectativa de expansão desta indústria altamente insustentável, tem motivado esta opção.
Em Portugal coloca-se agora a corrida à exploração das 4.100 toneladas de urânio de Nisa, considerada a única zona do país onde esta pode ser economicamente rentável. Nove consórcios já mostraram o seu interesse, estando a Direcção-Geral de Geologia e Energia a elaborar o cadernos de encargos de abertura de um concurso internacional para a atribuição da concessão de exploração, a qual poderá ser conhecida até ao final de 2009.
Tal como no passado, apesar dos avanços tecnológicos e das regulações ambientais, a exploração de urânio pode trazer elevados impactos para a região. Coloca-se o ambiente e a saúde das populações em risco, em nome de um projecto que terá um período de vida útil de 6 a 8 anos e criará pouco emprego. Numa zona deprimida do país, coloca-se em risco as oportunidades de desenvolvimento local sustentável, assente em vectores estratégicos que retiram mais-valias da riqueza natural e patrimonial do território, ao mesmo tempo que preservam o ambiente e potenciam o emprego durável e a qualidade de vida local.
Esta é uma opção estruturante para o território local e a forma de encarar o interior do país. Ou a criação de riqueza fácil que pouco ou nada deixará para os território locais e as suas gentes, gerando problemas ambientais e sociais que ficarão para o Estado resolver num futuro longo em que só a desertificação humana é expectável, ou a aposta em eixos de desenvolvimento que criam dinamismo local geradores de emprego, rejuvenescimento populacional, qualidade no ambiente e paisagem, coesão social.
Vivemos num país em que a exploração de urânio do passado (nas 61 explorações mineiras existentes no país) acarretou um enorme passivo ambiental e impactes negativos na saúde pública das populações, que ainda hoje se manifestam e continuam por resolver. As minas encerradas continuam a ser responsáveis, além de poluição visual, pela presença de poeiras tóxicas na atmosfera e por situações de contaminação de solos, cursos de água e lençóis freáticos.
O acondicionamento dos milhares de toneladas de escórias, resultantes do tratamento do minério, em escombreiras e barragens de estéreis, sem que nada tenha sido feito durante décadas, deixou um pesado legado de degradação do ambiente e nas condições de vida em 18 concelhos do território nacional.
Existem cerca de 7,8 milhões m3 de resíduos, dos quais 3 milhões representam maior perigo de contaminação. As minas da Urgeiriça, no concelho de Nelas, em Viseu, têm as maiores fontes de radioactividade, representando a quase totalidade dos resíduos. O estudo MinUrar - Minas de Urânio e seus Resíduos: Efeitos na Saúde da População, coordenado pelo Observatório Nacional de Saúde, concluiu que a população de Canas de Senhorim, exposta às minas da Urgeiriça, apresenta uma diminuição das funções da tiróide, da capacidade reprodutiva de homens e mulheres e do número de glóbulos vermelhos, brancos e de plaquetas no sangue.
As explorações uraníferas abandonadas estima-se que será necessário um investimento na ordem dos 70 milhões de euros.
Pouco ou muito pouco foi ainda feito. E continuam a morrer ex-trabalhadores das minas de urânio sem que as famílias recebam indemnizações; não se realizam estudos nem se faz o acompanhamento médico prolongado das populações que vivem nesses territórios; não existe qualquer compensação aos municípios pela degradação ambiental gerada por actividades económicas supostamente de interesse nacional. E estas mesmas questões mantêm-se actuais se a reactivação das minas de Nisa avançar, pois não há quaisquer garantias por parte do Estado ou dos concessionários que vão explorar o urânio. Pois os efeitos, sobretudo na saúde, da mineração de urânio podem vir a manifestar-se num tempo demasiado longo, mantendo-se para as gerações futuras.
Algumas notas sobre a extracção de urânio:
Mesmo as maiores jazidas contêm menos de 1% de urânio: uma grande quantidade de rocha tem de ser extraída para se obter quantidades úteis de urânio. Grande parte desta rocha é esmagada em partículas muito finas, quase tão radioactivas como o urânio e que se dispersam facilmente pelo ar. Para se extrair o urânio geralmente são utilizadas grandes quantidades de água, ácido sulfúrico e composto ligante sobre estas partículas. Com a maioria do urânio removido (cerca de 90%), as escórias são armazenadas em escombreiras ou barragens. O nível de radiação destes resíduos pode ser 20 a 100 vezes superior aos níveis naturais dos encontrados nas jazidas superficiais, e têm de ser armazenados por centenas a milhares de anos até atingirem um estado estável. As poeiras radioactivas, os materiais tóxicos e o radão gerados ao longo destes processos e presentes nos resíduos podem dispersar-se facilmente, contaminando pessoas e ecossistemas.
Outro processo de extracção do urânio muito comum é através da injecção na água subterrânea de soluções altamente ácidas ou alcalinas. Este é um processo altamente contaminante, tanto dos lençóis freáticos, do solo e da rocha, mas também gerando resíduos altamente radioactivos e tóxicos.
Rita Calvário
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3289&Itemid=46

junho 12, 2007

A Urgeiriça...no "Diário Regional de Viseu".

Terça-feira, 12 de Junho 2007
Governo aprova programa de saúde para ex-trabalhadores da ENU

Os ex-trabalhadores da ENU (antiga empresa de exploração de urânio localizada na Urgeiriça - Canas de Senhorim) vão ter "vigilância e apoio à saúde" num programa que o Ministério vai desenvolver até 2010.
O "Programa de Intervenção em Saúde" já teve o aval do ministro Correia de Campos, que hoje está em Viseu (ver caixa). Segundo o documento, a que o nosso Jornal teve acesso, o programa foi criado para que sejam "minimizados os possíveis efeitos da comprovada contaminação ambiental, com vista à identificação dos ex-mineiros, à sua vigilância e apoio à saúde, em condições de periocidade assegurada".
De acordo com as fases do programa, ainda durante este ano serão realizados os exames médicos a todos os ex-trabalhadores.
O passo seguinte envolverá a compilação da informação numa base de dados de forma a "consolidar o conhecimento sobre este grupo populacional" e referenciar os ex-trabalhadores para os respectivos médicos assistentes ou especialidades necessárias. Até 2010, o Programa prevê também uma vigilância periódica, assim como a elaboração de um relatório final sobre a sua implementação.
Fonte do Ministério adiantou ao nosso Jornal que o Programa justifica-se com o estudo técnico-científico MinUrar que indica que os ex-trabalhadores "têm um risco acrescido para a saúde por terem sido submetidos a uma maior exposição a materiais radioactivos". "Actualmente, 16 anos volvidos após o encerramento das minas, sem serviços de saúde ocupacional, os ex-mineiros sentem-se preocupados, dada a cada vez maior consciência dos riscos que a sua profissão possa ter implicado", adianta fonte ministerial.
MinUrar
O projecto MinUrar, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge em colaboração com outras entidades, teve como objectivo estudar as minas de urânio e os seus efeitos na saúde, recorrendo a três grupos de freguesias: a de Canas, onde se situa a mina da Urgeiriça e se efectuava o tratamento químico de minério, outras com minas mas sem secção de tratamento e ainda em outras sem actividade mineira.
Segundo o relatório, em média, os habitantes de Canas de Senhorim têm concentrações de polónio semelhantes aos das outras freguesias onde houve actividade mineira, "sendo ambas significativamente mais elevadas" que as registadas no terceiro grupo. Já as concentrações de chumbo indicam que os habitantes de Canas de Senhorim têm "uma taxa de ingestão actual deste radionuclido, provavelmente através da água de consumo", mais elevada do que os outros dois grupos.
Ex-trabalhadores
Os ex-trabalhadores, face às conclusões, têm vindo a exigir uma intervenção rápida por parte do Governo. A realização de exames médicos periódicos, a obtenção de benefícios na idade da reforma e o pagamento de indemnizações às famílias dos colegas que morreram são algumas das reivindicações.
Ontem, António Minhoto, porta-voz dos ex-mineiros, adiantou ao nosso Jornal que a aprovação do Programa é "um sinal de abertura às nossas reivindicações", mas deixou claro de que "não vamos baixar os braços às outras exigências".
Por isso, António Minhoto lembrou que para domingo está marcado um plenário onde vão ser discutidas as formas de luta prometidas, entre elas a presença no dia 1 de Julho em Lisboa aquando da tomada de posse da Presidência Europeia por parte de Portugal.

junho 04, 2007

A Urgeiriça no..."Diário Económico".

Governo abre corrida ao urânio

10 empresas interessadas em explorar o minério usado na produção de nuclear.

Gilda Sousa
A crescente procura mundial de energia está a colocar Portugal no mapa das empresas de prospecção. Vêm à procura de petróleo, mas também de urânio, o combustível utilizado nas centrais nucleares de produção de electricidade. No primeiro caso, está-se ainda na fase de pesquisa. Quanto ao urânio, sabe-se que há um jazigo em Nisa, no Alentejo, com viabilidade económica. E há já 10 empresas interessadas no negócio.
O Governo já deu instruções para a elaboração de um caderno de encargos com vista à abertura de um concurso por convite. Segundo Carlos Caxaria, subdirector da Direcção Geral da Energia e Geologia (DGEG) o trabalho está pronto. Falta apenas a decisão política de avançar. A Economia mantém o silêncio sobre o que o Governo pretende fazer. A sensibilidade da opinião pública em torno da radioactividade será uma dos factores a ter em conta pelo Executivo. No entanto, Carlos Caxaria diz que essa polémica é “muito artificial” e sublinha que o Governo vai exigir experiência na exploração de urânio aos participantes no concurso. O eventual défice de cuidados que houve no passado em relação ao ambiente e à protecção dos trabalhadores está ultrapassado, afirma. De resto, acrescenta, a EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro tem provas dadas nesta área. A empresa pública conduz os trabalhos de recuperação ambiental das 61 minas de urânio descativadas. A última, a da Urgeiriça, em Viseu foi encerrada há 15 anos. Nisa esteve para ser aberta no início da década de 90, mas para ser viável o preço do urânio teria de passar a barreira dos 20 dólares e, na altura a cotação estava abaixo, nos 18/19 dólares, explica o responsável da DGEG. Nos últimos cinco anos, o preço multiplicou por 10. Recentemente, a SXR Uranium, estima que no próximo ano, este minério possa chegar aos 250 dólares. É este mesmo factor que explica o renovado interesse pela pesquisa de outros metais no nosso país, conhecido “riqueza e diversidade” geológica. O Governo atribuiu, no final de Maio, 11 novas concessões para prospecção de volfrâmio, zinco, cobre, ouro, prata, estanho, ferro.

EDM na calha para privatizar
Esta participação numa futura mina de urânio pode dar um contributo importante para a privatização da EDM- Empresa de Desenvolvimento Mineiro. O Governo deu este ano orientações à administração, liderado por Delfim de Carvalho, para preparar a empresa para a venda. E isso passa pela valorização. Nesta altura, a EDM está limitada à recuperação das minas abandonadas. Os activos mais interessantes dependem da exploração. Neste âmbito, além do urânio, há uma hipótese de abrir uma nova mina de cobre em Gavião e de participar nas novas descobertas da Eurozinc no Alentejo.

Caderno encargos
- Participação nacional: exige-se que a empresa vencedora dê pelo menos 25% do capital da sociedade mineira à EDM, podendo esta posição ir até 40%.
- Contrapartida: o vencedor terá de pagar cinco milhões de euros à cabeça. É uma espécie de direito de entrada.- Royalties: o vencedor terá de pagar, por ano, entre 2,5% e 6,5% ao Estado sobre o valor da venda do minério à saída da mina.

maio 28, 2007

A Urgeiriça...na RTP

Postado Por Farpas http://municipiocds.blogspot.com/