O portal de Canas de Senhorim
Mostrar mensagens com a etiqueta Oferta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Oferta. Mostrar todas as mensagens

dezembro 29, 2008

O “Renascimento” da Urgeiriça




(Publicado na edição nº 121 do Jornal "Canas de Senhorim")
O “Renascimento” da Urgeiriça – Depois de anos de verdadeira “quarentena”, estigmatização, fuga de pessoas e de um denso manto de pessimismo, a Urgeiriça conheceu um ano de realizações, inaugurações e lançamento de projectos para o futuro. A conclusão dos trabalhos de recuperação ambiental da Barragem Velha, a criação do espaço lúdico da “Praia Fluvial”, a requalificação da Capela de Santa Bárbara, a instalação da sede dos Escuteiros na Antiga Escola Primária e a continuação das obras do anfiteatro são aspectos extremamente positivos, e de viragem, face ao clima de degradação e descrença de anos anteriores. A isto acresce o projecto de um “Museu do Mineiro” no antigo Balneário e o anúncio feito pela EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A da intenção de criar um “Centro de Conhecimento Radio Natura” na freguesia de Canas de Senhorim, projectos com um inegável potencial para revitalizar a Urgeiriça, criar empregos e dinamizar o sector turístico. Importa ainda destacar a solução encontrada para a Casa do Pessoal que, sem ser consensual, permite a criação de expectativas quanto à recuperação deste imóvel carregado de tanto simbolismo para gerações de mineiros.Injusto seria não focar a causa dos mineiros – liderada pelo Sr. António Minhoto – que em 2008 ganhou amplitude nos média e um cada vez maior consenso quanto à necessidade de se fazer justiça aos ex-mineiros e suas famílias, garantindo-lhes melhores condições materiais para poderem enfrentar as mazelas resultantes do tempo de trabalho na Empresa Nacional de Urânio.Estão por isso de parabéns todas as pessoas e instituições que contribuíram para os (felizmente muitos) acontecimentos e realizações que marcaram a Urgeiriça em 2008, com destaque maior para a EDM - Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A que, pelo montante do investimento realizado, fez justiça à Urgeiriça, suas gentes e ex-trabalhadores.Manuel Alexandre Henriques (mahenriques@sapo.pt)


outubro 28, 2008

Relembrando...

1992 - Ultimo Curso de metalomecânica na ENU

De pé da esquerda para a direita:
José Couto; Moniz; António João; Pedro Ferreira; Piloto; Rui Custodio; Paulo Albuquerque; Nuno (chefe da oficina e monitor) e João Morais (serralheiro mecânico e monitor)
Em baixo pela mesma ordem:
Joaquim; Laceiras; António Roque; Nuno Paixão; Paulo; Paulo Brito e Nuno.

Foto gentilmente cedida por “PomboCorreio”

outubro 06, 2008

As "estórias" do "Pirolito"


Não sei o que fazer
Mas vou pensar
Escrevo a minha vida
Para mais tarde recordar

Na idade veio a escola
Levantava-me sem querer
Os anos iam passando
Eu pouco sabia escrever

Só pensava em jogar á bola
Sempre a minha perdição
Não ouvia o professor
Era só bola até mais não

Muito cedo me levantava
Dando conta do café
Caminhava para escola
E a bola rolando no meu pé

Não era fácil concentração
Porque a bola era comigo
Os colegas me diziam
Só quero jogar contigo

Fiz depois a 4ª classe
Quase mesmo sem querer
Mas a idade ia passando
Mas sempre consegui vencer

Fui para alfaiate
Essa arte eu não pensava
A mocidade me dizia
Só quero bola e mais nada

O tempo ia passando
Não sabia o que pensar
Seria esse meu destino
Que meu pai me quis dar

Meu pai ainda me bateu
Essa arte eu não queria
Minha cabeça só pensava
Jogar á bola até ao fim do dia

A bola não foi esquecida
Foi sempre o meu prazer
Foi muito fácil encontrar
Meu grande desejo de vencer

Fui para o académico
Fiz os testes junto do treinador
Este logo me dizia
Seria um grande jogador

Tive lugar na equipa júnior
Sem motivos para substituição
Fiz todos os jogos do campeonato
Recordando gloriosa paixão

Fomos ao campeonato nacional
Foi prazer enorme distinção
Meu sonho foi alcançado
Tal como pedia o coração

Tão feliz eu me sentia
Eu só e mais ninguém
Tão sozinho me sacrificava
Com o desejo de ser alguém

Chegou a tropa pois então
Cumprindo serviço militar
O destino me dizia
Outra vida vou começar

Angola foi meu destino
Mas a bola não foi esquecida
Levando no coração
A nossa Pátria querida

Foram dias muito difíceis
Era guerra no Ultramar
Lutando dia após dia
Para a minha terra regressar

Chegou tão glorioso dia
Com meu dever cumprido
Juntando magoas esquecidas
Mas nunca arrependido

Regressei glorioso
Primeira fase foi vencida
Agora só desejo encontrar
Alegrias na nova vida

Foram alegrias na mocidade
Que jamais esquecerei
São recordações tão lindas
Que eu sempre recordarei

Faço esquecer para nova vida
Muito só não posso viver
Quero um futuro risonho
Para o nosso senhor agradecer

Assim o tempo ia passando
Não esquecendo o passado
Dormindo com o pensamento
De uma companhia ao meu lado

Veio o namoro mas pouco tempo
Ate nem deu para pensar
Mas a idade ia passando
Mais não podia esperar

Casamos na Igreja
Com ou sem amor, não sei
O destino assim me dizia
Não penses em mais ninguém

Começamos nova vida
No futuro vamos olhar
Pensando dia após dia
Esse desejo saudar

Tal querer não se justificava
Era um casamento falhado
Eu queria mas não devia
Afastar-me para outro lado

Até que um filho Deus no deu
Essa alegria mais nos aproximou
Meu filho era o meu querido
Mas no amor tudo falhou

Nada mais de aventuras
Tenho ainda mais para sofrer
Agora pergunto a Deus
O que mais posso fazer

Chegou a ternura dos sessenta
Não pensava em qualquer dor
Mas pelo sim pelo não
Fui á consulta ao Doutor

Deu resultado negativo
Essa notícia meu deu o Doutor
Fui logo para o hospital
Fiz exame, acusou um temor

Fui operado fiquei sem falar
Foi difícil esta dor
Mas o Bernardo ainda existe
Dando graças ao senhor

A vida assim continua
Nesta vida eu pensarei
Vejo a luz que me alumia
Mais o destino respeitarei

Recordando tempos atrás
Eu pensava não ter fim
Pois os sessenta ultrapassados
A velhice é mesmo assim

Ainda penso que sou jovem
Não devia pensar assim
Os jovens que são jovens
Já não olham para mim

Não pensava como hoje
Bom, seria esse bem-querer
A velhice é como o tempo
Agora sol logo a chover

As nuvens estão escuras
Escuras logo ao amanhecer
A juventude foi-se embora
A velhice me faz sofrer

Tudo bem, manhã não sei
Ainda vivo na ilusão
Vou pensar para esquecer
Lembrando Deus pedindo perdão

Termino mas não esqueço
Tudo isto que já foi dito
Tudo e todos não vão esquecer.


**
O pirolito

Bernardo Serra da Cruz
08 / 04 / 2007

**

setembro 16, 2008

Urgeiriça forever


Sejamos honestos. Se frequentemente e com razão damos azo à nossa indignação perante a negligência, a falta de investimento e a displicência que grassa em Canas de Senhorim, não podemos, por outro lado, deixar de assinalar com agrado todo o processo de recuperação ambiental que tem vindo a ser levado a cabo na Urgeiriça.
Barragem Velha, Barragem Nova, Valinhos, Zona Industrial, Zona envolvente, tudo se conjuga para que a Urgeiriça volte a ser o lugar atractivo que já foi e a recuperar completamente das mazelas que a exploração descuidada do Urânio deixou.
Podemos dizer que todo este processo constituía obrigação do estado, o qual, ao longo de anos de exploração, arrecadou lucros incalculáveis, constituindo tal recuperação uma pequena parcela da que nos assiste por direito; podemos dizer que todas as obras juntas não pagam o sofrimento, a contaminação ambiental e as mortes implícitas que daí derivaram; podemos até continuar a reclamar mais justiça para os ex-trabalhadores das minas e a contestar a decisão que entrega o antigo campo de futebol dos “Urânios” à EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro), o que não podemos é deixar de reconhecer a obra feita e a que está em curso ou negar que, nesta área específica, os fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) chegaram a Canas de Senhorim, mais concretamente à Urgeiriça.
O “site” da EDM em tempos apontava para um investimento de cerca de 20 milhões de euros (actualmente não presta essa informação), dos quais uma parte significativa já foi consignada. Desconheço o(s) protocolo(s) efectuado(s) pela EDM com a Câmara de Asnelas, e lamento não ter a edilidade oportunamente consultado os associados da Casa do Pessoal da Urgeiriça que certamente lhe dariam conta do interesse em manter o campo de futebol, espaço afecto (e afectivo) à Casa do Pessoal e aos ex-trabalhadores. Se assim fosse, talvez as coisas tivessem sido diferentes, ou não, porque é sabido que a EDM através da sua associada EDMI (Empresa de Projectos Imobiliários) vislumbra recuperar parte do investimento da “holding” naquele espaço (e noutros). Espero que, pelo menos, tenham o bom senso de realizar projectos imobiliários adequados e articulados com a simpática arquitectura do bairro dos mineiros, privilegiando a natureza, o ambiente e os espaços verdes.
Quanto aos Valinhos, será com certeza um prazer para todos os canenses poderem dispor de um parque como o idealizado, isto se for dinamizado de uma forma sustentável e a Câmara colaborar na sua manutenção.
Temos de volta, aparentemente, e salvaguardadas as circunstâncias, a Urgeiriça dos anos 60, local que à altura e juntamente com o Caramulo eram das zonas mais aprazíveis da Beira Alta. Fico contente por isso, como diria o outro, já fui muito feliz na Urgeiriça.
**
PortugaSuave
**

setembro 04, 2008

Excursão á Serra da Estrela - "Impressões" por um Excursionista

Fica em baixo uma cópia integral do primeiro capítulo deste livro escrito por João Miranda de Azevedo e editado em 1916 pelas Oficinas da Ilustração Portugueza.

Nos confins da Beira Alta, quási a igual distância do Mondego e do Dão, encontra-se uma planura ligeiramente acidentada, sobre a qual assenta a antiga vila de Canas de Senhorim. Não é recente a sua fundação. Vestigios de variada espécia, postos a descoberto na parte Nordeste, tais como: alicerces de casas, sepulturas, tijolos, etc., provam uma relativa antiguidade. Mas deixemos a questão arqueológica, que daria margem a um capítulo aliaz interessante, assim como a genealogia.Estendida na direção Norte Sul, e irregularmente distribuida, acumula as suas casas principalmente junto das estradas.O escurecido granito beirão, exclusivamente empregado nas construções, imprimir-lhe-hia uma nota agreste e triste, se, a breve trecho não fosse desvanecida pelo alvejar de uma ou outra casa branca, pela verdejante ramaria do arvoredo pitorescamente disseminado nas circumvisinhanças e até no povoado.Não é possível abranger numa vista geral toda a povoação. Apreciada de longe, apenas resalta á nossa atenção a torre da bela Igreja e um massiço de casas que, ocultando outras aqui e acola permite distinguir o cume dos edifícios mais altos e grandiosos. A visita interna proporcionará ao «touriste» ocasião de observar edifícios importantes, como o Solar Abreu Madeira e outros, um sumptuoso tempo, etc.; dum modo geral, a casaria apresenta uma feição higiénica e moderna, dado o regular pé direito das construções. Possui também digno de menção: Estação Telégrafo Postal, quatro Escolas Primárias belamente instaladas, Farmácia, um grande armazem de Vinhos, bons estabelecimentos comerciaes, casas de hóspedes, garage, alquilaria, etc.Como prémio da sua privilegiada situação topográfica e não devido a influências políticas que, longe de serem aproveitadas teem sido desprezadas, goza esta antiga vila de óptimas estradas que se cruzam quási ao meio da povoação, ligando-a pelo Nascente com a vila de Nelas de cujo concelho faz parte, pelo Sul com as Calas da Felgueira, pelo Norte com Carvalhal e Vizeu e pelo Poente com a vila do Carregal e Santa Comba; goza além disso do incalculável beneficio da Estação do Caminho de Ferro da Beira Alta.A índole activa e trabalhadora dos seus despretenciosos habitantes contribuíu eficazmente para a divisão da propriedade - que consídero um bem - para o desaparecimento de antigas casas fidalgas, e nos últimos tempos para a reedificação e construção de casas mais ou menos aparatosas que lhe imprimem um aspecto novo e muito agradável.Tem uma população bastante grande - quatrocentos e tal fógos - e prevê-se num futuro próximo um regular movimento comercial. E' verdadeiramente produtiva a região.Nos campos circumvisinhos poderá o visitante observar, além da beleza dos terrenos, uma consideravel fertilidade: Nos lugares baixos cultivam-se com grande proveito: cereais, legumes, fruteiras, etc., e na breve encosta a vinha, cujo produto constitue a principal riqueza da região, tanto pela qualidade como pela quantídade.Calculam-se em 4:500 hectolitros as vendas anuais edectuadas nesta povoação. O pinheiro, formando a certa distância um vasto circuito, é a arvore predominante, deixando examinar por cima das suas cristas, a Sudeste a Serra da Estrela e a Noroeste o Caramulo.Canas de Senhorim é a cabeça da freguezia do mesmo nome, que conta cinco povoações algumas quasi tão populosas como Canas. A mais pequena, a uma distancia de cinco quilómetros, é a das Caldas da Felgueira, estancia termal muito concorrida, onde o aquista encontrará, ao lado dum esplendido estabelecimento balnear, um dos melhores hoteis do paiz. Atravessam agora um período de grande desenvolvimento, prometendo nos anos próximos uma extraordinaria frequência, atendendo aos melhoramentos a realisar, que as colocarão ao lado das primeiras estancias do paiz.A menos de um quilómetro de Canas, ficam as ricas minas de uránio da Urgeiriça, exploradas pela firma Henri Burnay & C.ª. E' digno de minuciosa visita o local, não só por ser aprazível, mas, porque a Companhia aí sustenta em constante actividade máquinas de extracção e trituração do minério, que brevemente tambem iluminarão e ventilarão as minas.As Caldas da Felgueira e as Minas de Uránio dão á povoação um movimento novo, e constituem lugares dignos de serem visitados por as pessoas que atravessam a região da Beira Alta.

junho 24, 2008

Trabalho Escolar

Trabalho efectuado por:
André Neto aluno do 7º ano.

abril 27, 2008

Humor em Hora de Luta



Gentileza de PortugaSuave

fevereiro 24, 2008

Artigo de Opinião

No pódio das desgraças Realmente a imagem merece todo este destaque, aproveitando o software que se encontra um pouco por todo o lado é possível colocar um dos símbolos das minas da Urgeiriça - no pódio. A diferença é que o que foi outrora um posto de trabalho é agora sinónimo de risco para a saúde pública. É um facto que a ciência e as sociedades mudam, o que outrora era visto com normal poderá ser visto à luz do novo conhecimento científico como um risco. Por exemplo: a radioactividade, para quem não sabe as águas com maior teor radioactivo, se assim lhe posso chamar, eram até sensivelmente ao meio do século passado vistas como águas milagrosas, depois o terror da bomba atómica clarificou os seus perigos. Outro exemplo vem da polémica da co-incineração, onde a questão das dioxinas e dos furanos reflecte o avanço da ciência e da técnica, pois antes era impossível medir estas partículas e por isso impossível de estabelecer uma relação entre emissão e efeitos na saúde pública.
*
Artigo gentilmente cedido por, José do blog Nelas

junho 25, 2007

Oferta...

Relógio Mineiro

Esta Ampulheta era usada pelos mineiros da Urgeiriça para marcar o tempo dos rastilhos e assim controlarem as explosões nas galerias da mina formada por uma peça de vidro estrangulada ao centro, tendo no interior areia vermelha, para proteger o vidro tem uma armação em madeira. Tem também uma protecção metálica de duplo cilindro com janelaO intervalo de tempo que esta Ampulheta conta é de 90 segundos

Postado Por Horácio Peixoto

http://municipiocds.blogspot.com/

maio 15, 2007

Oferta...do "Ai o Camandro!!"


E as pessoas?
Não nasci, nem tão pouco morei na Urgeiriça, mas vivi lá! Muitos e muitos anos, cresci no meio daquelas pessoas, era uma daquelas pessoas, o meu avô trabalhou na ENU (Empresa Nacional de Urânio), eu andei no jardim escola da Urgeiriça, fiz a escola primária na (agora incrivelmente abandonada, ou melhor deixada ao abandono) escola primária da Urgeiriça, brinquei nos parques, brincávamos aos tesouros deixados pelos ingleses, joguei no campo, corria a esperar o meu avô quando a sirene tocava às 5 horas, comia o pão do forno comunitário, ia à marcha atlética, ao cinema e teatro na Casa do Pessoal, jogava ping-pong a 10 escudos,... ri, chorei... sempre me considerei mais da Urgeiriça do que propriamente de Canas... qualquer diferença que haja entre esses conceitos...

...Era uma terra cheia de vivacidade cheia de... pessoas! Hoje por vezes ainda por lá passo mas dou com um "beco sem saída"... desapareceu a vivacidade, desapareceram muitas das pessoas, ... esquecida por já não dar dinheiro como antes, abandonada por um governo que encheu (e enche) os cofres à sua conta... As pessoas?... Passaram a ser mais escolhos da terra que já não dá, também elas esquecidas por quem prometeu mundos e fundos...

E as Pessoas?... removem e reviram terras escondendo os problemas em vez de os resolverem, movem escolhos e requalificam paisagens de maneiras que não lembram a ninguém, constroem muros e barreiras para enganar a Natureza... E as Pessoas?...

Publicada por Farpas http://www.ai-o-camandro.blogspot.com/


fotos: BUTTERFLY

Oferta...do "Município"

Urânio em pó nas Minas da Urgeiriça
Na Mina da Urgeiriça, os portugueses extraíam rádio para as experiências e utilizações práticas que lhe davam os cientistas das primeiras décadas deste século. Portugal deitava fora, para o Atlântico, através do Mondego, o urânio que não servia para nada até à Guerra.
Em 1945, a bomba atómica tornou o minério importante, a era nuclear enriqueceu a Urgeiriça e a exploração do urânio fez-se intensivamente pelos métodos tradicionais. Hoje e desde 1962, processos químicos de extracção substituem, em parte, o trabalho de desmonte do filão, mas o urânio continua a dar dinheiro. Nem se sabe quanto!...
Descemos cerca de 500 metros em profundidade para assistir àquilo a que os técnicos nos acompanham chamam de «lixiviação in situ», o processo que permitiu, a partir de 1962, recuperar o urânio que não era rentável extrair pelos métodos normais utilizados na mina a partir do início da sua exploração (1912).
Uma corrente de água ácida dissolve o urânio que resta nas zonas já desmontadas pelos mineiros e naquelas que o não foram antes por não valer a pena o trabalho. A água, com ácido sulfúrico, permitiu já recuperar 160 toneladas de óxido de urânio, nesta mina. E só uma quinta parte foi tratada por este processo até ao momento.Até 1962, os blocos do filão que pagavam o trabalho foram desmontados a martelo e tiro. Outros blocos, marginais, ficaram intactos, porque o seu teor de urânio era tão baixo que não compensavam. Com a invenção da lixiviação no local, a Empresa Nacional de Urânio vai recuperar minério nas zonas já desmontadas e extrair o que restou da anterior exploração.
Lá em baixo
O trabalho típico do mineiro é, assim, muito reduzido. O ácido faz quase tudo e os operários limitam-se a carregar a lama rica em urânio, bombeá-la para a superfície e, de quando em quando, desviar a água ácida dos seus caminhos preferenciais.
Também se executam alguns ataques ao filão pelos processos tradicionais, com o objectivo de fracturar a rocha nos blocos ainda não trabalhados. Mas a extracção do minério é deixada a cargo dos produtos químicos utilizados na estação de tratamento da empresa, à superfície.Lá em baixo, as galerias estão quase desertas. No fundo do poço, aberto fora da zona mineralizada que é instável não está ninguém.Caminhando, o visitante encontra uma escavadora que foi transportada peça por peça até aquele nível. O processo é lógico: no elevador não cabem mais de seis pessoas. A temperatura sobe um grau centígrado por cada 33 metros que descemos. Não se compara este calor ao gelo da superfície.
O licor rico em minerais é atirado para a superfície a uma altura manométrica de 450 metros por duas bombas, à razão de 40 metros cúbicos por hora. As caldeiras para tratamento deste licor têm uma capacidade muito maior, mas as bombas não suportam mandar mais material para o ar livre.
A água ácida corre em mangueiras com furos da aspersão a intervalos regulares e escorre dos níveis superiores para o último. Quando a lama sobe pelo poço de ventilação para a estação de tratamento, o urânio vai todo, explorado rentavelmente até às PPMs (Parcelas Por Milhão).
Cá em cima
Cá em cima começa a trabalhar a química. O minério inicia a sua vida em bruto. O seu calibre é reduzido na britagem, preparando-se a entrada dos calhaus no moinho.Depois de pesado todo o material é feita uma amostragem que dá aos técnicos o teor de urânio existente em cada quilo de pedra extraída, quando sai do moinho, o material (terra estéril mais urânio) é uma lama fina da qual o ácido sulfúrico extrai o minério.
Quatro agitadores construídos em madeira (um dos produtos mais resistentes ao ácido-há ali um dos agitadores que tem 30 anos de contacto com o líquido corrosivo) tornam a polpa homogénea.
Esta segue para decantadores gigantescos onde os sólidos (lama estéril) são separados dos líquidos (licor rico em urânio).O licor é agora tratado com solventes.Uma amina terciária dissolvida em querosene concentra o urânio existente no líquido. O concentrado de urânio aumenta de um grama por litro para 30 gramas e sofre, em seguida, um processo de precipitação em cubas de amónia. Está agora misturado com cloretos e sódio que é necessário eliminar para tornar o produto conforme com as normas internacionais dos compradores.
Num filtro de vácuo a mistura leva uma injecção de sulfato de amónio a 10 por cento que elimina o sódio. Depois é secado e reduzido a pó, a um pó amarelo: como uranato de amónio é vendido em barris para os Estados Unidos e França.
Céu aberto
A Empresa Nacional de Urânio (ENU) explora ainda, na região da Urgeiriça, dois outros jazigos, chamados da Quinta do Bispo e da Cunha Baixa, que «o diário» visitou.
A Quinta do Bispo está a ser explorada desde 1979 a céu aberto e possui cerca de 364 mil toneladas de minério rico.Para o extrair , a ENU vai retirar deste local, escavando três milhões e meio de toneladas de terra.
Na Cunha Baixa, dão o braço os dois tipos de exploração: o céu aberto e a mina tradicional. Esta última foi abandonada em 1950 quando os minérios a tratar já tinham um teor de corte muito baixo, logo, não rentável.
Escavando, a partir do solo, a empresa de urânio foi encontrar novo filão e atingir o primeiro nível da velha mina. Os materiais extraídos são colocados ao ar livre e regados com a mesma água ácida, seguindo, depois, para a Urgeiriça, para a estação de tratamento químico.
Que fazer ao urânio é uma questão ainda por resolver.
O governo português não possui uma política neste campo e a gerência da ENU não tem directrizes senão verbais. Vai vendendo urânio a preços de ocasião para se manter em funcionamento.A cotação do produto, por seu lado, é hoje metade do que era há dois anos (45 dólares americanos por libra). O movimento anti-nuclear no Mundo contribuiu parcialmente para esta redução, bem como aumento da oferta de urânio, por países como a Austrália que está a extrair 180 quilos de uranato por tonelada de terra.
Postado Por Mr Kunami http://municipiocds.blogspot.com/

maio 14, 2007

Oferta...do "Municipio"


rio de dor


jardim em frente da casa da senhora Ilda Fernandes
Viúva de mineiro, Ilda Fernandes, de 78 anos de idade, tem um ar sofrido. E não é para menos: há 18 anos, o marido falecia no hospital de Coimbra com 51 anos, deixando--lhe oito filhos.Não sabe dizer qual possa ter sido a causa da morte do marido, José Ramos, na altura já reformado das minas com 47 contos mensais (cerca de 235 euros). Mas sabe que ele fez quatro intervenções cirúrgicas, a última delas para "lhe tirarem a bexiga", e já não voltou vivo à Urgeiriça. Ilda Fernandes nasceu em Nespereira de Mundão (concelho de Viseu) e trabalhou nas culturas do arroz em Alcácer do Sal, mas isso foi antes de regressar à Beira Alta. Os filhos partiram há muito e só uma filha vive perto da mina. Enumera os destinos: "Um está em Inglaterra, outros em França, uma filha em Setúbal... Vivo sozinha mais Deus". Pagou a sua casa "sem ajudas de ninguém", vai dizendo. "Até fome passei." Hoje conta apenas com a sua pensão de viúva, metade da auferida pelo marido quando estava vivo. O seu rosto aviva-se um pouco quando fala dos tempos de actividade das minas: "À hora de almoço íamos levar a comida aos portões, para eles mandarem aos maridos lá em baixo [nas galerias] e aquilo era um movimento!...". E garante que se vivia melhor nessa época: "Aqui só havia mineiros, mas nós cultivávamos umas terras, porque o salário era baixinho". O médico aconselhou-a a não se fechar em casa, porque "é pior". Por isso, Ilda Fernandes faz um esforço para passear diariamente, descendo as ruas do bairro operário e regressando depois a casa. O semblante volta a fechar-se quando fala do que lhe é dado ver: "Mete aflição ver isto tudo assim, parado". "Isto" são as instalações fechadas e abandonadas das minas. "Isto" é, também, a evocação dos vizinhos que morreram prematuramente de doenças com nomes esquisitos. "Havia o senhor Gaspar, e o senhor Carvalho, que eram mais velhos do que o meu marido." Só o pequeno jardim em frente da casa, bem tratado e com rosas vistosas, contraria o rio de dor e desesperança em que se transformou a vida de Ilda Fernandes. C.P.

Postado Por ibotter http://municipiocds.blogspot.com/